Participar de um álbum já marcante costuma ser motivo de celebração para qualquer compositor. Mas, para Lary, ver uma de suas músicas ganhar voz nas interpretações de Anitta e Alceu Valença transformou a experiência em um dos momentos mais especiais de sua trajetória profissional.

Responsável por seis composições presentes nas duas partes de Equilibrium, a artista acompanhou de perto a construção de um projeto que mergulha em temas como espiritualidade, identidade, ancestralidade e transformação. Entre todas as faixas, no entanto, “Não Me Cutuca” ocupa um espaço afetivo único por reunir duas gerações da música brasileira em uma mesma canção.

Faixa com Anitta e Alceu Valença marcou a compositora

Segundo Lary, escrever para Equilibrium já representava a concretização de um objetivo importante como compositora. No entanto, descobrir que “Não Me Cutuca” seria interpretada por Anitta ao lado de Alceu Valença tornou a conquista ainda mais significativa.

“Escrever para Equilibrium já foi, por si só, uma sensação de realizar um grande sonho como compositora, por ser um projeto tão importante e marcante na carreira da Anitta. E fazer parte de uma música interpretada por ela ao lado do Alceu Valença tornou tudo ainda mais especial. Ele é um dos maiores artistas da música brasileira e eu nunca imaginei que teria a oportunidade de escrever uma canção que ele gravaria. Foi a realização de vários sonhos ao mesmo tempo e sou muito grata por fazer parte desse momento”, afirmou.

A composição nasceu durante uma sessão no estúdio de Márcio Arantes. Desde o início, a proposta era criar uma música que tivesse personalidade própria dentro do álbum, explorando referências diferentes das demais faixas.

Inspirada pelo forró, “Não Me Cutuca” ganhou uma métrica mais acelerada e uma atmosfera que reforça a personalidade de alguém que sabe preservar seu espaço e estabelecer limites quando necessário.

“‘Não Me Cutuca’ foi criada pensando em uma atmosfera diferente. A gente trouxe elementos do forró e trabalhou uma métrica mais acelerada para traduzir essa personalidade de alguém que prefere ficar no próprio espaço, mas que também sabe estabelecer limites quando é preciso”, explicou.

Embora a participação de Alceu Valença tenha dado uma identidade ainda mais especial à música, Lary revela que todas as canções de Equilibrium foram compostas inicialmente para serem interpretadas apenas por Anitta. As colaborações especiais foram definidas somente depois que o repertório já estava consolidado.

Cada composição nasceu de um processo diferente

Ao relembrar os bastidores do álbum, Lary conta que cada faixa teve um caminho criativo particular. Em vez de seguir uma fórmula única, as músicas surgiram em ambientes distintos e partiram de inspirações diferentes, sempre acompanhando a proposta artística do projeto.

Foi o caso de “Ternura”, que já possuía uma estrutura inicial quando a compositora entrou no processo de criação. Sua contribuição aconteceu principalmente no desenvolvimento do segundo verso, complementando a narrativa da canção.

“Deus Existe” nasceu na casa de Anitta, inspirada por um instrumental de reggae enviado por Yuri Rio Branco. O momento vivido pela cantora, marcado por uma maior conexão com a espiritualidade e com a família, também influenciou diretamente a construção da música.

Na sequência, “Tudo Isso” manteve o reggae como ponto de partida, mas seguiu por uma narrativa diferente dentro do universo apresentado em Equilibrium, ampliando as possibilidades sonoras do projeto.

“Deus Mãe” exigiu mais tempo até encontrar o tom ideal

Entre todas as seis músicas assinadas por Lary, “Deus Mãe” foi a que mais passou por transformações antes de chegar à versão definitiva. Segundo a compositora, a equipe trabalhou em diferentes versões até encontrar a sensibilidade necessária para abordar temas como maternidade e espiritualidade.

Na canção, a figura materna aparece como uma representação do divino, reunindo simbolismos que dialogam diretamente com o conceito central do álbum.

Encerrando sua participação em Equilibrium, Lary também assina “OKE”, criada durante uma sessão no estúdio de Papatinho. A faixa surgiu após uma extensa pesquisa sobre elementos ligados aos povos indígenas, resultando em uma composição marcada pela força rítmica e pela valorização das raízes brasileiras.

“Cada música teve uma história muito própria. Foram processos completamente diferentes, mas todos tinham o mesmo objetivo: traduzir em música o universo que a Anitta queria apresentar em Equilibrium. Poder fazer parte dessa construção é algo que vou levar para sempre”, concluiu.

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