Marcelo Senna e a neurocirurgia vista para além da técnica
Neurocirurgião consolida trajetória entre assistência, formação de residentes e uma relação mais humana com pacientes.

Em uma especialidade em que o medo muitas vezes chega antes do diagnóstico, Marcelo Senna constrói sua história sem separar técnica e presença. Neurocirurgião com rotina dividida entre Campinas, Limeira e Piracicaba, ele reúne décadas de experiência em hospitais públicos, liderança em serviços de alta complexidade e participação direta na formação de novos especialistas. Ao longo dos anos, consolida uma prática em que conhecimento, clareza e escuta caminham juntos, sobretudo diante de pacientes e famílias atravessados por dúvidas, insegurança e dor.
A origem de Marcelo Senna e o início da vocação
Nascido em Campinas, no interior de São Paulo, Marcelo cresceu em um ambiente no qual a medicina já fazia parte da vida cotidiana. Filho de neurologista, acompanhava o pai em visitas hospitalares ainda na infância e observava cedo a relação entre médico, paciente e família em momentos delicados. A escolha pela profissão amadurece nesse cenário e ganha forma durante a graduação em Medicina na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), em Campinas, São Paulo.
No início do curso, a cardiologia despertou seu interesse. A mudança de rota veio com a neuroanatomia, disciplina conhecida pelo alto grau de exigência. Com estudo intenso e incentivo do pai, ele transforma uma das matérias mais temidas da faculdade em área de afinidade e atua como monitor. A decisão final se confirma no quarto ano, quando entra no centro cirúrgico e reconhece ali o espaço em que gostaria de permanecer.
Depois da graduação, segue para a capital paulista e faz residência médica na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp), em São Paulo. A vivência em hospitais públicos e serviços de alta complexidade amplia seu repertório técnico e também sua visão sobre a responsabilidade de cuidar.
Hospital público, experiência e compromisso com a formação
Grande parte do caminho profissional de Marcelo se desenvolve na rede pública. Em São Paulo, ele atua em diferentes hospitais e convive com uma rotina marcada por volume, complexidade e decisões rápidas. É nesse ambiente que sua formação se aprofunda e sua leitura sobre a medicina se torna mais concreta.
“Minha vida profissional sempre esteve muito ligada ao hospital público. Foi ali que ganhei experiência, repertório e compreensão real do que significa exercer a medicina diante de pacientes que chegam ao serviço de saúde em momentos de absoluta vulnerabilidade”, afirma.
Em 2004, Marcelo passa a integrar a Santa Casa de Limeira, no interior de São Paulo. O serviço cresce, a residência médica é estruturada e o trabalho se consolida ao longo dos anos. Mais tarde, assumiu também a frente do serviço de neurocirurgia da Santa Casa de Piracicaba, também no interior paulista. Hoje, mantém a rotina entre Limeira, Piracicaba e Campinas, conciliando cirurgias, ambulatórios, gestão e ensino.
Esse percurso ajuda a explicar por que sua atuação não se resume ao centro cirúrgico. Marcelo também se dedica à formação de residentes, papel que trata com o mesmo senso de responsabilidade que leva para a assistência.
“Conhecimento é a única coisa que, quanto mais se divide, mais se amplia. Ensinar nunca é apenas transmitir uma técnica; é formar raciocínio, postura, responsabilidade e respeito pela dimensão humana de quem está do outro lado”, reflete.
A humanização no atendimento como parte da prática médica
Se a neurocirurgia costuma ser associada à rigidez e ao distanciamento, Marcelo segue por outra direção. Em sua leitura, muitos pacientes chegam ao consultório com receio não apenas da doença, mas do próprio atendimento. O medo, em vários casos, vem acompanhado de experiências anteriores marcadas por pressa, comunicação truncada e pouca escuta.
Por isso, ele critica a massificação da assistência e a perda de espaço da consulta como momento de observação clínica e acolhimento. Para Marcelo, a boa medicina não pode ser reduzida a protocolos automáticos ou à simples solicitação de exames.
“Quando a consulta se transforma em linha de produção, o paciente deixa de ser ouvido e passa apenas a circular pelo sistema. A boa medicina não começa no exame; começa na escuta, na observação clínica e na atenção ao que a pessoa consegue ou ainda não consegue dizer”, pontua.
Essa visão aparece em detalhes concretos da rotina. Pontualidade, clareza na explicação e respeito ao tempo do paciente não são gestos acessórios em sua prática. São parte do próprio cuidado.
“Eu estou no mesmo time do paciente. Minha função não é aumentar o peso que ele já carrega, mas ajudá-lo a compreender o que está acontecendo e caminhar com ele da maneira mais responsável possível”, afirma.
Quando o médico vive a experiência do outro lado
A percepção sobre fragilidade ganha outra dimensão quando Marcelo também passa pela experiência de ser paciente. Após uma cirurgia para correção de um problema auditivo, ele enfrenta uma internação em UTI. O episódio amplia seu entendimento sobre dependência, medo e necessidade de cuidado.
Essa vivência reforça o modo como enxerga o atendimento. Ao falar sobre saúde, ele insiste que a doença reorganiza tudo ao redor e impõe outra escala de prioridades.
“A saúde é o bem maior. Todos nós temos problemas todos os dias, mas, quando a doença chega, ela reorganiza tudo. Nesse momento, o paciente precisa de atenção, clareza e cuidado verdadeiro”, observa.

Tumor cerebral, qualidade de vida e dúvidas recorrentes
Embora tenha atuado em diferentes frentes da especialidade ao longo da carreira, Marcelo concentra hoje boa parte do trabalho em tumores cerebrais. O tema mobiliza dúvidas recorrentes, tabus e receios profundos entre pacientes e familiares. Em vez de alimentar esse imaginário, ele procura traduzir a complexidade do quadro com clareza e equilíbrio.
Na sua visão, uma das responsabilidades do neurocirurgião está em não transformar a técnica em espetáculo. A decisão cirúrgica, afirma, precisa considerar o que permanece para o paciente depois do procedimento.
“Diante de um tumor, a conduta não pode ser guiada pelo impulso de provar capacidade técnica. O que orienta a decisão é o que preserva dignidade, funcionalidade e qualidade de vida. Há situações em que retirar menos representa cuidar melhor”, explica.
Tecnologia, futuro e responsabilidade humana
Marcelo acompanha de perto o avanço tecnológico na neurocirurgia. Em sua rotina, recursos como neuronavegação, marcadores intraoperatórios, aspiradores ultrassônicos e abordagens endoscópicas entram como ferramentas que podem ampliar a precisão em casos específicos. Ainda assim, ele trata a tecnologia com interesse e cautela.
“A tecnologia amplia possibilidades, melhora o planejamento e pode aumentar a precisão em procedimentos muito delicados. Mas nenhum recurso dispensa discernimento clínico, responsabilidade ética e a obrigação de olhar o paciente para além da imagem ou do protocolo”, observa.
Ao projetar os próximos anos, ele acredita que a inteligência artificial terá forte impacto sobre a medicina, especialmente em diagnóstico, triagem e apoio à decisão. Mas insiste em um ponto: a sofisticação técnica não substitui presença, critério nem compromisso humano.
Nos próximos anos, Marcelo pretende fortalecer ainda mais os serviços em que atua, com atenção especial ao eixo entre Limeira e Piracicaba. A reorganização da rotina também passa pelo desejo de preservar qualidade de vida e proximidade com a família, sem romper o vínculo com a assistência, o ensino e a gestão dos serviços.
Entre os reconhecimentos recentes, um dos que mais o marcam é o convite da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia para atuar como examinador da prova de título de especialista. Para ele, o gesto representa a confiança da própria comunidade médica em seu percurso profissional.
No fim, porém, o que melhor resume sua identidade não é um cargo, mas a maneira como entende o cuidado e o papel do médico diante de quem sofre.
“O médico está ali para ajudar. Vai fazer tudo o que puder pelo paciente. Por isso, é importante confiar, buscar orientação e compreender que cuidado também é encontro, escuta e presença quando a vida se torna mais frágil.”
CRM: 81673/SP | RQE Nº: 16477
Instagram: @dr.marcelo.senna
Site: https://neurocirurgiao.drmarcelosenna.com.br/lp

Esse texto é um conteúdo patrocinado, de responsabilidade exclusiva do anunciante e não reflete necessariamente a opinião dessa publicação.