‘O corpo manda sinais’: a verdade sobre o risco dos treinos pesados de Raul Gazolla

Raul Gazolla surpreende com rotina, mas especialista expõe outro lado da atividade física e explica os gatilhos que podem levar a um novo colapso; entenda

Raul Gazolla - Foto: Instagram

​Durante sua participação no programa Encontro com Patrícia Poeta, Raul Gazolla falou sobre sua rotina rígida de exercícios aos 70 anos. O ator, que já sobreviveu a seis infartos, revelou que mantém musculação diária e treinos de jiu-jitsu, afirmando:

​“Treino todo dia. A gente precisa do nosso corpo e da musculatura para envelhecer bem.”

Vitalidade x Risco

​Para muitos, o exemplo de Raul inspira: mostra que mesmo quem já enfrentou graves problemas cardíacos pode retomar a atividade física e, com equilíbrio, viver com vitalidade. Porém, o cardiologista Dr. Raphael Boesche Guimarães, em conversa com a CARAS Brasil, ressalta que nem sempre a prática física garante imunidade ao infarto:

​“A atividade física bem orientada traz inúmeros benefícios: melhora a circulação, reduz pressão arterial, ajuda no controle do peso, do colesterol e do açúcar no sangue. Mas isso não garante que o coração estará imune a um infarto.”, alerta Dr. Raphael.

O peso da genética e o perigo do excesso

​Ele reforça que fatores como herança genética, histórico de infartos, estresse, alimentação e controle de comorbidades continuam pesando, mesmo com treinos regulares.

​“Quando falamos de alguém como Raul, seis infartos no histórico, o exercício é importante, sem dúvida. Mas não basta ‘malhar e achar que está tudo bem’. O corpo manda sinais, e essas pessoas precisam de acompanhamento constante. Exercício sozinho não é um passe livre.”

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​O médico lembra que há evidências científicas de que a prática moderada e regular de atividade física reduz o risco de eventos cardíacos e melhora a saúde cardiovascular. Por outro lado, ele adverte: horas excessivas de treino, sobrecarga contínua ou não respeitar os limites pessoais podem aumentar o risco de arritmias ou sobrecarga cardíaca, principalmente em quem já teve doenças no coração.

Inspiração com vigilância constante

​Dr. Raphael reconhece o valor do empenho de Raul:

​“Ver alguém com 70 anos, seis infartos no histórico, praticando musculação e artes marciais, é inspirador. Mas cada caso é particular. O que funciona para um pode ser perigoso para outro.”

​Para ele, o ideal é unir o estímulo muscular e cardiovascular com uma rotina equilibrada: sono adequado, alimentação saudável, controle de pressão e colesterol, exames regulares e atenção aos sinais do corpo.

​“O exercício é uma ferramenta poderosa, mas o infarto não avisa, por isso, vigilância constante é essencial“, reforça.

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Dr. Raphael Boesche Guimarães (CRM: 33565) é médico cardiologista, com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Passo Fundo (2009), concluiu residência em Clínica Médica pela UFCSPA (2012) e em Cardiologia pelo Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul (2014), onde também obteve o título de mestre na área (2017) e atualmente cursa doutorado. Atua como pesquisador clínico em estudos internacionais e como médico intensivista no Instituto de Cardiologia do RS. É preceptor da residência médica em Cardiologia, além de integrar comissões científicas e ter vasta produção acadêmica publicada em periódicos nacionais e internacionais.