Uma escolha consciente de desacelerar e fincar raízes na terra marcou uma virada definitiva na trajetória da atriz Lúcia Veríssimo (68).
Longe dos papéis fixos nas produções diárias da Globo desde o encerramento do folhetim Amor à Vida, em janeiro de 2014 — tendo realizado posteriormente apenas participações pontuais em obras como Rensga Hits! e Dona Beja —, a artista encontrou no interior de Minas Gerais o cenário ideal para ressignificar seu cotidiano.
De acordo com informações do portal Metrópoles, a transição definitiva para o campo ocorreu durante o período crítico da pandemia da Covid-19, ocasião em que ela decidiu fazer da Fazenda Independência o seu lar permanente.
Localizada no município mineiro de Chiador, a aproximadamente duas horas e meia de viagem da capital do Rio de Janeiro, a propriedade funciona hoje como um autêntico refúgio particular, focado na autossuficiência e no contato direto com o ecossistema local.
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Autossuficiência no campo e rotina à moda antiga
A vida no espaço rural resgata costumes tradicionais em um modelo produtivo próprio. Em um estilo de vida que preza pelo consumo do que é cultivado no próprio solo, a artista garante em sua propriedade a colheita direta de hortaliças, frutas, milho e feijão. Essa subsistência alimentar integra uma dinâmica orgânica que reflete a busca por autonomia e simplicidade no dia a dia.
A conexão com a terra divide espaço com uma rica biodiversidade: quase metade de todo o terreno da fazenda é coberto por vegetação nativa da Mata Atlântica.
O compromisso ético da atriz com o meio ambiente também orienta a convivência com a fauna local. O espaço rejeita categoricamente qualquer atividade voltada à criação de animais para engorda.
Em vez disso, cães, gatos, aves, cavalos e bovinos leiteiros vivem soltos e integrados ao ambiente pelos diversos hectares da propriedade, que também dispõe de um apiário estruturado para a conservação e criação de abelhas.
Manejo hídrico e conservação ambiental
A gestão responsável dos recursos naturais é outro dos pilares fundamentais do refúgio mantido por Lúcia Veríssimo.
Com especial atenção à preservação das fontes de água que abastecem a região, a fazenda conta com cinco açudes construídos estrategicamente, além de um rigoroso plano de proteção às minas d’água existentes no terreno.
Para assegurar a perenidade dos recursos hídricos, é mantido um esquema contínuo de plantio e regeneração da vegetação nativa no entorno das nascentes.
A iniciativa visa garantir a segurança hídrica e proteger o solo contra processos erosivos, consolidando o caráter ecológico do empreendimento rural.
O desafio da preservação e as marcas do fogo
Apesar do cuidado dedicado à manutenção desse ecossistema, a tranquilidade do santuário ecológico foi duramente testada em junho de 2024.
A propriedade foi atingida por um incêndio de grandes proporções, que consumiu a vegetação por cerca de sete horas ininterruptas e deixou um rastro de destruição, devastando uma área preservada estimada em 300 mil metros quadrados.
As investigações e suspeitas levantadas à época do desastre apontaram que o fogo teria sido provocado por uma bituca de cigarro lançada no terreno por invasores, evidenciando a vulnerabilidade das reservas ambientais diante de ações humanas irresponsáveis.
Mesmo diante do impacto causado pelas chamas, a fazenda segue como o centro da vida da atriz, simbolizando a resistência de um projeto de vida inteiramente pautado pelo respeito à natureza e pela convivência harmônica com o meio ambiente.
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