Flávia Fairbanks amplia cuidados com a saúde feminina no Brasil e nos EUA
Ginecologista une pesquisa em endometriose, especialização em sexualidade e foco em menopausa para oferecer atendimento integral e humanizado às mulheres
Nas suas clínicas – FemCare (em São Paulo), e na Universidade de Miami (em Miami) -, a Dra. Flávia Fairbanks conduz programas de saúde feminina que combinam pesquisa científica, atendimento individualizado e coordenação de equipes. Cada consulta é planejada como um encontro de escuta ativa, avaliação criteriosa e tratamento sob medida.
Na FemCare, todas as médicas foram escolhidas pessoalmente por ela, seguindo a mesma filosofia de atendimento e rigor técnico. É a forma que encontrou para garantir que cada paciente receba o mesmo padrão de cuidado, esteja em sua agenda ou na de outra profissional da equipe.
Do hospital da infância ao centro cirúrgico
A relação de Flávia com a medicina começou cedo. Filha de médico, ela cresceu associando hospital a acolhimento e curiosidade. “Quando ganhei minha primeira maleta de médica, aos dois anos e meio, não embalei mais a minha boneca; comecei a examiná-la, prescrever remédios e cuidar dela como paciente”, relembra. Na adolescência, atuou como
instrumentadora cirúrgica do pai e conheceu de perto a rotina do centro cirúrgico. Sem plano B, entrou na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e seguiu para a ginecologia e obstetrícia, combinando consultório e produção acadêmica desde o início.
Endometriose: pesquisa e prática que se completam
O interesse pela endometriose surgiu na residência, em contato com equipes de referência. Da prática veio a pesquisa, que se desdobrou em mestrado e doutorado sobre a doença e seus impactos na vida cotidiana. Ao escutar mulheres com dor pélvica, dor persistente nas relações sexuais e limitações no trabalho, percebeu um ponto cego frequente: a sexualidade. “Eu escuto e vejo que muitas mulheres com endometriose também sofrem na sexualidade”, comenta.
Para qualificar as respostas clínicas, concluiu pós-graduação em sexualidade humana, com ênfase nos distúrbios associados à endometriose. Os resultados foram apresentados no Congresso Mundial de Endometriose, em Vancouver, no Canadá, e ampliaram o diálogo com grupos internacionais.
A médica alerta: cólicas que pioram com o tempo, dor durante a relação e dor pélvica que limita tarefas do dia a dia merecem investigação. O plano de cuidado considera dor, fertilidade e impacto na rotina, com medidas objetivas desde o início. “Eu não sou muito de ficar acreditando em achismo… eu gosto de coisas científicas”, explica.
Para medir evolução e orientar ajustes, Flávia utiliza questionários padronizados que também ajudam a paciente a acompanhar seus próprios resultados. “Existem instrumentos muito legais, questionários prontos, que a gente vai vendo, e a paciente vê também.”
Menopausa sem tabu
Ao chegar à Universidade de Miami, Flávia foi convidada para estruturar o serviço de sexualidade feminina. Rapidamente, no entanto, a médica percebeu outra demanda urgente: “Percebo um gap enorme no cuidado hormonal do climatério e da menopausa”, diz.
O projeto cresceu, e ela assumiu a coordenação do programa de menopausa, obtendo certificação internacional na área. “A gente cuida de todas as questões hormonais, organiza o tratamento da menopausa e dá um plus nas questões da sexualidade”, explica.
Para ela, o início dos anos 2000 foi marcado por ruído sobre terapia hormonal, o que afastou muitas mulheres do debate. “Muita gente passa por sintomas severos sem orientação adequada”, diz. Hoje, com a retomada da discussão científica, reforça: “Cada mulher precisa de avaliação individual, com riscos, benefícios e preferências postas à mesa.”

Por isso, antes da primeira consulta, a recomendação de Flávia é que a paciente registre oscilações de sono, humor e ondas de calor por duas semanas, além de listar medicamentos em uso. Definir prioridades e dúvidas objetivas ajuda a construir metas compartilhadas.
A ginecologista explica: climatério é a fase de transição, enquanto a menopausa é o marco de 12 meses sem menstruar. Ao esclarecer sintomas e duração provável, a médica reduz incertezas: “Quando a mulher entende o que é esperado para os próximos anos, ela sofre menos.”
Nos consultórios de Miami e da FemCare, o plano terapêutico é desenhado por etapas e medido com instrumentos validados. A partir dos dados, o cuidado se distribui em curto, médio e longo prazos, com ajustes a cada reavaliação.
Quando indicada, a terapia hormonal segue critérios clínicos e revisão de contraindicações. Quando não é opção, entram abordagens não hormonais e mudanças de estilo de vida, sempre com acompanhamento documentado e metas realistas.
O acompanhamento privilegia previsibilidade e segurança: anamnese detalhada, avaliação de comorbidades, revisão de exames e definição de objetivos terapêuticos. A transparência é regra: exposição de riscos, metas realistas e critérios de suspensão.
Sexualidade: visão completa
De acordo com Flávia, a resposta sexual feminina satisfatória depende de um bom funcionamento hormonal, uma vez que estrogênios e testosterona influenciam desejo, excitação, lubrificação e orgasmo. Mas ela alerta que contexto de vida e parceria também pesam nas queixas: “Muitas vezes a parceria também muda. É preciso olhar para a relação como um todo”, destaca.
O plano pode combinar reposição hormonal, terapias não hormonais, fisioterapia pélvica, psicoterapia, educação sexual e ajustes de rotina. “As mulheres que têm disponibilidade pra se cuidar têm uma resposta sexual mais satisfatória.”
Cuidado que integra corpo e vida
Mudanças de sono, estresse crônico e dor pélvica persistente afetam a função sexual tanto quanto desequilíbrios hormonais, segundo Flávia. A FemCare atua com equipe multiprofissional que inclui ginecologia, obstetrícia, pediatria, nutrição, fisioterapia pélvica, psicologia e outras áreas, todas articuladas para dar continuidade ao cuidado.
O acompanhamento vai da adolescência à maturidade, incluindo gestações tardias, sempre com avaliação criteriosa, discussão de riscos e seguimento compartilhado.
Entre culturas e formação de novas equipes
Ao transitar entre Brasil e Estados Unidos, Flávia nota diferenças no perfil das consultas. “A paciente americana costuma ser muito pontual no objetivo do dia”, relata. “A brasileira, com frequência, busca visão abrangente na mesma visita. Eu tento fazer a medicina mais brasileira que eu consigo em território americano.”
Além do atendimento, a médica leciona na graduação e na residência, coordena grupo de pesquisa em menopausa e participa de sociedades médicas, como a Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP) e Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Em redes sociais e congressos, ela atua na divulgação de informação de qualidade para reduzir mitos e ampliar autonomia.
“Eu fico muito feliz quando a paciente diz ‘eu confio em você’”, afirma. Nos próximos anos, quer consolidar a atuação binacional, fortalecer parcerias e ampliar a rede de equipes treinadas em menopausa, sexualidade e dor ginecológica.
No Brasil, pretende expandir a integração entre serviços, mantendo acompanhamento padronizado por indicadores clínicos. Nos EUA, o foco segue na formação de residentes e no acesso das pacientes ao cuidado do climatério.
“Cada mulher se conhece melhor do que ninguém. Se algo não está bem, procure um cuidado alinhado com a sua história, em que você se sinta ouvida, investigada e cuidado. Quanto mais a gente se fizer ouvir como pacientes e profissionais, mais avançamos”, destaca.
CRM 93.879 – SP / RQE 45592
Instagram: @draflaviafairbanks
Site: http://FemCare.com.br

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