Especialista comenta luto após perda de bebê de Clara Maia: ‘Doloroso’
Clara Maia perdeu Túlio após um parto prematuro; a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo comentou caso para a CARAS Brasil

Clara Maia (32) enfrenta um momento doloroso ao lado de André Coelho (38): a perda de Túlio, um dos gêmeos recém-nascidos que não resistiu após uma cesárea de emergência no domingo (21). Théo está na UTI. Em conversa com a CARAS Brasil, a especialista Rafaela Schiavo, psicóloga perinatal, comentou o luto e deu dicas de como enfrentar a situação.
Clara contou na manha desta terça (23) que os dois bebês tiveram STFF (Síndrome de Transfusão Feto-Fetal) e Túlio apresentou o quadro na forma mais aguda, não resistindo. Rafaela comenta: “Um dos momentos mais difíceis da vida de qualquer pessoa é a perda de um filho, e não importa em que momento isso aconteça. Por isso, é muito importante haver acolhimento profissional. Ter um acompanhamento psicológico durante esse processo pode ajudar bastante. O luto não é uma doença, nem um transtorno mental, mas contar com o apoio de um psicólogo, de preferência especializado em luto perinatal, pode ser de grande valia para atravessar esse momento tão doloroso.”
Schiavo completa: “Falar sobre o assunto também é fundamental. Na verdade, o que acontece é que muitas vezes as pessoas de fora é que não querem tocar no assunto. O pai e a mãe geralmente querem falar, mas às vezes nem entre eles conseguem, porque a dor é grande, e falta espaço para isso. É importante que o casal tenha esse espaço de escuta, que sejam incentivados ao diálogo, para que cada um possa expressar o que está sentindo. Uma crença comum, e equivocada, é a de que o homem precisa ser forte para ajudar a esposa nesse momento. Mas isso é um erro. O homem é pai também, ele também perdeu um filho. Não é saudável fingir que nada aconteceu, porque algo muito sério aconteceu. É um luto extremamente doloroso, que pode ser demorado. Quanto mais pudermos falar sobre isso e ter espaços seguros para essa conversa, melhor.”
Apoio
Para apoio, a psicóloga recomenda: “Dá para buscar apoio e forças, nesse momento, com os profissionais da saúde mental que trabalham com a área de luto perinatal. É possível também buscar esse apoio entre os parceiros, familiares, amigos próximos. E, se houver a possibilidade, entrar em grupos de apoio ao luto parental, ao luto materno, pode ajudar bastante. Essa partilha, essa comunicação com outras pessoas que também passaram pela mesma situação, pode ser muito importante.”
Rafaela também falou sobre o momento de luto conjunto e como os dois podem ser um apoio um ao outro: “O casal pode se ajudar nessa hora delicada conversando e abrindo espaço para que cada um possa expressar o seu luto à sua forma. Então, tem pessoas que vão querer deixar o quarto montado e só lá na frente desmontar esse quarto. Às vezes, vão querer desmontar imediatamente e guardar alguma peça de roupa, ou não. Enfim, não fingir que nada aconteceu. Ter o espaço para a tristeza, para o choro, às vezes para o desejo de ficar sozinho… isso tudo é muito importante, porque ajuda na elaboração desse luto, evitando que ele possa ir para um lado mais negativo, principalmente no caso de uma mulher no pós-parto, que é mais suscetível a uma depressão pós-parto. Se a gente tem um luto não cuidado aí, pode sim evoluir para um transtorno mental com depressão pós-parto. Para prevenir isso, ter esse espaço e esse diálogo é importante.”
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