A morte de Yayoi Kusama reacendeu reflexões sobre o legado deixado pela artista japonesa, que não se limitava às obras marcadas por poás, abóboras e salas de espelhos.

Em uma entrevista concedida em 2015, Kusama falou sobre a relação entre sua arte e a defesa da paz e do amor, além de manifestar sua rejeição à guerra e ao terrorismo.

A artista morreu no último dia 14 de agosto, aos 97 anos, em um hospital de Tóquio. A notícia foi anunciada nesta quinta-feira (27) por seu estúdio.

A defesa da paz e do amor

Na entrevista, Yayoi Kusama demonstrou preocupação com o futuro da humanidade e afirmou acreditar que o mundo vivia um período de grande infelicidade. Para ela, era necessário despertar uma consciência voltada à paz e ao amor.

“Tenho expressado uma devoção infinita à paz, ao amor… e uma rejeição à guerra e ao terrorismo por meio do amor humano infinito.”

A artista também destacou que esses ideais sempre estiveram presentes em sua visão de mundo e em sua produção artística. Em meio às crises enfrentadas pela humanidade, Kusama deixou uma mensagem sobre a importância de preservar a esperança.

“O mais importante é que o mundo enfrenta muitas crises neste momento. Estamos entrando no pior período que já vivi.”

Por fim, a artista japonesa expressou o desejo de que as futuras gerações pudessem compartilhar um futuro diferente, guiado pelo amor e pela consciência coletiva.

“Em uma época como esta, ficaria muito feliz se todos pudéssemos compartilhar uma visão comum da humanidade voltada à paz no futuro e ao amor, com a mais profunda esperança.”

O legado de Yayoi Kusama

Reconhecida como um dos grandes nomes da arte contemporânea, Kusama construiu uma carreira que atravessou pinturas, esculturas, performances, instalações, literatura e poesia. Suas obras transformaram os poás, as cores vibrantes e a repetição em algumas das imagens mais reconhecidas da arte mundial.

A defesa de mensagens contra a guerra também não era algo isolado em sua trajetória. Durante os anos 1960, enquanto vivia nos Estados Unidos, Kusama realizou performances e ações de protesto que carregavam posicionamentos políticos e pacifistas.

Ao longo da vida, a artista construiu uma obra marcada por questões pessoais e universais, abordando temas como obsessão, repetição, amor e a própria existência. 

Sua morte encerra uma trajetória de décadas, mas também faz com que suas reflexões sobre o futuro e a humanidade ganhem um novo significado.

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