Por que a libido some no pós-parto? Especialista explica caso de Viih Tube: ‘É multifatorial’

Em entrevista para CARAS Brasil, a sexóloga Bárbara Bastos analisa situação de Viih Tube no pós-parto do segundo filho, Ravi

Viih Tube - Foto: Instagram

A influenciadora Viih Tube (25) usou as redes sociais para falar abertamente sobre a queda da libido após o nascimento de seus filhos, Lua, de 2 anos, e Ravi, de 10 meses, fruto da relação com o ex-BBB Eliezer.

“O bebê sai e qualquer vontade existente vai embora junto no pós-parto. Temos que falar mais sobre isso. Eu não tinha vontade de nada, zero, menos um. Eu ficava até mal com isso, porque já tinha passado tempo e a vontade não voltava. É realmente hormonal e tem vários fatores envolvidos com o corpo estar voltando para o lugar”, relatou a influenciadora.

Segundo Viih, muitas mulheres vivem essa realidade em silêncio por vergonha. Ela contou que só voltou a ter desejo após 60 dias do parto de Lua, algo considerado natural pelos especialistas. “Eu tenho muita sorte de ter um marido em casa que me respeita muito. É o momento do puerpério e ele respeitou a minha vontade”, disse.

Por que a libido cai no pós-parto?

Para entender melhor o tema, a CARAS Brasil conversou com a sexóloga e terapeuta sexual Bárbara Bastos, que analisou os fatores clínicos, hormonais e emocionais por trás da queda da libido.

“A queda do desejo sexual após o parto é bastante comum e, na verdade, é o esperado. Do ponto de vista clínico, ocorrem muitas mudanças no corpo da mulher, e os hormônios também estão passando por ajustes significativos. Além disso, a vida da mulher muda completamente; a rotina, o casamento e as dinâmicas familiares não são mais as mesmas”, explica.

“Esses fatores clínicos e emocionais se misturam, influenciando diretamente o desejo sexual. É importante lembrar que o desejo sexual é multifatorial; não é simplesmente como um botão de liga e desliga. Há muitas variáveis em jogo”, diz a especialista.

Segundo ela, desconfortos físicos como dores da cesárea, ajustes do canal vaginal e ressecamento também interferem no desejo. “É completamente normal que o desejo sexual diminua nesse período”, afirma.

Culpa, vergonha e saúde mental no puerpério

Outro ponto destacado por Bárbara é a culpa que muitas mães sentem por não desejarem intimidade nesse momento.

“Lidar com os sentimentos após o parto pode ser desafiador, e um dos caminhos mais eficazes é buscar conhecimento e informações corretas sobre a situação que estão vivendo. Hoje, no mundo digital, há uma abundância de informações, mas é crucial filtrar e buscar fontes confiáveis. Escutar outras mulheres que passaram por experiências semelhantes também pode ser extremamente útil”, analisa.

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“Se a mulher se sentir culpada ou pressionada durante esse processo, isso tornará tudo ainda mais desafiador. O conhecimento traz uma base racional que ajuda a evitar que os sentimentos se tornem avassaladores”, acrescenta.

A sexóloga reforça que buscar ajuda profissional pode ser essencial. “Não podemos ignorar a possibilidade de condições como a depressão pós-parto, que pode afetar a capacidade de lidar com os sentimentos. Também existe o que chamamos de ‘baby blues’, que, embora não seja uma depressão pós-parto, pode surgir devido a quedas hormonais e impactar a saúde emocional e psicológica da mulher”, explica.

Hormônios, sono e rotina: o impacto na intimidade

Entre os fatores que afetam diretamente a libido, a especialista cita a queda dos hormônios estrogênio e progesterona, além do aumento da prolactina, ligada à produção de leite.

“A privação de sono é uma realidade para muitas mães, já que os bebês demandam muita atenção e energia. Essa falta de descanso pode afetar o humor e, consequentemente, o desejo sexual”, ressalta.

Ela também lembra que a chegada do bebê altera a rotina do casal: “A prioridade do casal muda, e isso pode levar a uma diminuição da intimidade. Portanto, a queda do desejo sexual é multifatorial, envolvendo tanto aspectos físicos quanto emocionais e fisiológicos“.

Tabu e tempo de retomada

Segundo Bárbara, ainda existe tabu em falar sobre sexualidade materna: ‘Falar sobre sexo, sexualidade e desejo sexual ainda é um tabu, principalmente devido à falta de educação sexual que muitos de nós tivemos. Muitas mulheres, ao se tornarem mães, sentem que devem se distanciar da sua sexualidade, como se a maternidade as tornasse intocáveis’.

A especialista reforça que não existe um tempo padrão para retomar a vida sexual. Cada casal precisa avaliar seu momento. “O desejo sexual precisa ser instigado; não é algo que surge espontaneamente. Se deixarmos as coisas como estão, é possível que a mulher não volte a ter desejo”, aponta.

Quando buscar ajuda profissional?

Alguns sinais mostram que a queda de libido pode deixar de ser natural:

  • autoestima abalada
  • discussões frequentes no relacionamento
  • falta de conexão emocional

Para a sexóloga, é fundamental ressignificar a intimidade: “Vale lembrar que intimidade não se resume apenas à penetração ou ao ato sexual. Ela pode se manifestar em momentos de aconchego, toques carinhosos e uma conexão emocional mais profunda“.

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