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Bruna Fabri alerta para a importância da assimetria craniana em bebês

Pediatra sinaliza que, sem tratamento precoce, o problema pode afetar o desenvolvimento motor, a visão, a mastigação e até a autoestima

Bruna Fabri alerta para a importância da assimetria craniana em bebês

As assimetrias cranianas em bebês ainda são subestimadas por boa parte da população — e, muitas vezes, também por profissionais de saúde. No entanto, essas deformidades, que podem afetar o formato do crânio, o desenvolvimento motor e até a estrutura facial, têm formas eficazes de prevenção e tratamento, especialmente quando identificadas precocemente.

Nunca foi meu sonho ser pediatra”, afirma a médica Bruna Cunha Fabri, pediatra formada pelo Hospital Municipal de Contagem (MG), referência nacional no tratamento de assimetrias cranianas em bebês. Durante a graduação, não escondia a aversão à especialidade. “Porém, no primeiro dia de estágio em pediatria, eu me apaixonei. O ambiente era mais acolhedor, mais leve. Entendi que queria cuidar de crianças todos os dias.”

Apesar de muitos colegas alertarem sobre a pediatria exigir abnegação e ser pouco valorizada, Bruna seguiu firme. E no início da residência algo começou a lhe chamar atenção de forma insistente: o formato da cabeça dos bebês.

“Eu via aquelas cabecinhas achatadas, assimétricas, e me perguntava se aquilo iria melhorar sem ajuda. Comentava com colegas, mas o assunto era ignorado. Não era pauta”, relembra. Com o tempo, as dúvidas se tornaram inquietação. Ao abrir o próprio consultório, Bruna passou a questionar os pais sobre a morfologia craniana dos filhos, mas também encontrou resistência. “As mães respondiam: ‘Ah, a minha cabeça também era torta e melhorou’. Mas eu via que não estava tudo bem”, conta.

A mudança de chave veio com o acompanhamento de uma recém-nascida diagnosticada com bactérias. Durante cinco meses, Bruna acompanhou a braquicefalia da criança por meio de fotos e percebeu que a assimetria persistia.

Esse foi o começo de uma imersão pessoal e profissional. A médica entrou em contato com clínicas no Brasil e no exterior, e acabou sendo convidada por uma empresa europeia a aprofundar seus conhecimentos sobre o uso de órteses cranianas. “Fui estudar na República Tcheca e voltei decidida a trazer para o Brasil o tratamento que aprendi lá”, relata a médica.

Foi assim que, em 2021, nasceu a Baby Helmet, a primeira clínica de Minas Gerais especializada no tratamento e prevenção de assimetrias cranianas em bebês.

Resistência do meio médico

A abertura da clínica coincidiu com a pandemia, o que impôs obstáculos significativos. Além do investimento alto em equipamentos como o scanner 3D, era necessário cumprir uma série de exigências sanitárias em um momento em que tudo estava paralisado. “Foi um período difícil. Não havia quem viesse vistoriar e os atendimentos eletivos estavam suspensos”, conta. 

Além das barreiras logísticas e do ceticismo de colegas, Bruna adotou uma abordagem didática e direta, explicando que o problema não é apenas estético. “Há alterações na mordida, no posicionamento dos olhos, das orelhas, da mandíbula e até no desenvolvimento motor. A face também é afetada”, esclarece.

Identificar cedo faz toda a diferença

As assimetrias cranianas, como a plagiocefalia, braquicefalia e escafocefalia, têm origem principalmente em vícios posturais. Como explica a médica, após a campanha que estimulou o sono em decúbito dorsal para reduzir a morte súbita, os bebês passaram a dormir por longos períodos na mesma posição, o que contribui para o achatamento craniano. “Reduzimos drasticamente os óbitos, mas aumentamos os casos de cabeças tortas. Uma coisa não anula a outra. Precisamos olhar para isso”, defende. 

Na prática, pais podem observar alguns sinais: é importante estar atento a qualquer achatamento na parte posterior da cabeça, desalinhamento entre orelhas e testa, e preferência do bebê por dormir sempre do mesmo lado. Em muitos casos, está associado ao torcicolo congênito, uma contratura no músculo do pescoço que dificulta a mobilidade e favorece o posicionamento repetitivo.

“O torcicolo congênito é o principal fator de risco para o desenvolvimento das assimetrias. Sem tratá-lo, é impossível corrigir de forma eficaz o posicionamento da cabeça”, observa.

O tratamento

Na Baby Helmet, o diagnóstico passa por uma avaliação clínica criteriosa, escaneamento 3D e ultrassonografia para excluir a possibilidade de cranioestenose. “O escaneamento nos mostra com precisão o grau da assimetria e nos ajuda a classificar como leve, moderada ou severa”, explica. O protocolo de tratamento varia conforme a idade e o tipo de alteração.

Até os quatro meses, a conduta costuma ser o reposicionamento e estimulações com apoio da fisioterapia. A partir de então, casos moderados e graves podem exigir o uso da órtese craniana. Produzida com tecnologia 3D, a órtese é leve, ventilada, feita sob medida e atua apenas nas áreas específicas que precisam ser moldadas. “Ela não aperta, não machuca. O bebê se adapta incrivelmente bem. Nunca tive um paciente que não tolerasse o uso”, afirma.

O tempo de uso varia entre três e seis meses, com utilização de 23 horas diárias. Segundo Bruna, quanto mais cedo se inicia o tratamento, melhores e mais rápidos são os resultados: “Nos primeiros meses, o crânio está em franca expansão. Depois, esse crescimento desacelera. Por isso, não faz sentido esperar”, explica.

Informar é cuidar

Ao longo dos anos, Bruna construiu não apenas um centro de referência, mas também uma rede de apoio entre pediatras, fisioterapeutas e pais. Atualmente, acompanha casos de diversas regiões do Brasil e até de fora do país, com um atendimento que integra medicina, educação e acolhimento. “Não sou nada sem as fisioterapeutas. Elas são essenciais para o sucesso do tratamento”, diz. 

Para reforçar a atuação preventiva, a pediatra também prepara um curso voltado à capacitação de pediatras, que irá abordar diagnóstico, sinais precoces, fatores de risco e critérios para encaminhamento. “Não aprendemos isso na residência. A formação é voltada à urgência, à sobrevivência. Mas precisamos enxergar a criança como um todo”, defende.

Nas redes sociais, a médica se tornou uma referência também na divulgação de informação de qualidade. No entanto, sua presença digital não foi uma escolha estratégica, mas um pedido dos próprios pacientes. “Os pais queriam compartilhar o que tinham vivido aqui. Me pediam para publicar, para explicar. Hoje vejo o quanto isso faz diferença. São eles os protagonistas da mudança”, conta.

Futuro e propósito

A Baby Helmet segue em expansão, com atendimentos em outras regiões do Brasil e parcerias internacionais. Além disso, Bruna trabalha para tornar o tratamento mais acessível. Em muitos casos, é possível viabilizar a cobertura pelos planos de saúde e também via justiça. “Esse é um direito do paciente. Não estamos falando de uma questão estética, mas funcional, que compromete o desenvolvimento global da criança”, pontua.

Com escuta ativa e linguagem acessível, a médica quebra barreiras de desinformação e promove acolhimento. “Sempre digo para as mães: não é coisa da sua cabeça. Se você está vendo algo diferente, confie no seu olhar. Procure um profissional que entenda do assunto. Quanto antes, melhor”, conclui.

Instagram: @clinicababyh

Site: https://babyhelmet.com.br

CRM-MG 64780 / RQE 40956