Aos 69 anos, Christiane Torloni voltou a chamar atenção nas redes sociais ao realizar um sonho que muitas pessoas deixam para trás com o passar dos anos. A atriz decidiu aprender a surfar e compartilhou sua evolução nas ondas, inspirando fãs e reacendendo um importante debate sobre envelhecimento ativo, qualidade de vida e saúde mental. A artista mostrou registros das aulas em Santos, no litoral de São Paulo, e celebrou a conquista com entusiasmo.
A iniciativa da atriz reforça uma mensagem cada vez mais defendida por especialistas: a idade não deve ser encarada como um limite para aprender algo novo. Pelo contrário. Novos desafios podem trazer benefícios significativos para o corpo, para o cérebro e para o bem-estar emocional.
Para entender melhor o impacto dessas experiências na maturidade, a CARAS Brasil conversou com a médica Roberta França, especialista em Longevidade Consciente e Saúde Mental.
Aprender algo novo após os 60 anos transforma corpo e mente
Segundo Roberta França, iniciar uma nova atividade depois dos 60 anos representa muito mais do que adquirir uma habilidade: “Começar uma nova atividade após os 60 anos representa uma verdadeira mudança de padrão de comportamento. Estamos vivenciando algo inédito em comparação às gerações anteriores: a possibilidade de recomeçar, independentemente da idade cronológica. Isso demonstra que, quando uma pessoa faz escolhas conscientes ao longo da vida, ela desenvolve capacidades que vão muito além da idade que possui.”
A especialista destaca que a prática de exercícios físicos contribui diretamente para a longevidade, autonomia e independência: “Os exercícios físicos, por exemplo, ampliam a longevidade, promovem autonomia, proporcionam alegria e abrem espaço para novas experiências e oportunidades. Do ponto de vista mental, os benefícios são igualmente significativos. A pessoa passa a ter novos propósitos, novos sonhos e uma visão ampliada das possibilidades da vida.”
Ela ainda ressalta que o conceito de envelhecimento mudou nos últimos anos: “Hoje, falamos muito sobre o fato de que a idade cronológica é apenas um número. A grande questão é o quanto você consegue funcionar bem, com qualidade de vida e independência, na idade que tem.”

Neuroplasticidade ajuda a proteger o cérebro na terceira idade
De acordo com a médica, aprender algo novo é uma das melhores formas de estimular o cérebro durante a terceira idade: “Aprender algo novo na terceira idade é algo absolutamente fantástico. Isso ocorre porque existe um fenômeno chamado neuroplasticidade, que é a capacidade do cérebro de criar novas conexões e se reorganizar ao longo da vida.”
A especialista explica que atividades inéditas desafiam o cérebro e estimulam diversas funções cognitivas: “Quando estimulamos o cérebro por meio de novos aprendizados, estamos incentivando a formação de novas conexões neurais. Toda vez que iniciamos uma atividade diferente, exigimos do cérebro diversas habilidades cognitivas, o que contribui para a prevenção de problemas cognitivos e para a manutenção da saúde mental.”
Os benefícios também aparecem no aspecto emocional e social: “Além disso, há um importante benefício emocional. Ao participar de um novo grupo ou atividade, a pessoa não vivencia apenas novos aprendizados, mas também novos encontros, novas parcerias, novas amizades e novas experiências. Essa ampliação da rede de apoio e do convívio social é fundamental para o bem-estar emocional na terceira idade.”
Quais cuidados tomar antes de começar um esporte na maturidade?
Apesar dos benefícios, Roberta França alerta que toda nova atividade deve ser iniciada com orientação profissional adequada: “Como em qualquer atividade mais desafiadora, é fundamental contar com o acompanhamento de profissionais qualificados. Eu sempre digo que a atividade física é possível para qualquer pessoa, em qualquer idade, desde que ela esteja apta e seja orientada de forma adequada.”
A médica explica que algumas condições de saúde precisam ser avaliadas previamente: “Naturalmente, com o avanço da idade, alguns riscos precisam ser avaliados com mais atenção, como o risco de quedas e fraturas. Também é importante verificar se o paciente é hipertenso, cardiopata, diabético, se possui osteoporose ou qualquer outra condição que possa influenciar a prática de determinados exercícios.”
Por isso, a avaliação inicial é considerada indispensável: “Quando há essa avaliação criteriosa e o acompanhamento adequado, não existe motivo para deixar de iniciar uma nova atividade. Muito pelo contrário: esse desafio pode trazer inúmeros benefícios cognitivos, físicos, emocionais e sociais.”
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