O ator Bruno Gagliasso vive o luto pela morte do pai, Paulo César Marques, que faleceu aos 79 anos de idade e foi velado nesta terça-feira, 29. O senhor faleceu após passar um período internado no CTI de um hospital no Rio de Janeiro. De acordo com a colunista Fábia Oliveira, do Metrópoles, ele sofreu um AVC e fez duas cirurgias cardíacas enquanto estava hospitalizado. Por enquanto, a família não revelou qual foi a causa da morte.

Para entender melhor o que é um AVC, a CARAS Brasil conversou com o neurocirurgião Dr. Orlando Maia, do Hospital Quali Ipanema, que explicou os sintomas e o tratamento da condição. “É importante dizer que AVC é uma doença súbita, que ocorre de uma hora para outra e o principal sintoma é paralisia. É a paralisia de um lado do corpo ou de um braço ou de uma perna. Mas existem outros tipos de alteração, como perda de fala ou a fala ficar de uma forma inteligível e alterações de visão de um lado só“, afirmou ele.

O que causa um AVC?

“O acidente vascular cerebral tem dois tipos. O AVC hemorrágico, que é causado ou por um rompimento de um vaso por hipertensão arterial ou por um rompimento de uma doença circulatória, que pode ser um aneurisma ou uma malformação artériovenosa. Isso ocorre em 20% dos pacientes. Os 80% são causados pelo segundo tipo de AVC, que é o acidente vascular cerebral isquêmico, que é um entupimento de um vaso. Esse entupimento pode ocorrer por uma situação que o vaso recebe um coágulo à distância promovido por uma doença cardiológica ou por uma doença circulatória dos próprios vasos que vão chegar até o cérebro. E outra situação seria uma doença do próprio vaso cerebral, que determina uma obstrução desse vaso cerebral, causando a falta circulatória, dando AVC isquêmico”, explicou o doutor.

Quando o AVC ocorre durante uma internação

O médico ainda explicou sobre ser comum um paciente sofrer um AVC enquanto está internado em um hospital. “É comum. Podem existir diversos tipos de AVC. No caso de ser durante a internação, pode ser desde AVCs causados por doenças cardíacas do tipo fibrilação atrial, que pode acontecer durante uma internação, ou até AVCs causados por hipertensão arterial ou às vezes pós-operatório de alguma outra doença, que é onde se desprende um coágulo e vai entupir uma circulação cerebral“, afirmou.

O tratamento

“Existem tratamentos diferentes para os tipos de AVCs. Para o caso dos hemorrágicos, às vezes é necessário a cirurgia para drenar o coágulo que gerou a hemorragia. Existem tratamentos tanto cirúrgicos convencionais como cirúrgicos endovasculares, que é o mais praticado no momento, que é onde ocorre o desentupimento do local que causou hemorragia através de cateterismo e a chamada embolização. Já o tratamento dos AVCs isquêmicos, eles estão relacionados uma medicação que entra na aveia e essa medicação tenta dissolver esse coágulo, porém você tem um limite de tempo do início dos sintomas. E existe também a aspiração do coágulo, que pode ser feita até 24 horas após o início dos sintomas, em casos escolhidos para isso, porque precisa determinar o caso correto para isso, aonde você entra também por um catéter e aspira esse coágulo e desentope esse vaso sanguíneo cerebral que tava obstruído“, afirmou. 

Quando a seu AVC pode levar à morte?

O neurocirurgião explicou que o caso de um AVC levar à morte pode acontecer em muitos casos. “É muito frequente a morte. No hemorrágico é mais frequente. 50% morrem do AVC hemorrágico no ato do sangramento, e, em torno de 20 a 30% vão ter sequelas graves ou mortes em decorrência dele. E o AVC isquêmico também é extremamente mortal. São doenças que, quando não matam, podem levar a sequelas funcionais“, afirmou.

Como se prevenir para não ter um AVC?

“Além de exames frequentes, se você tem uma histórico familiar, você deve controlar com exames para determinar se existe a probabilidade maior de você ter um aneurisma, malformação ou se teve um AVC isquêmico na família, ver se existe alguma obstrução nos exames. Também é importante manter hábitos de vida saudáveis, que são aqueles hábitos relacionados à longevidade, como prática de exercício físico regular, não fumar, controle da pressão arterial… Se cuidar de uma forma geral para que taxas controladas, diabetes controlado, colesterol controlado, isso tudo são maneiras que você evita um AVC“, finalizou.