Uma sonda mantida por anos, a dificuldade constante para urinar ou o medo de uma perda urinária em público podem mudar silenciosamente a rotina. São situações como essas que aproximaram Magnum Adriel Santos Pereira da Urologia funcional e reconstrutiva, área em que atua entre Manaus e São Paulo. Em sua prática, o tratamento também passa por compreender o que aquela condição retirou da vida do paciente.
Ao retornar para sua cidade natal, Magnum encontrou pessoas que conviviam havia muito tempo com limitações urinárias sem saber que poderiam ser reavaliadas. Alguns pacientes, conta, chegam depois de anos usando sonda ou adaptando a própria rotina à perda de urina.
“Muitas vezes, encontro alguém que convive com uma limitação há dez ou quinze anos porque ouviu que não havia mais o que fazer. Isso me mostrou a importância da informação e de compreender quando existem possibilidades que ainda podem ser avaliadas.”
Uma trajetória que começa em Manaus
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Nascido e criado em Manaus, Magnum é filho de dois professores da rede pública. O interesse pela Medicina surgiu ainda no ensino médio, a partir da afinidade com as ciências biológicas e da vontade de trabalhar diretamente com pacientes.
Depois da graduação em Medicina pela Universidade do Estado do Amazonas, seguiu para a residência em Cirurgia Geral no Hospital Adriano Jorge. A carreira cirúrgica também envolveu um desafio pessoal: desenvolver, com treinamento e dedicação, as habilidades manuais necessárias à profissão.
Nesse período, atuou na linha de frente da pandemia de Covid-19, inclusive em atendimentos de emergência. A experiência ocorreu em um momento particularmente difícil para o Amazonas e marcou sua trajetória.
“Foi uma fase muito sombria. Atendi pacientes com complicações graves e acompanhei muitas mortes. A emergência já fazia parte de uma área de que eu gostava, mas aquele período trouxe outra dimensão sobre responsabilidade e sobre estar diante de alguém em uma situação crítica.”
Depois, veio a residência em Urologia. A especialidade chamou sua atenção pela possibilidade de reunir atendimento clínico, cirurgia e contato constante com novas tecnologias.
A escolha pela Urologia reconstrutiva
Durante a formação, Magnum percebeu uma demanda no Amazonas por profissionais dedicados às disfunções miccionais e à reconstrução do trato urinário. A distância dos grandes centros e as limitações de acesso a algumas subáreas influenciaram sua decisão de buscar aperfeiçoamento em São Paulo, no Hospital do Servidor Público Estadual (IAMSPE).
A Urologia reconstrutiva atua em alterações provocadas por traumas, infecções, estreitamentos e complicações de procedimentos anteriores. Em determinados casos, técnicas com enxertos e retalhos podem ser utilizadas para reconstruir estruturas e tentar restabelecer sua função.
Uma das condições que fazem parte de sua atuação é a estenose de uretra, caracterizada pelo estreitamento do canal por onde a urina é eliminada. O problema pode causar redução do jato urinário, esforço para urinar e sensação de esvaziamento incompleto da bexiga. Como alguns desses sintomas também aparecem em doenças da próstata, a investigação precisa considerar diferentes possibilidades.
“Quando falamos em reconstrução, não estamos preocupados apenas com a anatomia. O que realmente importa é compreender se aquela pessoa voltou a realizar atividades que haviam se tornado difíceis e se recuperou uma função que interferia diretamente em seu cotidiano.”
Incontinência urinária masculina e feminina, alterações da bexiga e outras disfunções miccionais também integram esse campo de atuação.

O que o paciente demora a contar
Vergonha, insegurança e medo de julgamento ainda acompanham questões relacionadas à urina, aos genitais e à sexualidade. Há pacientes que reorganizam viagens e compromissos de acordo com a localização dos banheiros; outros evitam falar sobre o uso de absorventes ou dificuldades sexuais até mesmo com pessoas próximas.
Essa realidade exige que a consulta ofereça espaço para temas que nem sempre aparecem espontaneamente.
“Muitas vezes, o paciente fala ao urologista sobre situações que nunca contou a ninguém. Existe medo, ansiedade e receio de julgamento. Quando ele chega ao consultório, nosso papel não é julgar por que demorou, mas acolher e entender que pode ter sido muito difícil procurar ajuda.”
Nos casos em que uma alteração urinária provoca sofrimento emocional mais intenso, o cuidado pode envolver profissionais de outras áreas. Magnum relata já ter acompanhado pacientes com repercussões psicológicas importantes diante da perda de autonomia.
“O paciente de hoje não quer apenas tratar uma doença. Ele quer caminhar, sair de casa, conviver com a família e voltar às atividades que perdeu ao longo do caminho. É por isso que qualidade de vida precisa fazer parte da decisão médica.”
Tecnologia a serviço da decisão
O interesse por inovação acompanhou Magnum desde a escolha pela Urologia. Cirurgia robótica, procedimentos a laser, neuromodulação sacral e dispositivos implantáveis estão entre os recursos que ganharam espaço na especialidade para diferentes indicações.
A cirurgia robótica auxilia o cirurgião em movimentos de precisão durante determinados procedimentos. Já a neuromodulação sacral pode ser considerada em pacientes selecionados com alterações no funcionamento da bexiga. Para explicar seu princípio de maneira acessível, Magnum costuma compará-la a um “marca-passo da bexiga”.
Dispositivos destinados à recuperação de funções urinárias e sexuais, como o esfíncter urinário artificial e as próteses penianas, também integram as possibilidades da área, de acordo com a avaliação individual de cada caso.
“A tecnologia trouxe diferentes possibilidades, mas cada procedimento é mais adequado para determinado paciente. Precisamos avaliar o caso e entender o que mais o incomoda, porque ele tem participação ativa na escolha do tratamento.”
Entre duas cidades e novos projetos
Hoje, Magnum divide sua atuação entre Manaus e São Paulo. A circulação entre as duas cidades também orienta seus planos profissionais: acompanhar a evolução da especialidade e levar parte desse conhecimento para a região onde iniciou sua trajetória.
Na vida acadêmica, realiza mestrado e pretende seguir posteriormente para o doutorado. O objetivo é manter a formação contínua enquanto concilia assistência e atualização profissional.
Ao olhar para o caminho percorrido, Magnum diz que uma das principais mudanças ocorreu na maneira de escutar as queixas que chegam ao consultório. Uma dificuldade rotineira para quem trabalha diariamente com determinada doença pode ocupar quase todos os espaços da vida de quem a enfrenta.
“Cada paciente me ensina que a Medicina não se resume ao exame ou à doença. Uma queixa que parece simples para quem atende pode interferir em toda a vida daquela pessoa. Aprendi a não subestimar o que o paciente traz e a compreender tudo o que ele precisou enfrentar até chegar ao consultório.”
CRM-AM 8564 | RQE 5038 – Cirurgia Geral | RQE 6742 – Urologia
CRM-SP 271029 | RQE 138783 – Cirurgia Geral | RQE 138784 – Urologia
Instagram:@drmagnumpereira

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