Juliette mostra a importância da terapia, e psiquiatra alerta: ‘Estetização é perigosa’
Durante sua participação no Saia Justa, no GNT, Juliette abordou o tema com leveza, mas Dr. José Fernandes Vilas explica os obstáculos culturais e sociais para o acesso à terapia

Recentemente, Juliette trouxe à tona a importância da saúde mental durante sua participação no Saia Justa, no GNT, destacando a necessidade de encarar a terapia como uma prática preventiva e acessível a todos. Para aprofundar o tema, a CARAS Brasil conversou com o psiquiatra Dr. José Fernandes Vilas, que explicou por que, mesmo com o aumento da visibilidade, a terapia ainda é encarada como um privilégio e quais são os impactos culturais e sociais desse cenário.
Por que ainda há receio de terapia
Mesmo em uma geração que fala bastante sobre saúde mental, pedir ajuda ainda gera desconforto. O médico explica que durante décadas, a sociedade doi ensinada a funcionar no modo sobrevivência: reprimir a dor, esconder o sofrimento e associar o autocontrole à força: “Essa ideia contaminou até a forma como lidamos com o cuidado emocional. Fazer terapia é, na verdade, um ato de coragem. Significa se olhar com honestidade, reconhecer vulnerabilidades e romper com padrões de autopunição. Mas admitir que precisamos de ajuda ainda fere o ego de uma sociedade que idolatra a performance e confunde ‘dar conta de tudo’ com estar bem”.
Terapia como prevenção
O especialista defende que o acompanhamento psicológico deve ser contínuo, não apenas em momentos de crise, deveria ser encarada como uma forma de higiene mental preventiva, pois esperar o colapso para procurar ajuda é o mesmo que só ir ao cardiologista depois do infarto. “O ideal é que o acompanhamento psicológico seja parte do cuidado de rotina, assim como exames laboratoriais ou consultas médicas. Ela ajuda o indivíduo a construir recursos emocionais antes que o estresse e a dor se tornem doenças. Ela fortalece o cérebro, regula o eixo emocional e cria autoconsciência — três pilares da saúde mental moderna”, reforçou o médico.
A influência de figuras públicas
Quando alguém como Juliette fala sobre saúde mental, a mensagem se torna poderosa. Ela humaniza o sofrimento e mostra que buscar ajuda é normal. Segundo o psiquiatra Dr. José Fernandes Vilas, a exposição de figuras públicas tem um poder transformador, pois humaniza o sofrimento: “Quando alguém conhecido fala sobre terapia, quebra o silêncio coletivo e dá permissão para que outros façam o mesmo. Mas existe um limite tênue entre inspirar e idealizar. O problema surge quando o discurso vira vitrine. A terapia não é um produto de consumo emocional, é um processo íntimo, não linear e, às vezes, doloroso”.
Redes sociais e a estetização do autocuidado
Com a popularização da terapia nas redes sociais, há riscos de transformar o cuidado emocional em status ou tendência. “A popularização é positiva, mas a estetização é perigosa. Quando a terapia vira um símbolo de status — ‘quem faz é evoluído’ —, a mensagem se perde. Saúde mental não é sobre estética do equilíbrio, é sobre processo. Por outro lado, mesmo que o discurso nas redes soe superficial, ele tem um mérito: abrir a conversa. Muitos chegam à terapia por influência de uma postagem, e ali descobrem que o trabalho é muito mais profundo do que um post inspiracional. O desafio é não transformar o sofrimento em conteúdo e a cura em tendência.”
Falando a verdade sobre bem-estar
Dr. José também alerta para o risco de performar saúde mental. Segundo ele, vivemos uma era de discursos sobre autocuidado, mas de práticas de exaustão “As redes criaram o paradoxo do ‘equilíbrio performático’: pessoas esgotadas, com legendas sobre plenitude. Falar é o primeiro passo, mas o verdadeiro avanço virá quando o cuidado emocional deixar de ser pauta de engajamento e passar a ser um compromisso silencioso com a própria mente, completou.
Conorme o especialista, a saúde mental começa quando o sujeito se autoriza a parar, a sentir, a buscar ajuda, mesmo sem postar sobre isso. “Terapia não é luxo. É manutenção da mente que sustenta tudo o que somos”, finalizou.
CONFIRA FALAS DE JULIETTE NO SAIA JUSTA:
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