Psicanalista alerta sobre culpa de Eduardo Sterblitch: ‘Ciclo cruel’
Em entrevista à CARAS Brasil, a psicanalista Fabiana Guntovitch analisa o sentimento de culpa em relação à depressão relatado pelo ator Eduardo Sterblitch

Na primeira segunda-feira de setembro, 1, foi ao ar um novo episódio do Papo de Segunda na GNT. Apresentado por João Vicente de Castro, Francisco Bosco, Eduardo Sterblitch e Russo Passapusso, o programa debate temas da atualidade apresentando as diferentes visões de cada artista.
O episódio do programa que abriu o mês da campanha Setembro Amarelo recebeu Evelyn Castro, descrição, para debater a medição da felicidade. O assunto rendeu um depoimento de Eduardo Sterblitch que chamou a atenção do público.
“O difícil da depressão, ou quando você não tá se sentindo bem, […] para você melhorar é muito difícil ir de um extremo para outro, porque quanto mais você está se sentindo mal, mais você se sente culpado e mais você acha que ninguém merece te ajudar, ninguém merece estar perto de você”, contou o ator. “Então, acaba que você começa a tentar resolver isso sozinho e acaba que você acaba desequilibrando várias coisas na sua vida. Mas isso te deixa culpado. Me deixa muito culpado.”
Em entrevista à CARAS Brasil, a psicanalista Fabiana Guntovitch alerta sobre o sentimento de culpa sentido pelo ator em relação à depressão e a importância de aceitar ajuda em momentos sensíveis.
“A depressão carrega um peso de autocrítica intensa, e a pessoa muitas vezes sente que não tem “direito” de sofrer. Esse sentimento pode nascer tanto de experiências prévias, em que expressar dor era visto como fraqueza ou incômodo, quanto da própria dinâmica da doença, que tende a distorcer a autoimagem”, explica a psicanalista.
Fabiana explica que o depressivo não apenas sofre, mas também se sente culpado por sofrer: “É um ciclo cruel que intensifica o quadro. Lembrando que, enquanto coletivo, existe uma pressão social, intensificada pelas mídias sociais, de compartilhar uma felicidade quase compulsória para pertencer”, esclareceu.
Segundo a especialista, o “não merecimento” é um reflexo de identificações inconscientes ligadas à desvalorização de si. O sujeito internaliza críticas, rejeições ou expectativas impossíveis, construindo uma autoimagem negativa, que pode ou não estar ligada com o discurso social que deslegitima a depressão, a colocando como um sinal de fraqueza.
“A recusa do apoio externo é uma forma de autossabotagem e, ao mesmo tempo que reforça essa autoimagem negativa, promove ainda mais isolamento”, explica Fabiana. “Por outro lado, este afastamento também é uma defesa: aceitar ajuda significa confrontar a dor, e isso pode ser insuportável em um primeiro momento”.
Ainda segundo a psicanalista, mecanismos de defesa como a introjeção (quando o sujeito traz para dentro de si as críticas externas), a formação reativa (tentativa de demonstrar força para mascarar fragilidade) e até a negação parcial da necessidade de cuidado funcionam para proteger o ego do colapso, mas acabam mantendo a dor em silêncio e dificultando o acesso ao outro.
“O trabalho analítico pode ser uma ótima alternativa para dar voz ao que está reprimido, permitindo que o sujeito nomeie suas dores e reconheça a origem da culpa”, afirma. “A libertação do ciclo não acontece de uma vez, mas começa quando o paciente percebe que pode existir um espaço em que sua dor é escutada sem julgamento e que sua existência, com toda sua vulnerabilidade, merece cuidado”.
No caso de Eduardo Sterblitch, falar sobre sua dor e ser vulnerável em público confere legitimidade à experiência de milhares de pessoas que vivem algo semelhante e mostra que a depressão não escolhe status, fama ou sucesso, mas é uma condição humana.
“Isso quebra preconceitos, aproxima e, sobretudo, encoraja a buscar ajuda. É um gesto de generosidade, pois ao expor sua vulnerabilidade, ele permite que outros reconheçam a própria e sintam-se menos sozinhos”, conclui a psicanalista Fabiana.
CONFIRA PUBLICAÇÃO RECENTE DO ATOR EDUARDO STERBLITCH NO INSTAGRAM:
Ver essa foto no Instagram
Leia também: Médico explica diagnóstico de Eduardo Sterblitch: ‘Costuma se manifestar’