O diagnóstico cardíaco de Rafael Cardoso voltou a chamar atenção para uma dúvida comum: afinal, como funciona o desfibrilador interno e por que alguns pacientes precisam do dispositivo mesmo sendo jovens? O ator já revelou que passou por uma cirurgia para implantar um cardioversor-desfibrilador implantável (CDI) após ser diagnosticado com uma condição cardíaca congênita.
Para explicar o funcionamento do desfibrilador interno, o cardiologista Dr. Raphael Boesche Guimarães conversou com a CARAS Brasil e esclareceu as principais dúvidas sobre o dispositivo, que atua no monitoramento contínuo do coração e pode intervir diante de arritmias graves.
O que é o desfibrilador interno?
O desfibrilador interno, conhecido tecnicamente como cardioversor-desfibrilador implantável (CDI), é um dispositivo colocado sob a pele e conectado ao coração. Sua função é acompanhar continuamente a atividade cardíaca e identificar alterações que possam representar risco ao paciente.
“O desfibrilador interno acompanha os batimentos cardíacos 24 horas por dia. Ele é programado para reconhecer arritmias potencialmente fatais e intervir automaticamente quando necessário”, explica o médico.
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O dispositivo pode ser indicado em diferentes situações, especialmente quando há risco aumentado de arritmias graves e de eventos cardíacos potencialmente fatais. No caso de Rafael Cardoso, o ator revelou que recebeu o diagnóstico de miocardiopatia hipertrófica congênita e passou por um procedimento para a implantação do CDI.


Desfibrilador interno e marca-passo são a mesma coisa?
Apesar de muitas vezes serem confundidos, marca-passo e desfibrilador interno não têm exatamente a mesma função. O cardiologista explica que os dois dispositivos podem atuar sobre o ritmo do coração, mas são indicados para situações diferentes.
“O marca-passo é indicado quando o coração bate mais lentamente do que o normal. Já o desfibrilador interno é voltado principalmente para arritmias rápidas e graves, que podem levar à morte súbita”, afirma.
Segundo o especialista, o CDI também pode exercer uma função semelhante à do marca-passo, mas sua principal finalidade é proteger o paciente contra arritmias potencialmente fatais.
O desfibrilador interno dá choque a qualquer momento?
Uma das principais dúvidas de quem recebe a indicação do dispositivo é se o desfibrilador interno pode dar choques inesperados durante a rotina. De acordo com o cardiologista, o aparelho é programado para agir diante de situações específicas.
“O choque não acontece de forma aleatória. Ele só é aplicado quando há risco real, e muitos pacientes passam anos sem precisar receber nenhum”, ressalta.
O relato de Rafael Cardoso ajuda a ilustrar como uma alteração no ritmo cardíaco pode ser percebida pelo paciente. Em entrevistas anteriores, o ator contou que sentiu sintomas durante um episódio de arritmia e chegou a acreditar que estava passando por uma crise de pânico. Segundo relatos publicados na imprensa, ele descobriu uma condição cardíaca congênita e passou pelo implante do CDI em 2021.
Quem tem desfibrilador interno pode levar uma vida normal?
A presença do desfibrilador interno não significa, necessariamente, que o paciente precise abandonar sua rotina. A adaptação pode envolver acompanhamento médico e cuidados específicos, mas muitas pessoas conseguem manter suas atividades do dia a dia.
“A maioria dos pacientes leva uma vida praticamente normal. É possível trabalhar, viajar, manter vida social ativa e, com orientação médica, praticar atividade física”, explica.
Para pacientes jovens, a descoberta de uma condição cardíaca e a indicação de um CDI podem causar impacto emocional. O medo de uma arritmia ou de um evento inesperado pode fazer parte do processo de adaptação, mas, segundo o cardiologista, o dispositivo também pode trazer mais segurança.
“Em pacientes jovens, o CDI oferece segurança para viver. Ele reduz o medo de eventos inesperados e traz tranquilidade tanto para o paciente quanto para a família”, afirma o cardiologista.
Por que o caso de Rafael Cardoso chama atenção?
O caso de Rafael Cardoso ganhou repercussão porque o ator revelou publicamente detalhes sobre sua saúde e sobre o uso do desfibrilador interno. O artista já contou que foi diagnosticado com uma doença cardíaca congênita e que o implante do dispositivo aconteceu após a identificação de alterações que aumentavam seu risco cardíaco.
A história também ajuda a reforçar que doenças cardíacas e arritmias importantes não estão necessariamente restritas a pessoas idosas. A avaliação médica é fundamental para identificar riscos e definir o tratamento mais adequado para cada paciente.
Para o Dr. Raphael Boesche Guimarães, falar sobre o desfibrilador interno é uma maneira de ampliar a informação e reduzir o medo em torno do dispositivo.
“O desfibrilador interno não é um sinal de fragilidade. Ele é uma ferramenta de proteção e prevenção, que permite ao paciente seguir a vida com mais confiança”, finaliza o Dr. Raphael Boesche Guimarães.
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