Cardi B remove procedimentos e médica aponta: ‘Tendência é querer menos do que mais’
Em conversa com a CARAS Brasil, médica revela cuidados e riscos na remoção de procedimentos, tendência que cresce entre celebridades como Cardi B e Kylie Jenner

A rapper Cardi B revelou recentemente que reduziu o tamanho de suas nádegas após remover biopolímeros, seguindo o mesmo caminho de celebridades como Blac Chyna, Chrissy Teigen e Kylie Jenner, que também decidiram reverter procedimentos estéticos feitos há anos. Mas quais os riscos?
Para entender os perigos e cuidados nesse tipo de reversão, a CARAS Brasil conversou com a cirurgiã plástica Dra. Heloise Manfrim, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), da Associação Brasileira de Cirurgia Plástica (BAPS) e da Associação Brasileira de Lipedema (ABL).
Riscos de manter biopolímeros e próteses por muito tempo
De acordo com a médica, há uma mudança de tendência nas cirurgias estéticas, com pacientes optando por resultados mais naturais e evitando exageros.
“Hoje já é uma tendência de as pessoas estarem evitando os grandes excessos, principalmente quando se fala em preenchimento, seja ele com produtos absorvíveis, não absorvíveis ou até mesmo com prótese. É uma tendência do mercado reduzir”, explica.
Apesar disso, a especialista destaca que manter uma prótese por longos períodos não é, por si só, um problema — desde que haja acompanhamento médico regular.
“Manter uma prótese por muito tempo não traz problema nenhum para os pacientes. Claro que, por ser algo que não é do próprio corpo, é importante ter sim um acompanhamento, pelo menos anual, com ultrassom, e a cada 10 anos com uma ressonância, para avaliar a viabilidade da prótese. Mas não tem problema nenhum”, esclarece.
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A Dra. Heloise alerta, no entanto, para os preenchimentos definitivos, como o PMMA, e para substâncias proibidas, como silicone industrial e hidrogel.
“Quando se fala de produtos definitivos, como o PMMA, hoje em dia já se sabe também de uma associação que pode acontecer com o uso das hipervitaminoses, que podem sim aumentar a chance de hipercalcemia e insuficiência renal aguda nos pacientes. Então, tem um cuidado especial, porque qualquer tipo de inflamação pode trazer muitos prejuízos e sequelas estéticas para os pacientes”, pontua.
Segundo ela, muitos pacientes que usaram esses produtos no passado estão agora buscando a remoção. “São produtos de difícil remoção, então tem que pensar muito bem antes de fazer. Fora isso, silicone industrial, hidrogel, são produtos que não são permitidos pela legislação atual. Só que no passado muita gente fez e hoje estão querendo retirar. Acho que é uma tendência hoje de as pessoas quererem menos do que mais”, diz.
É possível remover totalmente os biopolímeros?
Ao contrário do que muitos pensam, nem sempre a reversão é simples. A médica explica que o resultado depende do tipo de material usado.
“Quando a gente fala em implante, é possível remover tranquilamente, mas a cicatriz sempre é uma realidade. Porém, uma prótese de mama ou de glúteo já tem uma cicatriz e pode ser removida pela mesma cicatriz”, detalha.
Mas no caso dos biopolímeros, a situação é bem mais delicada.
“Quando a gente fala de biopolímeros, nós já estamos falando de produtos que são diferentes de prótese. Eles são produtos que grudam nos tecidos e que não são de fácil remoção por completo. Então, muitas vezes, as cicatrizes resultantes são bem grandes para que se possa retirar o produto ou grande parte dele”, explica.
Ela acrescenta que o silicone industrial e o hidrogel são ainda mais problemáticos.
“Quando a gente fala em silicone industrial ou hidrogel, aí o problema é muito maior, porque esses produtos podem sair do seu local original e escorregar para regiões diferentes da que foi introduzida. E aí a gente vai ter sequelas muito maiores, porque a remoção vai ser feita às custas de cicatrizes em locais diferentes”, afirma a especialista.
Quando procurar ajuda médica com urgência?
A Dra. Heloise reforça que qualquer sinal de inflamação deve acender um alerta.
“Na verdade, qualquer sinal de inflamação aguda deve levar a uma suspeita de problemas e a paciente tem que procurar um pronto-socorro ou procurar o profissional que injetou aquilo no seu corpo”, orienta.
Entre os sintomas mais graves, estão deslocamento do produto, alterações metabólicas e sinais de insuficiência renal aguda.
“Quando o produto sai de um lugar e vai para o outro, quando você começa a ter sintomas metabólicos sistêmicos que liguem o alerta, como sinais de insuficiência renal aguda, a gente precisa ligar o alerta e procurar o médico o mais rápido possível”, conclui a cirurgiã.
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