A doença que afeta o sono e o dia a dia: médico comenta o caso de Ana Maria Braga
Ana Maria Braga relatou dores intensas e fraqueza antes de buscar o procedimento cirúrgico

Apresentadora do reality show Chef de Alto Nível e do Mais Você, Ana Maria Braga (76) passou por uma cirurgia na mão em dezembro de 2020, em função da Síndrome do Túnel do Carpo. Na época, a comunicadora desabafou sobre o sofrimento com os sintomas provocados pela doença.
“Faz umas duas semanas que estou num sofrimento danado. Dói muito. Quem já teve, sabe. Tive a felicidade de operar nesse final de semana agora”, contou a apresentadora, que surgiu com a mão enfaixada.
CARAS Brasil entrevista o Dr. Guilherme Henrique Porceban, médico ortopedista especializado em cirurgia de coluna, sobre os sintomas e como identificar essa enfermidade que facilmente pode ser confundida com outras doenças.
“A Síndrome do Túnel do Carpo é uma condição neurológica causada pela compressão do nervo mediano, que passa por um estreito canal no punho chamado túnel do carpo. Esse túnel é formado por ossos e ligamentos, e quando há inchaço ou pressão excessiva nessa região, o nervo é ‘apertado’, interferindo na transmissão de sinais para a mão. Os sintomas principais incluem formigamento, dormência ou uma sensação de ‘choque elétrico’ nos dedos, especialmente no polegar, indicador, médio e parte do anelar”, explica.
“Muitos pacientes relatam dor que irradia para o antebraço, fraqueza ao segurar objetos, como deixar cair uma xícara de café, e uma piora dos incômodos durante a noite, o que pode interromper o sono. É importante observar que os sintomas geralmente afetam uma mão, mas podem ocorrer nas duas, e começam de forma gradual, tornando-se mais intensos com o tempo”, alerta o médico.
COMO NÃO CONFUNDIR COM OUTRA DOENÇA?
Porceban chama atenção para a facilidade com que a Síndrome do Túnel do Carpo, diagnosticada na apresentadora Ana Maria, pode ser confundida com outras enfermidades. Nesse caso, é preciso ficar atento aos sintomas e a como eles se comportam.
“Uma dormência ocasional após horas digitando ou carregando pesos pode ser apenas um desconforto transitório, resolvido com repouso. No entanto, quando os sintomas persistem por semanas, pioram à noite ou ao acordar, e são acompanhados de fraqueza muscular, como dificuldade para abotoar uma camisa ou girar uma chave, isso sugere a STC em vez de algo passageiro”, afirma.
“Outros indícios incluem uma sensação de queimação que não melhora com mudanças de posição, ou quando os sintomas interferem nas atividades diárias, como dirigir ou cozinhar. Se a dor for bilateral ou associada a inchaço no punho, vale investigar, pois o que parece ‘normal’ pode evoluir para algo crônico se ignorado”, diz.
Não basta só identificar os sintomas, mas uma avaliação clínica detalhada é indispensável para o diagnóstico. O médico conta que exames físicos e o histórico do paciente são levados em consideração na hora da investigação da saúde.
“O teste de Tinel (batendo no punho para ver se provoca formigamento) ou o de Phalen (flexionando os punhos para reproduzir sintomas). Para confirmação, recorremos a exames como a eletroneuromiografia, que mede a velocidade de condução nervosa e detecta compressões, ou ultrassonografia do punho para visualizar inchaços. Em casos raros, ressonância magnética pode ser útil para descartar outras causas, como tumores ou fraturas. Esses exames são indolores e ajudam a diferenciar a STC de condições semelhantes, como neuropatias periféricas”, completa.