Aos 43, Pepita reflete sobre posto único no Carnaval e desabafa: ‘Me deixa um pouco triste’
Rainha de bateria, Pepita conversa com a CARAS Brasil sobre o peso de ser a única mulher trans no cargo e abre o coração sobre os desafios da maternidade

Conhecida nacionalmente como Pepita (43), a cantora, compositora e atriz Priscila Nogueira escreve mais um capítulo em sua história de pioneirismo: Única mulher trans no Carnaval de São Paulo, ela ocupou o posto de Rainha de Bateria da escola Unidos de São Lucas. Feliz com o momento, a artista reforça que há espaço para todos serem quem querem ser, mas aponta a falta de representatividade da comunidade em postos como o dela.
“Ser a pioneira, para mim, é como se fosse uma tatuagem na minha pele“, afirma, em entrevista à CARAS Brasil. “Eu preciso entregar e fazer o melhor. E o Carnaval faz você ser quem quiser, da forma que quiser. De repente, você está em uma ala com um médico, um advogado, mas também com uma dona de casa, uma mãe solo, um jovem.”
Pepita afirma que, apesar da alegria de ocupar o posto e de poder ver a pluralidade que a festa carrega, o sentimento também é agridoce. “Ser Rainha de Bateria e, nete momento, a única me deixa um pouco triste. Tem muitas meninas que sonham em comandar uma bateria e sonham em ter um reinado. Ser rainha é saber governar, entender o que a escola precisa e se entregar, dedicar a sua vida àquilo.”
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Para além da dedicação nos desfiles, ela revela ser caseira nos dias de Carnaval e, desde jovem, acompanhava os desfiles pela televisão, empolgada para comentar tudo com a mãe no dia seguinte. “Gosto de curtir em casa, com um bom churrasquinho e aquela cerveja gelada, que estala na garganta [risos]. Com pessoas que eu amo e, de repente, pegar uma laje para retocar a marquinha do biquíni.”
Carnaval estará em documentário inédito
O Carnaval de Pepita será um dos pontos abordados no docureality sobre a vida da artista. Sob direção de Chica Andrade, o projeto abordará a sua rotina como mãe de Lucca Antonio (4), seu casamento com Kayque Nogueira, e também a vivência na festa brasileira. Atualmente, ele está em negociações com plataformas de streaming. “Estou deixando a vida me levar [risos]“, acrescenta a atriz.
Pepita afirma que o documentário fará com que as pessoas a conheçam profundamente, expondo suas dores e medos. Ela diz que, com o projeto, quer furar a bolha e alcançar pessoas que não sabem o que é ser trans e travesti no Brasil, mostrando sua vulnerabilidade, sem proteções contra os preconceitos que enfrenta.
A maternidade também é um dos pontos centrais da narrativa. “Ser mãe no país que mais me mata, mas mais me consome, está sendo uma prova de resistência. Me sinto no Big Brother em alguns momentos, porque preciso fazer o melhor por aquela criança, e entender que ele é cercado de amor e respeito“, conta.
Ela assegura que, apesar dos desafios, a maternidade é o que a motiva a seguir com ânimo, força e fé. “Vejo que estou educando uma criança que vai se tornar um adolescente e um homem perfeito, filho de uma travesti. Nesse jogo, aprendo todo dia. Meu filho é educado como uma criança normal, não falamos com voz de criança, não mimamos. Escrevemos uma história de vivência. Meu filho conhece o não, e de vez em quando conhece o sim, e consegue lidar muito bem.”
Pepita mergulha no mundo do empreendedorismo
No dia 29 de janeiro, em que se celebra o Dia Nacional da Visibilidade Trans, a artista deu um passo rumo a carreira no empreendedorismo, com o lançamento do perfume em stick (sólidos). Intitulados Pepita ORA Dia e Pepita ORA Noite, as fragrâncias chegaram após ela ser impedida de entrar em um festival musical com um frasco de perfume.
“Me vi no direito e obrigação de criar o meu cheiro. É um produto que cabe na sua mão, no seu bolso“, afirma ela, que também é bastante ligada ao universo musical. “Você vai conseguir curtir e estar sempre cheirosa. É o cheiro de uma mulher de fé, firme, evoluída e com o sobrenome resistência.”
CARAS apresenta: Golden Carnival — o Copacabana Palace recebe duas noites de Posh Golden Carnival (19 e 20/02) com line-up internacional, cenografia assinada e atmosfera que resgata o glamour global de St. Tropez, Miami e Monaco em pleno Rio.
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