Karla Tenório abre jogo sobre maternidade real: ‘Precisamos falar’
Karla Tenório conversou com a CARAS Brasil e abriu o coração sobre o projeto Mãe Arrependida, liberdade e envelhecimento

Karla Tenório ganhou a mídia nas últimas semanas ao abrir o coração sobre maternidade. A atriz embarca em um novo projeto e reflete sobre envelhicimento. Além disto, o projeto Mãe Arrependida viralizou quando ela desabafou e abriu o coração sobre lidar com o sentimento de reconhecer que não gosta de ser mãe. Em entrevista à CARAS Brasil, ela falou mais sobre projetos, futuro na arte e mais.
Diretora, atriz e palestrante, Tenório esteve em produções da Globo, como Agora é Que São Elas e também integrou a série da Netflix chamada O Mecanismo. Karla também integra uma nova campanha da Duloren, em que ela fala sobre liberdade de todas as formas. Abaixo, confira a conversa que tivemos com ela.
“Mãe Arrependida” abriu um diálogo sobre maternidade real. Qual foi o encontro ou relato do público que mais te atravessou e te fez perceber o tamanho desse impacto?
“O meu solo atual já está na segunda versão da peça que idealizei, produzi e atuei. Antes dele veio o movimento ‘Mãe Arrependida’ que nasceu quando uma conhecida querida se atirou do 32º andar com seu bebê de meses no colo, no começo da pandemia. A partir dali eu sabia que precisava romper o silenciamento e criar cultura de saúde mental materna, assim como desconstruir o paradigma da maternidade compulsória. Eu já recebi milhares de depoimento muito tristes e sofridos. Ser mãe na contemporaneidade é esmagador para a grande maioria das mulheres. Precisamos falar sobre estigma da depressão pós parto, sobre violências diversas, sobre a construção judaico cristã com base no perfeccionismo estilo ‘Virgem Maria’, no mito do amor incondicional, na falta de autonomia financeira e invisibilidade das mães no mercado de trabalho e falta de tecido social de rede de apoio às mães, de legalização do aborto, educação sexual nas escolas, e tantos outros braços que compreendem o meu projeto.”
Você está pesquisando etarismo e saúde mental e iniciou uma parceria com a Duloren. Como tem sido levar esse debate para o universo da lingerie — unindo corpo, moda e feminismo — sem perder a delicadeza e mantendo o choque necessário?
“É preciso romper com todos os padrões injustos de aprisionamento a que nós mulheres fomos submetidas ao longo de tantas gerações, sobretudo no pós guerra com a chegada de do liberalismo.Não te parece injusto que homens mais velhos sempre foram tido como charmosos, “o vinho mais velho é o melhor”, enquanto nós mulheres, em nossa velhice não apenas somos descartadas e trocadas por mulheres mais jovens, como somos reduzidas a meras cuidadoras dos cidadãos que a gente pare? Ao entrar na meia idade, e consequentemente na perimenopausa, somos automaticamente jubiladas da “prateleira do amor” , como citou Valeska Zanello. Temos nossa sexualidade achatada. A partir daí, começa uma luta pelo direito de continuar existindo. Neste sentido, fazer parte de uma campanha de lingerie como a Duloren, que ao longo das gerações vem falando de corpo, sexualidade, moda, conforto e liberdade, para mim tem sido um feliz encontro entre uma grande empresa e uma artista política como eu, para que juntas possamos abrir este debate à todas as mulheres que precisam de uma injeção de ânimo para que elas possam envelhecer reinando com o tempo. É hora de nós mulheres de meia idade reinarmos a medida que envelhecemos.”
Entre dirigir “Para onde vai o silêncio da queda”, atuar em “Tormentas de amor” e sua passagem por “O Mecanismo”, o que deseja provocar no espectador? Se pudesse escolher agora um grande risco artístico, qual seria?
“Eu estou apenas começando! Eu nasci rebelde, subversiva, política, sempre fui estigmatizada de ‘faca na bota’, sem conformidade social. Eu, honestamente, acho nossa sociedade e o jeito que estamos vivendo um grande delírio. Eu desejo provocar o rompimento de qualquer normose através da honestidade radical. Meu trabalho é quebrar padrões, e desconstruir paradigmas de opressão dentro das questões de gênero. O patriarcado nada mais é do que a hierarquização das relações de gênero, pela subordinação feminina, pela divisão sexual do trabalho e por normas culturais que reforçam a superioridade masculina, naturalizando desigualdades e violência de gênero. Quero falar de loucura, etarismo, morte, luto, fanatismo, e muito mais.”
Leia também: Eduardo Muniz, de Grey’s Anatomy, sobre sucesso internacional: ‘Me emociona’
Ver essa foto no Instagram