Bem-estar e Saúde / MATERNIDADE

A criação dos filhos como responsabilidade materna: o caso de Virgínia Fonseca e Luana Piovani

A psicóloga perinatal Rafaela Schiavo analisa como há mais cobrança sobre mães como Virgínia Fonseca e Luana Piovani, enquanto os pais recebem menos críticas

Virgínia Fonseca e Luana Piovani: A diferença na cobrança e culpa materna Foto: Reprodução Instagram

Desde cedo, Luana Piovani revelou sentir-se mãe solo mesmo estando casada, assumindo a maior parte da responsabilidade pelos filhos e pelas tarefas domésticas, enquanto seu ex-marido, Pedro Scooby, não era cobrado na mesma proporção. Hoje, Virgínia Fonseca enfrenta uma situação semelhante: divorciada e mãe, ela tem sido alvo de críticas nas redes sociais por momentos de lazer e decisões de maternidade, mostrando que a sociedade ainda deposita grande parte da responsabilidade nos ombros das mulheres. Essa discrepância evidencia como a culpa materna é socialmente construída e aplicada de maneira desigual.

Impactos psicológicos da cobrança social

A psicóloga perinatal Rafaela Schiavo explica que a pressão sobre as mães pode gerar consequências sérias para a saúde mental. “Hoje vemos mulheres em todo o período perinatal com elevadas taxas de ansiedade, estresse e depressão. Transtornos mentais no pós-parto são cada vez mais comuns, como depressão pós-parto, estresse pós-traumático e burnout parental”, afirma.

Ela ressalta que mais da metade das mulheres apresenta problemas de saúde mental devido à cobrança social. “Isso causa exaustão. Elas precisam dar conta de trabalhar, cuidar dos filhos, ser uma ‘boa mãe’, cuidar da casa, do corpo, da alimentação. É muita pressão social. Muitas vezes, elas nem questionam isso e reproduzem as expectativas, e se frustram quando não conseguem corresponder. É algo muito pesado e que leva ao adoecimento”, complementa Rafaela.

Culpa materna como construção social

Segundo Rafaela, a culpa materna não é inata, mas fruto de uma construção social. “A culpa materna não é algo próprio da mulher, não é inata. Ela é socialmente construída. Essa mulher internaliza a cobrança porque deseja corresponder a um papel de maternidade que ela mesma criou, mas esse papel foi construído socialmente. Quando não se vê desempenhando esse papel no grau de exigência que acredita ser necessário, sente culpa”, explica.

Essa construção social explica por que mulheres como Luana Piovani se sentiam responsáveis sozinhas, mesmo em um casamento, enquanto os pais, como Pedro Scooby, não enfrentam o mesmo tipo de pressão.

Estratégias para lidar com críticas

Rafaela também aponta formas de lidar com comentários e cobranças externas: “A mulher precisa se empoderar em relação ao que é dela. O que sonhou, o que planejou, o que deseja para a sua maternidade. Isso é diferente de tentar atender às expectativas do outro, seja da sociedade, das redes sociais ou de conhecidos. A psicoterapia ajuda muito. Esse processo permite entender as crenças, de onde elas vêm e como mudar a forma de pensar. Isso fortalece a mulher para diferenciar, como ‘o que o outro pensa é dele; o que importa é se meu filho está bem, se minha família está bem’. Essa é uma estratégia eficaz para lidar com críticas e comentários negativos em relação ao seu comportamento materno”, afirma.

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Rafaela Schiavo (CRP 93353) é psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline. Desde sua formação inicial, dedica-se à saúde mental materna, sendo autora de centenas de trabalhos científicos com o objetivo de reduzir as elevadas taxas de alterações emocionais maternas no Brasil. Possui graduação em Licenciatura Plena em Psicologia e graduação em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Além disso, concluiu seu mestrado em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem e doutorado em Saúde Coletiva pela mesma instituição. Realizou seu pós-doutorado na UNESP/Bauru, integrando o Programa de Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Desenvolvimento Humano, atuando principalmente nos seguintes temas: desenvolvimento pré-natal e na primeira infância; Psicologia Perinatal e da Parentalidade.