Monique Alfradique congela óvulos e reacende debate sobre maternidade tardia, aponta especialista
Atriz Monique Alfradique revelou decisão e abriu espaço para discutir ansiedade, incertezas e cobranças que envolvem o congelamento de óvulos

A decisão de congelar óvulos, tema que voltou a ganhar força após Monique Alfradique comentar seu desejo pela maternidade, envolve muito mais que planejamento biológico. Para muitas mulheres, o processo está profundamente conectado à ansiedade, expectativas sobre o futuro e pressões sociais. A psicóloga perinatal Rafaela Schiavo explica como esse momento pode mexer com a saúde emocional e quais são as principais reflexões necessárias antes da escolha.
Como a decisão de congelar óvulos impacta emocionalmente a mulher
Segundo a psicóloga, é comum que mulheres deixem o projeto da maternidade para depois dos 30 anos, quando já concluíram estudos, estabilizaram carreira ou encontraram um parceiro. Ela explica que esse adiamento costuma gerar preocupações sobre fertilidade. “Durante muito tempo, gestações acima dos 35 anos foram consideradas de risco. Hoje, consideram a gestação acima dos 40 já um pouco mais delicada, pelo fato de o organismo estar mais velho, assim como os óvulos e tudo mais”, explicou a especialista.
Rafaela aponta que muitas mulheres só começam a tentar engravidar após os 35 anos e encontram dificuldades. Por isso, o congelamento pode funcionar como uma alternativa. “É prudente que mulheres que pensam em ter seus primeiros filhos após os 35 anos façam essa reflexão sobre o congelamento dos óvulos, porque, caso lá no futuro não consigam engravidar pelas vias normais, terão essa alternativa”, disse.
A profissional também lembra que nem sempre há um parceiro definido nesse momento da vida. “Esse tempo entre a vida adulta jovem e a meia-idade faz com que ela não saiba quem será esse parceiro. E temos muitos homens com problemas de infertilidade”, completou.
Estratégias psicológicas para lidar com a incerteza reprodutiva
Rafaela explica que muitas mulheres sequer sabem se desejam ser mães, o que pode gerar dúvidas prolongadas. “Algumas mulheres ficam incertas na juventude se querem ou não ter filhos. Essa incerteza traz a necessidade de guardar seus óvulos ainda na juventude”, afirmou.
Ela destaca que essa liberdade de escolha é recente e ainda enfrenta tabus sociais. “As mulheres jovens de hoje sofrem muita pressão quando escolhem não ter filhos. Então, muitas acabam congelando os óvulos para decidir depois”, disse a psicóloga.
Para quem vive essa indecisão, o acompanhamento psicológico é recomendado. “Provavelmente essa mulher precisa de um psicólogo perinatal para ajudá-la a entender o que é desejo dela e o que é desejo do outro, porque atender ao desejo do outro pode gerar problemas de saúde mental”, apontou.
O impacto do congelamento de óvulos na autoestima e no controle da própria vida
Rafaela afirma que congelar óvulos pode trazer sensação de autonomia. “A mulher que toma essa decisão ainda na juventude faz isso consciente de que a vida acontece. Não adianta viver acreditando em mágica e deixar para pensar lá na frente”, observou.
Ela ressalta que a orientação médica deveria ser mais frequente. “Seria prudente que ginecologistas orientassem as mulheres jovens, principalmente quando demonstram que querem vivenciar muitas coisas antes de engravidar ou têm dúvidas se querem ser mães”, explicou.
Segundo Rafaela, o congelamento pode ser usado ou não, e isso faz parte da liberdade da mulher. “Ela pode congelar e de repente não utilizar, porque engravidou naturalmente ou porque decidiu que não quer ser mãe. Geralmente, quem toma esse tipo de decisão é alguém mais consciente das incertezas do futuro”, concluiu.
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