Jessie J revela exaustão após diagnóstico de câncer e médico alerta: ‘Efeitos colaterais’
Cantora Jessie J fala sobre tratamento do câncer de mama; oncologista esclarece se cirurgia e quimioterapia podem afetar a fertilidade

No início de junho, a cantora britânica Jessie J, de 37 anos, revelou ao público a sua luta contra o câncer de mama em estágio inicial, admitindo estar exausta enquanto se recupera de uma mastectomia. Em meio à pausa na carreira, ela compartilha nas redes sociais os altos e baixos do tratamento. Para ajudar a explicar os cuidados médicos e emocionais necessários nessa fase, o oncologista Dr. Ramon Andrade de Mello fala sobre as implicações da cirurgia, os riscos da quimioterapia e o impacto na identidade corporal e na fertilidade.
Cirurgia oncológica e reconstrução
Segundo o Dr. Ramon Andrade de Mello, em pacientes jovens como Jessie J, a tendência atual da oncologia é optar pela cirurgia conservadora, muitas vezes combinada com reconstrução mamária. Ele destaca que isso não é apenas uma questão de aparência: “trazer mais qualidade de vida para os pacientes”, afirma. O oncologista ressalta que é fundamental equilibrar a cirurgia com os tratamentos complementares, como quimioterapia e radioterapia, para que a paciente não sofra tanto fisicamente — e possa ter motivação para aderir ao tratamento.
Preservação da fertilidade em tempo de câncer
A fertilidade é uma preocupação real para mulheres jovens que enfrentam tratamento oncológico. De acordo com o especialista, é essencial que a paciente faça uma consulta com medicina de reprodução para avaliar estratégias como o congelamento de óvulos. “É importante fazer o congelamento dos ovócitos, dos óvulos … principalmente para que, no futuro, se decidirem ter filhos, elas tenham essa possibilidade”, explica. Ele também alerta para o risco de atrasar excessivamente o tratamento: “atrasar até mais ou menos um mês eu acho que é algo razoável, mais que um mês já começa a ficar um pouco mais complicado”. Por isso, ele defende um trabalho integrado entre oncologista e especialista em fertilidade.
A maternidade também é um grande desafio nesse processo. Jessie relatou que a recuperação da cirurgia, enquanto cria o filho pequeno e lança músicas de forma independente não tem sido fácil.
“Me recuperar de uma cirurgia contra o câncer de mama enquanto cuido de uma criança pequena e lanço música de forma independente não é fácil. É incrível e divertido, mas também implacável e exaustivo”, disse.
Comunicação realista
Para o Dr. Ramon, é essencial que o médico ofereça uma visão honesta das possibilidades daqui pra frente. Ele afirma que é importante explicar os riscos de recorrência, a necessidade da quimioterapia e critérios usados para decidir o tratamento. “O paciente tem que ter ciência de que a doença pode ter recorrência, a necessidade da quimioterapia … quais efeitos colaterais existem …”, explica. Ele também reforça que essas conversas devem ser alinhadas com o que a paciente quer ouvir, para evitar ansiedade desnecessária, especialmente considerando as informações idealizadas muitas vezes consumidas nas redes sociais.
Em casos mais agressivos, o oncologista alerta que é necessário acompanhamento constante. Ele recomenda que o paciente em quimioterapia avançada seja avaliado aproximadamente a cada 15 dias para monitorar a resposta ao tratamento. “Esse paciente acaba por ser um paciente que a gente tem que estar sempre acompanhando, a cada 15 dias”, afirma. Para ele, o uso de exames de imagem (como tomografia ou PET scan) e mesmo de biópsia líquida pode ser útil para avaliar o progresso, mas o estado clínico do paciente também deve guiar as decisões. “Temos que ver se o paciente está tolerando bem o tratamento, se ele está disposto a sofrer aquele tipo de toxicidade … para que ele receba os tratamentos de forma mais adequada”.
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