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Lucas Najar explica sinais de demência e cuidados na epilepsia

Neurologista do Rio de Janeiro fala sobre memória, crises epilépticas, avanços da neurologia e o papel da escuta no cuidado humano

Com voz tranquila e pensamento analítico, Lucas Lima Najar cresceu na zona sul do Rio de Janeiro (RJ) sem imaginar outra vocação que não fosse a medicina. O destino, em parte, já estava no nome escolhido pela mãe, em homenagem a São Lucas, o padroeiro dos médicos. Desde cedo, ele se via encantado com a complexidade do corpo humano e com a delicadeza de compreender o que escapa aos olhos. “Nunca me vi fazendo outra coisa. Foi algo intuitivo, natural”, conta.

A escolha pela neurologia veio como um chamado à curiosidade. Durante a graduação, Lucas percebia que se atraía por aquilo que desafiava o entendimento — os mistérios do cérebro e da mente. Ao ingressar na residência em neurologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mergulhou em um ambiente de intenso aprendizado técnico e humano. O contato com pacientes de diferentes perfis, somado à pesquisa acadêmica, moldou uma visão clínica mais ampla e sensível. “Eu sempre me identifiquei mais com a área clínica do que cirúrgica. A neurologia me fascinou pela beleza e pela complexidade do sistema nervoso”, lembra.

Durante o mestrado, aprofundou-se nas áreas de sono e epilepsia, ao lado de professores e pesquisadores que hoje são referências internacionais. Seu estudo investigou movimentos periódicos dos membros em pacientes com epilepsia, o que lhe rendeu publicações científicas sobre ritmo circadiano e qualidade de vida. Mais do que dados, o que o motivava era o olhar para o cotidiano desses pacientes e entender o que acontece entre uma crise e outra, entre o medo e a retomada da rotina.

Neurologia, epilepsia e o desafio de compreender o cérebro

No consultório em Laranjeiras, no Rio de Janeiro, Lucas recebe pacientes com um amplo espectro de sintomas: dores de cabeça, esquecimentos, tremores, formigamentos, distúrbios de movimento, desequilíbrio e crises epilépticas. Casos de demência e doença de Alzheimer também são frequentes, o que torna sua prática um

Exercício constante de atenção e empatia. “Cada pessoa chega com uma história, e o primeiro passo é sempre escutar. A medicina começa no diálogo”, diz.

Entre as condições que mais desafiam o público leigo está a epilepsia. Segundo o médico, nem todas as crises são visíveis, e muitas passam despercebidas até que se tornem recorrentes. “A convulsão é o tipo mais reconhecido, mas há crises menores, como as de ausência, que duram poucos segundos e são facilmente confundidas com distrações. Às vezes o paciente apenas interrompe uma fala, olha fixamente e retoma a atividade. Isso também é epilepsia”, explica.

Os cuidados diários desempenham papel central no controle da doença. Regularidade do sono, estabilidade emocional e adesão rigorosa à medicação são determinantes para a melhora. “O estilo de vida importa muito. O sono, o controle do estresse e evitar álcool e drogas são medidas tão importantes quanto o próprio remédio”, reforça.

Lucas observa que o avanço nos medicamentos antiepilépticos permite tratamentos cada vez mais personalizados. “Cada fármaco tem características próprias. É como um jogo de xadrez: a gente avalia o perfil do paciente, as comorbidades e o melhor encaixe possível. Às vezes, o que funciona para um não serve para outro”, detalha. Em casos mais complexos, ele também avalia a possibilidade de cirurgias e dispositivos de estimulação cerebral, indicados apenas após análise criteriosa.

Memória, demências e o cuidado com o envelhecimento

Entre as doenças que mais afetam os pacientes e familiares, o Alzheimer está entre as mais delicadas. Lucas explica que a doença se manifesta de forma gradual, com sinais sutis que, muitas vezes, são confundidos com “esquecimentos da idade”. “A progressão é o que chama atenção. Quando a pessoa começa a repetir perguntas, se perde no tempo ou tem dificuldade de realizar tarefas que antes eram simples, é o momento de buscar ajuda”, alerta.

O diagnóstico precoce, embora desafiador, é fundamental. Segundo o médico, os tratamentos atuais incluem medicamentos que ajudam a retardar a progressão da doença e a controlar sintomas associados, como ansiedade, insônia e agitação. “Temos medicações consagradas, como os inibidores de colinesterase e a memantina, mas o tratamento não se limita a isso. A terapia cognitiva, a fisioterapia, o apoio familiar e o acompanhamento constante fazem parte do processo”, afirma.

Lucas cita também o uso criterioso do canabidiol em alguns casos, especialmente quando há distúrbios de sono e agitação, ressaltando que o acesso ainda é limitado por custos e regulamentações. Para ele, a tecnologia e a ciência caminham juntas da compaixão. “Não se trata de prolongar a vida a qualquer custo, e sim de oferecer qualidade e dignidade. Cada paciente tem seu tempo e sua história”, diz.

Ele lembra de um caso que o marcou profundamente: um idoso com Alzheimer que se recusava a sair de casa. “Foi preciso atendê-lo em domicílio, com muito cuidado para não invadir. O paciente não reconhecia a própria doença, e eu precisei equilibrar empatia e firmeza para poder ajudá-lo. No fim, conseguimos elaborar um plano de cuidado junto ao filho. É um tipo de atendimento que exige tato e humanidade”, recorda.

Humanização, tecnologia e o futuro do cuidado neurológico

Entre consultas e estudos, Lucas observa o avanço da neurologia com entusiasmo cauteloso. O uso de inteligência artificial na interpretação de exames, a ampliação das terapias de neuroestimulação e os novos medicamentos para epilepsia, esclerose múltipla e AVC são conquistas que, segundo ele, já estão transformando a prática clínica. “Estamos vivendo uma era de diagnósticos mais rápidos e tratamentos mais eficazes. Isso significa mais tempo e mais qualidade de vida para o paciente”, comenta.

No entanto, ele acredita que nenhuma inovação substitui o valor da escuta. “O vínculo médico-paciente continua sendo o centro de tudo. É ali, na conversa, que se entende o medo, a dúvida e a esperança. A tecnologia é uma aliada, mas a empatia é insubstituível”, defende.

Esses princípios também guiam sua presença nas redes sociais, onde compartilha informações sobre epilepsia, demência e prevenção de doenças neurológicas. “Hoje as pessoas buscam o médico no ambiente digital. A internet pode ser um espaço de orientação e acolhimento, desde que usada com responsabilidade e sem sensacionalismo”, observa.

Atendendo na Clínica São Marcos, em Laranjeiras, ele mantém o compromisso com o cuidado próximo e personalizado, recebendo pacientes do Rio de Janeiro e também da Baixada e de Petrópolis (RJ). Sua visão é clara: compreender cada pessoa em seu contexto de vida. “Cuidar é entender a realidade de quem está à sua frente. O plano de tratamento precisa caber dentro da rotina de quem vai viver com ele”, explica.

No horizonte, Lucas acredita que o futuro da medicina está na união entre precisão científica e sensibilidade humana. “Vamos saber o que acontece antes e agir melhor. Diagnósticos mais precoces e terapias mais eficazes, mas sem perder o olhar humano. Isso é o que vai definir o cuidado do amanhã”, projeta.

“A doença faz parte da vida, assim como o nosso desejo de tratá-la. A missão é viver da melhor forma possível, apesar do diagnóstico. A medicina de hoje permite isso.”

CRM: 105853-3/RJ | RQE Nº: 34241

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Site: https://www.drlucasnajar.com.br

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