A série “Desaparecida” acaba de estrear no Apple TV e mostra o desespero de um pai que um dia chega em casa e a filha de três anos simplesmente sumiu. A vida jamais seria a mesma para Ian Ridley, personagem de Patrick Brammall. Ele coloca essa procura acima de qualquer outro objetivo na vida; é um homem marcado pela perda, pela culpa e pela obsessão.

Com seis episódios na primeira temporada, dois deles lançados na última quarta-feira (9), a trama também mostra como as pessoas ao redor dele reagem e sobrevivem de maneiras diferentes diante desse desaparecimento.

Quando Patrick Brammall começou as filmagens, sua filha mais velha tinha a mesma idade da menina que desaparece na série. Pai de duas crianças pequenas, o ator recebeu em Los Angeles, com exclusividade, a CARAS TV. “Normalmente não uso minhas experiências pessoais para atuar. Mas isso estava bem na minha frente. Era muito cru. Teria sido tolice ignorar”, disse Brammall.

A coincidência talvez ajude a entender a intensidade de sua atuação. Brammall interpreta um ex-detetive que agora trabalha na polícia local. A filha desapareceu há 11 anos e ele não consegue aceitar a possibilidade de ela estar morta. O papel coloca o ator em uma interpretação bem diferente de alguns de seus trabalhos mais conhecidos.

Antes de assumir o papel de Ian Ridley, Brammall já vinha de um ano movimentado. O ator também está no elenco de “O Diabo Veste Prada 2”, uma das grandes produções de Hollywood de 2026. Se no longa ele integra o universo glamoroso da moda, em “Desaparecida” aparece em uma história muito mais sombria na qual ele ganha destaque pela interpretação poderosa.

O jornal The Guardian deu cinco estrelas à produção e já classificou “Desaparecida” como um dos destaques televisivos de 2026. A publicação chama a atenção para o trabalho de Brammall e para a maneira como a série combina suspense e drama familiar complexo.

Para o ator, o caminho até Ian começou pelo roteiro. “O personagem é muito emotivo. Eu lia e relia e, a cada vez, descobria outra camada. Ser pai me deu acesso muito rápido e direto ao Ian”, afirmou.

Ao longo da série, Ian vai deixando de ser apenas o pai que procura a filha. A busca passa a ter relação também com a culpa pelo desaparecimento e com a sensação de ter falhado tanto como pai quanto como policial. “Ele se torna muito singular, muito obcecado. Perde o equilíbrio e continua avançando sem se importar com as consequências. Ele não é um herói”, afirma o ator.

Da dor da realidade para a ficção

O Brasil registrou 23.919 casos de desaparecimento de crianças e adolescentes (menores de 18 anos) em 2025, uma média de 66 casos por dia, conforme dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública. A história pode tocar profundamente a realidade dessa multidão que não sabe o paradeiro de seus filhos. A trama, apesar de ser uma ficção, lembra muito o caso da menina inglesa Madeleine McCann, que desapareceu há quase 20 anos, no Algarve, em Portugal.

Acho que o propósito do drama é a catarse. A série toca em um assunto terrível, muito sombrio, mas os argumentos para se fazer arte nesse território com material sombrio são fascinantes. É fascinante para as pessoas assistirem porque ver a história se desenrolar e trazer esses medos à tona, representá-los em um mundo ficcional com verdade emocional, permite que os espectadores experimentem a curiosidade sem ter que vivenciá-la pessoalmente. Isso é catarse e acho que essa é uma função muito importante que o drama tem, assim como a comédia tem uma função diferente. Mas trata-se de se sentir conectado à experiência humana. Espero que tenhamos conseguido fazer isso. Nós certamente não encaramos o assunto, real para muitas pessoas, de forma leviana, mas com a responsabilidade que esse tipo de material acarreta.

Sem interferência nos medos

O ator diz que não levou para sua vida o medo de que alguma coisa possa acontecer com suas próprias filhas e que pensar dessa maneira o impediria de exercer a própria função de pai.

Acho que existem tantas circunstâncias ruins que podem nos atingir. Se eu andasse pelo mundo me preocupando com todas elas, não conseguiria fazer nada. Então, como pai, felizmente levo meu papel a sério. Meu trabalho é mantê-las seguras, protegê-las, mas também apresentá-las ao mundo, mostrar-lhes novas experiências e dar ferramentas para viverem vidas produtivas e serem curiosas. São tantas as responsabilidades de um pai e de uma mãe. Então, é sempre uma questão de equilíbrio.

É justamente essa relação entre amor, proteção e controle que “Desaparecida” explora. A série começa como um thriller sobre uma criança desaparecida, mas vai se transformando em uma história sobre família, culpa, as várias reações diante das perdas e os limites do amor parental.

A trama foi baseada no romance “The Dispatcher“, do escritor Ryan David Jahn.

Os dois primeiros episódios chegaram ao Apple TV em 9 de setembro. Os outros quatro serão lançados semanalmente.

Cleide Klock e Patrick Brammall - Foto: Divulgação
Cleide Klock e Patrick Brammall – Foto: Divulgação