Especialista alerta sobre confusão de Priscila Fantin: ‘Extremamente comum’

Em entrevista à CARAS Brasil, o ginecologista Dr. Igor Padovesi alerta sobre falta de conhecimento e a confusão entre sintomas experienciada entre Priscila Fantin

Médico alerta sobre confusão de sintomas de Priscila Fantin
Médico alerta sobre confusão de sintomas de Priscila Fantin - Foto: Reprodução/Instagram

Na última segunda-feira, 8, Priscila Fantin revelou que começou a passar por mudanças físicas e emocionais da menopausa em 2023. Segundo a atriz, o envelhecimento a deixou sem energia, com ganho de peso e dificuldades para manter a rotina que a levaram a crer que estaria passando por um episódio de depressão.

Aos 42 anos, Priscila recebeu a notícia de que havia entrado no climatério, fase de transição que antecede a menopausa: “Eu tinha vontade de fazer, só que meu corpo não dava conta. A gente simplesmente não sabe o que está acontecendo. É muito angustiante. E a informação traz alívio e cura”, afirmou a atriz em entrevista à Glamour.

Em entrevista à CARAS Brasil, o ginecologista Dr. Igor Padovesi alerta sobre os efeitos do climatério, as consequências da falta de informações e a confusão entre sintomas experienciada entre Priscila Fantin.

“É extremamente comum a confusão dos sintomas do climatério com sintomas depressivos, principalmente as mulheres que não conhecem nada sobre o climatério, não sabem o que esperar, começam a sentir mudanças e não entendem. E frequentemente são diagnosticadas com transtorno depressivo, quando por vezes os sintomas são só causados pela síndrome do climatério”, explica o especialista.

Segundo Igor, ainda existe um enorme desconhecimento e desatualização sobre o assunto entre os médicos, o que causa diagnósticos errados e, muitas vezes, a recomendação de mediação incorreta para tratar os sintomas sentidos pela paciente. 

“Os sintomas mais comuns são sensação de desânimo, fadiga, falta de energia física também, mas psíquica. Os pacientes ficam com “preguiça da vida”. É um termo que, curiosamente, elas falam com frequência. Tem desânimo, deixam de ter vontade de fazer as coisas que faziam”, relata o ginecologista. “Sintomas de tristeza leve, desesperança, perdem o brilho da vida também são bem comuns e fazem parte também do quadro depressivo e podem ser causados pelas duas coisas”.

O especialista, no entanto, alerta que em mulheres na faixa dos 40 para 50, 55 anos, principalmente as que nunca tiveram quadro depressivo antes, é muito mais comum que esses sintomas façam parte de um conjunto de sintomas da síndrome do climatério e não de um transtorno depressivo.

Para o médico, a principal forma de diferenciar os sintomas é perguntando sobre outros sintomas que costumam acompanhar o climatério, como alterações de sono, alterações na temperatura corporal, alterações menstruais, alterações urogenitais, alterações urinárias, mudanças da pele, ressecamento da pele, enfraquecimento das unhas ou queda de cabelos.

“Quando a mulher tem alguns outros desses e está na faixa etária característica, isso tem que ser olhado dentro de um contexto. Exames não ajudam nessa fase, e é importante destacar que eles oscilam no sangue, não é uma coisa estável porque os hormônios são dinâmicos, principalmente na transição menopausal”, explicou Igor. “O diagnóstico é clínico, assim como um quadro depressivo também não é baseado em nenhum tipo de exame laboratorial, o diagnóstico é clínico, baseado no conjunto de sintomas”.

O profissional também destaca a importância de um olhar multidisciplinar nesses casos e deve encaminhar a paciente para um especialista em saúde mental quando ele ou identificar que os sintomas são mais graves e típicos de um transtorno depressivo maior, ou na maioria das vezes em que existe dúvida realmente.  

“Principalmente se for numa situação em que a mulher tenha outros sintomas do climatério, o mais provável é que, fazendo a terapia hormonal correta, ela vá melhorar dos antidepressivos. Quando isso não acontece, é o momento de encaminhar para uma avaliação específica”, alertou.

Além do tratamento hormonal, é importante que aconteçam mudanças do estilo de vida da paciente, como a realização de atividade física, técnicas de relaxamento, meditação, mindfulness ou yoga, que podem ser muito benéficas. 

“Psicoterapia é fundamental e é importante destacar que uma coisa que é muito comum, que é o uso dos suplementos, vitaminas, não tem nenhum benefício comprovado para isso”, afirmou o ginecologista.

Ainda segundo o especialista, ainda existe muito tabu para falar sobre o climatério e o mais importante para desmistificar o assunto é normalizar, o que tem acontecido cada vez mais na mídia, como na iniciativa da atriz Priscila Fantin, que criou um podcast para falar sobre o assunto, assim como diversas outras personalidades públicas que têm debatido o tema. 

“Vale destacar que por causa do desconhecimento, existe um mercado muito grande de produtos para menopausa que, na verdade, nenhum benefício”, concluiu Igor. “É responsabilidade da mídia e responsabilidade dos profissionais, principalmente, que tenham mais presença pública para falar sobre esse assunto e trazer informações de qualidade”.

CONFIRA PUBLICAÇÃO RECENTE DA ATRIZ PRISCILA FANTIN NO INSTAGRAM:

 
 
 
 
 
Ver essa foto no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Priscila Fantin (@priscilafantin)

 

Leia também: Priscila Fantin revela batalha hormonal vivida durante o Dança dos Famosos

Dr. Igor Padovesi (CRM 134933) é médico ginecologista, autor do livro 'Menopausa Sem Medo' (Editora Gente), especialista em menopausa certificado pela North American Menopause Society (NAMS) e membro da International Menopause Society (IMS). Formado e pós-graduado pela USP, onde foi preceptor da disciplina de Ginecologia. Também é especialista em cirurgias ginecológicas minimamente invasivas e criador do Instituto de Cirurgia Íntima, sendo reconhecido internacionalmente por sua liderança nessa área. É membro sênior da European Society of Aesthetic Gynecology (ESAG) e em 2024 conquistou dois prêmios de primeiro lugar em congressos mundiais com sua técnica de ninfoplastia a laser, realizada em consultório. Também é palestrante e mentor de médicos nas áreas de menopausa e cirurgias íntimas. Instagram: @dr.igorpadovesi