Bem-estar e Saúde / Cirurgia do câncer de mama

Médica revela como é a reconstrução após cirurgia do câncer de Jessie J

A cantora Jessie J está com câncer de mama e fará uma cirurgia de reconstrução. Médica explica como é feito o procedimento em todos os detalhes

Jessie J
Jessie J - Foto: Getty Images

A cantora Jessie J surpreendeu os fãs ao contar que foi diagnosticada com câncer de mama em estágio inicial e passará por cirurgia. Ela contou que vai se afastar dos palcos por um tempo para se recuperar do procedimento, que vai incluir a colocação de próteses de silicone. A partir disso, a médica cirurgiã plástica Dr. Beatriz Lassance, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, explicou todos os detalhes de como é a cirurgia no câncer de mama e como é feita a reconstrução da região após a remoção do tumor e dos tecidos.

A doutora contou que existem as opções de cirurgia apenas para remover o tumor e também o procedimento para remover toda a mama. As duas formas devem ser avaliadas pelo médico de acordo com as características da doença em cada paciente. “Quando há a opção pela cirurgia, a reconstrução de mamas deve ser muito bem discutida e decidida em conjunto entre a equipe de mastologia, cirurgia plástica e a própria paciente. Todos os riscos, expectativas, opções de tratamento precisam estar bem explicados para o sucesso do tratamento. No caso de pacientes que precisam retirar a mama inteira, estudos mostram que a sobrevida e a qualidade de vida da paciente são melhores quando a reconstrução é imediata, ou seja, quando é feita na mesma cirurgia da retirada da mama. Porém, em alguns casos isso não é possível por estadiamento do tumor, ou condições clínicas da paciente para enfrentar cirurgia maior. A decisão é feita pela equipe médica visando o melhor à paciente”, disse ela. O tratamento contra o tumor também pode envolver radioterapia e quimioterapia. 

A cirurgia de remoção apenas do tumor

A médica explicou que a cirurgia apenas com a remoção de uma área localizada é feita quando o tumor é pequeno. “O mastologista retira a quantidade de tecidos necessária para garantir a extirpação total do tumor com segurança. Se diagnosticado precocemente, um tumor pequeno e com diagnóstico histológico favorável, é retirada somente da parte afetada da mama – o que chamamos de quadrantectomia. Nestes casos uma cirurgia de modelagem da mama, com ou sem colocação de prótese mamária, deixando simétrica com o outro lado pode ser suficiente, ou então podemos reduzir a outra mama“, afirmou. 

Cirurgia de mastectomia

O outro tipo de cirurgia é a mastectomia, que envolve a retirada de toda a mama. “Se for possível preservar pele e músculo, uma prótese é colocada sob o músculo peitoral, se não há espaço suficiente, podemos colocar um expansor, que é uma prótese que será preenchida de soro, aos poucos, no consultório do cirurgião plástico para expandir gradualmente os tecidos e permitir a colocação de prótese de silicone com consistência e formato muito próximos ao de uma mama normal em outra cirurgia posteriormente”, afirmou.

Nestes casos, os médicos também podem precisar usar pele de outras regiões do corpo para a reconstrução das mamas. “Pode ser utilizada pele da região lateral do tórax, pele e músculo grande dorsal da região das costas, ou ainda pele da região inferior do abdômen. A decisão vai depender levando em consideração a quantidade e qualidade dos tecidos da paciente associadas ao tamanho do tecido retirado pelo mastologista. As opções são várias e o cirurgião plástico sempre vai optar pelo melhor possível a oferecer ao paciente. Muito difícil se obter um resultado ideal em apenas um procedimento, normalmente são necessárias duas ou mais cirurgias”, contou. 

A diferença no corpo da mulher

A Dra. Beatriz Lassance finalizou o assunto ao falar sobre a conscientização da paciente de que seu corpo não ficará igual ao que era antes do tumor. “Nas mastectomias, a mama será substituída por prótese de silicone ou músculo ou tecido de outra parte do corpo. Nunca será como a mama anterior, composta de glândula e tecido gorduroso. Por mais que as próteses de silicone tenham evoluído e conferem aspecto o mais natural possível, sempre serão mais consistentes que a mama original. Além disso, não é possível preservar a sensibilidade da mama”, explicou ela. 

Inclusive, ela contou que uma opção é a tatuagem. “Uma grande opção para restaurar a aréola é a pigmentação ou tatuagem na mesma cor e tamanho da aréola contralateral. O mamilo pode ser reconstruído com pele do próprio local ou enxerto de outras áreas como parte do mamilo da outra mama, pele da vulva ou região da virilha. Importante lembrar que a sensibilidade não é restabelecida“, finalizou. 

 
 
 
 
 
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Priscilla Comoti é editora de conteúdo do site CARAS. Ela é formada em jornalismo e em audiovisual, já passou pelos sites Contigo!, Minha Novela, TiTiTi, Mais Novela e Portal Márcia Piovesan. Escreve sobre celebridades, notícias sobre a família real britânica, TV, reality show e novelas.