Quem entra no apartamento de Cláudia Liz (57) encontra muito mais do que uma decoração sofisticada. O imóvel é repleto de cores, obras de arte, objetos garimpados em viagens e elementos que carregam histórias pessoais. Para a ex-modelo, cada escolha precisa dialogar com a forma como ela vive e sente o espaço.

Logo na entrada, uma maçaneta em formato de olho chama atenção. A peça foi criada por Cláudia em parceria com o filho e reproduz um dos elementos mais marcantes de seu trabalho artístico. 

A artista contou para a CARAS Visita que o olho se tornou uma espécie de assinatura de suas pinturas e ilustrações.

Um olhar construído desde a infância

Embora tenha ficado conhecida internacionalmente pelas passarelas, Cláudia explica que sua relação com a pintura começou muito antes da carreira de modelo. 

Desde pequena, ela já desenhava e pintava. Aos oito anos, chegou a ser fotografada carregando um bloco de desenhos enquanto acompanhava a avó na roça.

A moda, posteriormente, ampliou seu repertório visual. A experiência de conhecer grandes ateliês, cidades e diferentes culturas ajudou a desenvolver o olhar estético que hoje aparece tanto em suas obras quanto na decoração de sua casa.

O símbolo do olho também ganhou uma história própria. Na adolescência, Cláudia recebeu de um namorado um livro chamado The Story of the Eye (História do Olho), de Georges Bataille

Sem conseguir ler a obra em inglês, ela criou uma interpretação romântica para a história e carregou o livro durante suas viagens até perdê-lo. A lembrança permaneceu e acabou se conectando à identidade visual que desenvolveu anos depois.

Uma casa que também é ateliê

Um dos espaços mais especiais do apartamento é justamente o ateliê. É ali que Cláudia passa boa parte dos dias, começando a pintar logo cedo, por volta das seis da manhã. O ambiente reúne cavalete, pincéis, giz de cera, tintas a óleo, acrílicas e pastéis.

Em vez de esconder os materiais, ela decidiu incorporá-los à decoração. As tintas ficam organizadas em carrinhos e os pincéis aparecem em vasos e peças de prataria. Para Cláudia, o ateliê precisa ser funcional, mas também agradável, já que faz parte da casa.

“Tem que ter a sua cara”, defende a artista ao falar sobre decoração. 

A proposta aparece em diferentes pontos do apartamento, com combinações de cores, texturas e objetos escolhidos de acordo com a maneira como ela pretende ocupar cada ambiente.

 

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Cores que contam histórias

A paleta vibrante é uma das características mais marcantes do imóvel. Cláudia gosta de experimentar combinações pouco convencionais e conta que chegou a estudar diferentes cartelas antes de definir algumas das cores da casa.

Um dos exemplos está na combinação entre azul e goiaba, utilizada em um dos ambientes. Outro tom recorrente é o terracota rosado, próximo ao vermelho alaranjado, que aparece em diferentes pontos do apartamento e conversa com os demais elementos da decoração.

A artista também aposta em peças que carregam memórias. Um espelho trazido do Marrocos ganhou espaço de destaque, assim como uma parede de tijolos que veio de Goiás, estado onde nasceu. Já a chamada “parede dos amigos” reúne trabalhos de fotógrafos, artistas e pintores próximos a ela.

Flores e encontros

A relação de Cláudia com a casa também passa pelo prazer de receber. Ela costuma montar os próprios arranjos de flores aos domingos, usando principalmente o que encontra na feira. A ideia é misturar diferentes espécies e criar composições espontâneas.

O mesmo espírito aparece na cozinha, integrada aos demais ambientes. A mesa de madeira ocupa um lugar importante na rotina e, para Cláudia, deve ser usada sem medo de manchas ou marcas. Mais do que uma peça impecável, ela prefere uma mesa que acompanhe os momentos vividos com amigos e familiares.

“Tem que deixar quem está na tua casa à vontade”, resume. Para a artista, uma casa bonita não precisa parecer intocável: deve ter movimento, encontros e sinais de que as pessoas realmente vivem ali.

No apartamento de Cláudia, decoração e arte acabam seguindo a mesma lógica: mais do que obedecer a tendências, o importante é criar um espaço que tenha identidade, memória e significado.

Confira o episódio do CARAS Visita:

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