Antes de se tornar um dos grandes nomes da moda brasileira, Cláudia Liz (57) deixou Goiás ainda adolescente para construir a própria trajetória. Descoberta enquanto andava de patins na porta de casa, ela chegou a São Paulo com apenas 200 cruzeiros no bolso.
“Eu vim com 200 cruzeiros no bolso num ônibus, sem saber o que ia acontecer com a minha vida”, relembra.
Uma oportunidade que mudou tudo
A mudança aconteceu em um momento delicado. Cláudia conta que o pai era muito rígido e a mandou embora de casa depois de descobrir que ela tinha um namorado.
“Meu pai era muito machista e daí me mandou embora de casa porque descobriu que eu tinha um namoradinho. Ele era bem… Fechado, né? Uma cabeça bem difícil”, conta.
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Sem ter como voltar para casa, ela decidiu apostar na carreira. Logo no primeiro ano, recebeu o prêmio de modelo revelação no Canecão.
“Eu agarrei aquela oportunidade e virei uma top model, um ícone da década de 90. Fiz, dei o meu melhor.”
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O outro lado da carreira
A carreira internacional levou Cláudia para países como Itália e França, mas a experiência esteve longe de ser apenas glamourosa. Sem celular ou internet, a comunicação com a família era difícil.
“Então você vivia no isolamento. Você não tinha contato. Então era muito solitário. Era bem difícil.”
A pressão sobre a aparência também afetou sua autoestima. Mesmo depois de conquistar reconhecimento, Cláudia passou muito tempo duvidando de si mesma.
“Durante muito tempo eu tive baixa autoestima […] não acreditava em mim.”
Da moda para a arte
Além das passarelas, Cláudia encarou trabalhos na televisão e no cinema. Para ela, aceitar desafios sempre fez parte da trajetória.
“Eu sempre gostei de desafio, por mais que me desse medo”, afirma.
Com o tempo, a pintura ganhou cada vez mais espaço. Ao ser questionada sobre o que faria todos os dias pelo resto da vida, a resposta veio naturalmente:
“Eu falei, pintar. Então ele falou, é isso.”
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Uma maternidade sem romantização
Mãe de Luca, Cláudia também fala com franqueza sobre os desafios da maternidade. Ela reconhece a força do amor pelo filho, mas não esconde as dificuldades da experiência.
“Foi difícil pra caramba”, admite. “Eu não romantizo. É maravilhoso você ser mãe. É uma experiência, é um amor maravilhoso que você aprende ali, um amor incondicional.”
Sem a família por perto e após a morte do pai de Luca, os dois precisaram construir a própria rotina.
“Eu não tenho minha família perto de mim, minha família é do sul, então sou eu e o Luca. É a gente que se vira.”
Hoje, depois de décadas de carreira, Cláudia vive uma fase mais voltada à arte e à realização pessoal, levando para a pintura a experiência acumulada ao longo de sua trajetória.
Assista a entrevista completa:

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