O ator Julio Rocha (46) vive um daqueles momentos em que a vida parece ganhar novas camadas de significado. Após retornar às novelas no horário nobre da Globo, como Edilberto, da recém-terminada Três Graças, ele celebra muito mais do que um papel marcante: comemora a família que construiu ao lado da mulher, Karoline Kleine (38). Pai de José (7), Eduardo (5) e Sarah (3), o artista fala com emoção sobre a nova gestação da esposa. A atual gravidez veio após um aborto espontâneo em 2025.
A experiência recente transformou a maneira como Julio vê a paternidade e os próprios sonhos. “Entendi que a minha grande missão é formar uma família”, afirma. A vontade de ter filhos sempre esteve presente, mas ganhou novos contornos ao longo do tempo. “Meu desejo desde o início, quando conheci a Karol, era ter três bebês. Ela queria quatro. Quando Sarah nasceu, pensei que estava bom, que era suficiente. Mas a vida foi conduzindo a gente de outro jeito”, revela.

A perda do bebê deu lugar a uma decisão consciente de seguir em frente. “Nada se compara a essa dor. É muito profunda, difícil”, relembra. O casal chegou a cogitar a possibilidade de encerrar o sonho de aumentar a família. “Por um momento, pensamos que era melhor ficar assim. Talvez não era para ser”, confessa o artista, refletindo sobre o luto. “Às vezes, quando acontece uma perda, a gente se acovarda frente ao nosso sonho. E, na verdade, aquela perda é justamente para que a gente reflita um pouco mais sobre várias questões. Uma delas é que nós não estávamos preparados para ter o quarto filho naquele momento”, conta o ator, que, após orientação médica, decidiu retomar com a esposa o plano de ter outro bebê.
A nova gestação, agora, é vivida com ainda mais significado. Por exemplo, uma das decisões mais marcantes do casal foi não se interessar em saber o sexo do bebê antes do nascimento. “Isso pouco importa. Após nossa perda, é uma bênção de Deus ter mais essa chance. Não queremos saber se é menino ou menina. O que a gente quer é a chegada, é a saúde”, afirma o artista, contando que o bebê deve nascer entre a última semana de julho e a primeira de agosto.
A decisão surpreendeu aos fãs e pessoas próximas. “Pensam que a gente sabe o sexo e não quer contar”, diz ele. O enxoval, inclusive, não está pronto. “Não temos nada preparado. E, ainda assim, não queremos saber se é menino ou menina. É como se fosse algo simbólico mesmo”, explica. No entanto, já arriscam alguns nomes. “Para menina, a gente gosta de Esther. Para menino, ainda não temos certeza”, confessa.
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Além de se dedicar à gravidez da esposa e ao trabalho, Julio faz questão de participar ativamente da rotina dos filhos. “Criar memórias com eles é uma das coisas mais importantes da minha vida. Vivemos, aprendemos e erramos todos juntos”, conta. Essa convivência próxima também se reflete nos conteúdos que desenvolve nas redes sociais, em que compartilha situações do cotidiano com leveza e humor. “Dentro de casa é um lugar muito rico. O tempo inteiro tem história, ideia e emoção”, afirma. As crianças, inclusive, participam de alguns vídeos. “Sempre respeitamos os tempos e a vontade deles. Às vezes, querem gravar o dia inteiro, mas em alguns dias não querem nada. E está tudo bem. Tudo vira brincadeira”, diz. Para Julio, mais do que exposição, existe um legado em construção. “No futuro, entenderão o quanto foi especial viver essas experiências”, diz.
A visão de Julio está diretamente ligada à forma como ele enxerga a paternidade. “Quando você se coloca no papel de adulto, e leva isso com seriedade, o risco que existe de estragar o futuro dos filhos é grande. Porque, na verdade, as crianças é que nos ensinam. Quanto mais estou junto de corpo e alma, como uma criança mesmo, sentindo de verdade, sem imaginar o que os outros pensarão, mais chance tenho de dar a eles um futuro feliz, e não um futuro baseado no que um adulto que se tornou pai acha ideal”, ressalta.
Paralelamente à vida familiar, Julio celebra um momento importante na carreira. O retorno às novelas após anos afastado do formato foi encarado com entusiasmo. “Passou rápido. Quando falam que foram 13 anos, nem acredito, porque nunca parei de trabalhar, fiz série, cinema, apresentei, criei conteúdo. Mas voltar à novela foi especial”, defende. Ele encarou o vilão Edilberto como parte de um grande equilíbrio em sua trajetória. “E esse personagem veio no tamanho certo, no momento certo”, afirma.
O ator também ressalta a recepção do público com as maldades que fazia no folhetim. “Não fui hostilizado, pelo contrário. As pessoas falavam comigo com carinho”, conta. Para ele, essa relação tem a ver com a imagem construída fora da ficção. “Hoje muita gente já me conhece pelo que mostro no dia a dia.”
Entre os momentos mais simbólicos da novela, ele destaca a despedida do personagem, que foi morto por Arminda, personagem de Grazi Massafera (43). “Creio que tudo tem começo, meio e fim. Encarei como uma celebração, não como um fim triste. Celebrei um momento que não vivia há tempos”, confessa.
Essa perspectiva se conecta com uma mudança importante em sua forma de trabalhar. “Foi a primeira vez que eu fiz uma novela sem precisar pensar no financeiro. Embora sempre tenha atuado por amor, também existia a necessidade. Desta vez, pude viver de uma forma tão leve e tão gostosa, porque estava lá pelo amor mesmo”, afirma o ator, que não tem planos de voltar aos folhetins no próximo ano. Afinal, pretende se dedicar ao bebê que vai nascer e a projetos pessoais.




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