A influenciadora Maya Massafera, de 45 anos, surpreendeu seus seguidores nas redes sociais ao revelar que passou por um procedimento estético inédito no território brasileiro. De fato, a famosa realizou uma cirurgia de redução da amplitude e largura das costas. Motivada pelo desejo pessoal de deixar suas formas corporais mais delicadas, a apresentadora celebrou o sucesso da operação em seu perfil no Instagram, onde explicou que o procedimento reduziu cerca de 4 centímetros de suas costas — sendo 2 centímetros de cada lado.

Embora o tema tenha gerado curiosidade e debates entre os fãs, a intervenção cirúrgica acende um alerta importante na comunidade médica. O ortopedista Dr. Carlos Cedano destaca que o alinhamento de expectativas é fundamental em casos como este.

“O desejo por um corpo e traços mais femininos é legítimo e as cirurgias estéticas estão em alta. Como nenhuma cirurgia é isenta de risco, sempre pesamos o risco versus o benefício antes de fazê-la. É muito importante o cirurgião esclarecer muito bem os riscos e alinhar as expectativas das pacientes com a realidade”.

Pós-operatório doloroso e limitações severas

A técnica cirúrgica utilizada no caso de Maya Massafera é conhecida como osteotomia e consiste no encurtamento ósseo da região clavicular. De acordo com informações divulgadas pela CNN Brasil, esse tipo de procedimento é bastante popular na Tailândia, mas ainda engatinha no mercado de estética médico brasileiro.

Ao analisar o impacto estrutural da operação, o Dr. Carlos Cedano traça um paralelo técnico sobre o nível de dificuldade da intervenção e faz ponderações cruciais sobre a recuperação da paciente.

“Falando especificamente da redução da cintura escapular, uma cirurgia ainda rara no Brasil, há algumas considerações a se fazer. Tecnicamente ela não é extremamente complexa, se assemelhando a uma cirurgia de fratura de clavícula em termos de dificuldade. Porém, o pós operatório pode ser doloroso e a paciente vai ter bastante limitações de força e movimento no período inicial, precisando de ajuda para realizar mesmo as atividades simples, como se vestir e tomar banho, principalmente por ser uma cirurgia que é feita dos dois lados, comprometendo a movimentação de ambos os ombros/ braços”.

O especialista acrescenta ainda que o processo para retomar as funções cotidianas normais exige muita paciência das pacientes.

“A recuperação de movimentos e liberação de esforços é gradual, com grande limitação nas primeiras seis semanas. A liberação total de movimentação e esforços sem restrições ocorre em torno de três meses, podendo ser mais”.

Risco de complicações e cicatrizes aparentes

Como a osteotomia mexe diretamente na estrutura do esqueleto, os perigos associados a longo prazo vão muito além de uma simples recuperação incômoda. O Dr. Carlos Cedano lista problemas ortopédicos sérios que podem surgir decorrentes do encurtamento da clavícula.

“Existe também o risco de complicações, como a pseudoartrose, quando o osso não consolida, podendo necessitar novas cirurgias, assimetrias e infecções. Pelo fato da clavícula estar encurtada, os ombros ficarão ligeiramente mais para frente, o que pode ser esteticamente até favorável para uma silhueta mais feminina, mas pode causar limitação funcional”.

Além disso, outro fator importante a ser considerado por quem deseja passar pela mesa de cirurgia é a questão estética das marcas na pele.

“Também é importante lembrar que ficará uma cicatriz sobre cada clavícula, que pode ser melhorada com recursos como laser vermelho (entre outros) mas nunca é garantido que não fique evidente. Em resumo, é uma cirurgia válida, mas é muito importante que a paciente seja muito bem informada de todos os aspectos e riscos da cirurgia, para poder tomar a sua decisão”.

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