Um dos principais nomes da classe artística associados à luta pelo fim da escala 6×1, Bianca Bin (35) mudou o rumo da carreira em busca de mais qualidade de vida. Depois de quase uma década dedicada às novelas, emendando trabalhos, a atriz passou a recusar convites para grandes personagens na TV e tem se dedicado mais ao teatro. Em entrevista exclusiva à revista CARAS, ela falou sobre o que a levou a tomar essa decisão. “O audiovisual é uma carga estafante, é 6×1. Eu tinha 50 páginas para decorar em uma semana, é mais do que uma peça. Eu passava o domingo estudando, lendo, decupando o meu texto, porque não é só decorar, tem um trabalho que a gente faz em casa antes de ir para o set. Então, o cérebro não para e são projetos longos, que duram um ano. O corpo começou a padecer, a adoecer”, explicou.

Bianca Bin. Fotos: Marcio Farias; Beleza: Vivi Gonzo; Styling: Paulo Zelenka; Agradecimentos: Casa Niemeyer e Rio Collections

A atriz sentiu na pele o resultado disso. “Eu tive transtorno de ansiedade, pânico. E agora, nesse lugar em que já me enxergo mais estabilizada profissionalmente, mais privilegiada, posso escolher ter uma relação mais saudável com o trabalho. Meu trabalho é um complemento da minha vida e ele precisa promover qualidade de vida para mim também, porque, senão, não faz sentido. Nada justifica perder a saúde, porque nada a devolve. Estou fazendo escolhas que julgo estarem bem mais alinhadas com essa minha ideologia, mas tenho total consciência desse privilégio da escolha”, afirmou ela, que estrela, ao lado do marido, Sérgio Guizé (46), a peça Meu Deus!, que estreia no dia 24 de julho, no Teatro das Artes, em São Paulo.

Bianca Bin. Fotos: Marcio Farias; Beleza: Vivi Gonzo; Styling: Paulo Zelenka; Agradecimentos: Casa Niemeyer e Rio Collections

Fim da escala 6×1

Defensora do fim da escala 6×1, ela fica feliz ao ver esse movimento ganhar força. “Essa bandeira é a que eu mais tenho levantado. Não só para mim, mas para todos nós e em todas as profissões. A gente precisa discutir saúde mental, desenvolver um trabalho mais integrado com isso. A gente vai se tornando um pouco o trabalho, que vai tomando um espaço muito grande na vida. Tem essa coisa também de posse, de construir, enriquecer… Para quê? Tudo bem, tem uma coisa que te dá estabilidade, segurança, mas eu me questiono: se a minha vida acabar amanhã, o que eu fiz hoje? Fui feliz? Estou pensando no hoje, em viver este dia com segurança, bem-estar, leveza, com tempo de qualidade para ler um livro, assistir a uma série e não apenas ao texto do trabalho”, afirmou.

Bianca Bin. Fotos: Marcio Farias; Beleza: Vivi Gonzo; Styling: Paulo Zelenka; Agradecimentos: Casa Niemeyer e Rio Collections

Romantizar a estafa não faz parte da vida da artista, que hoje está mais conectada com a saúde física e mental. “A gente fica muito atrás de performance, de bater meta. Parece que é uma corrida incessante atrás de algo que nunca vai chegar. A felicidade está no hoje. É no hoje que eu procuro viver a vida. E agora, no teatro, estou fazendo o que sempre desejei”, disse ela, que anteriormente estava em cartaz com a peça Job.

Feliz no palco

Mas engana-se quem pensa que ela parou de trabalhar. Bianca apenas passou a fazer escolhas que conversem com seu propósito de vida. Além da peça que estreia este mês com Guizé, ela também roda o filme Tristeza em Pó e está no ar na Band com o remake da novela Dona Beja. “Estava frustrada depois de uma longa temporada no audiovisual, me questionando se ainda queria ser atriz, se isso ainda me fazia feliz. Mas acho que só estava no lugar errado. Precisei mudar de lugar para entender que nasci para isso, é o que amo fazer. O palco me devolveu a alegria de atuar”, contou.

Bianca Bin. Fotos: Marcio Farias; Beleza: Vivi Gonzo; Styling: Paulo Zelenka; Agradecimentos: Casa Niemeyer e Rio Collections

Consciente do privilégio que é poder escolher o que fazer, ela disse que se organizou financeiramente para promover essa mudança na carreira. “Tive cabeça. Se não tivesse, ia comprar mala de 40 mil reais. Não tenho julgamento, é uma escolha. Sou caseira, troco qualquer programa para ficar em casa com a família, sempre fui casada, tive relações longas. São escolhas que estão alinhadas com a minha personalidade”, avaliou.

Propósito

Muitas pessoas não entendem as escolhas de Bianca, que estava em ascensão quando resolveu colocar o pé no freio. Em uma época em que tantos buscam fama a qualquer custo, ela escolheu a paz. “É que o meu propósito nunca foi status, isso foi consequência. O meu propósito sempre foi o ofício, a paixão. Eu soube valorizar muito bem isso, mas, aos 30, pensei: ‘Que atriz eu quero ser aos 40? Porque eu só fiz TV até agora.’ Senti falta de me desafiar mais. Estava vendo, pelo ritmo de vida, a minha criatividade ser minada, o meu prazer ser minado. E realmente é essa a balança do tempo. Tudo o que eu compro pago com o meu tempo. O meu tempo é muito precioso. Ninguém pode precificá-lo. Dinheiro nenhum no mundo vai pagá-lo ou me trazê-lo de volta. Então, é um pouco sobre como eu quero passar esse tempo quando não precisar mais me preocupar em pagar boletos”, explicou.