O Brasil perdeu, há quase quatro anos, um rosto familiar da televisão e do teatro. Aos 74 anos, o artista partiu após enfrentar um longo tratamento médico, deixando os telespectadores com saudades e levantando uma questão comum sobre figuras públicas: como funciona a partilha de bens de quem morre sem deixar esposa ou filhos? Além das dúvidas sobre o patrimônio, ele deixou lições e avisos francos sobre escolhas de vida e o impacto delas na saúde.
Longe do formato tradicional da TV aberta por escolha própria, ele optou por focar em projetos mais curtos durante a reta final de sua carreira. Muitas pessoas acreditavam que o distanciamento das câmeras era resultado exclusivo de sua fragilidade física. Na verdade, ele lidava com uma condição crônica nos pulmões e fazia questão de usar sua visibilidade para alertar os fãs sobre o hábito que causou o problema, desencorajando ativamente outras pessoas a seguirem o mesmo caminho.
O dono dessa história, que completaria 78 anos, tem um lugar cativo na memória do público graças a personagens como o carismático Calixto, da trama O Cravo e a Rosa, e o otimista Audálio, de Vale Tudo. Se trata de Pedro Paulo Rangel. Nascido no Rio de Janeiro, o ator tinha um perfil reservado. No entanto, segundo registros da revista Caras, ele abriu mão da discrição em entrevistas publicadas meses antes de falecer, em 2022, para esclarecer fatos sobre sua rotina.

O destino do patrimônio
Como Pedro Paulo Rangel escolheu não casar e não teve herdeiros diretos, o futuro dos seus bens virou tema de artigos na imprensa. O portal TV Foco resgatou explicações da advogada Danielle Freitas, originalmente publicadas no site Jus Brasil, para detalhar o que manda a lei.
Quando não há cônjuge, descendentes (filhos) ou ascendentes (pais) vivos, a herança passa para os parentes colaterais. Isso significa que, na ausência de um documento de testamento direcionando o patrimônio para amigos ou instituições, os bens do ator devem ser legalmente divididos entre familiares como irmãos, sobrinhos ou primos.
O maior arrependimento
Diagnosticado há mais de duas décadas com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), Pedro Paulo Rangel sabia exatamente a origem de sua limitação respiratória. Em uma conversa com o Jornal Extra, ele revelou sua frustração com o vício e deixou um conselho duro.
“Se tem algo de que eu me arrependa profundamente é de ter começado a fumar. Se vejo um fumante, digo: ‘Não faça isso, espelhe-se no meu caso’. Aí conto umas coisas tristes para impressioná-lo. Hoje em dia, eu só sou viciado em séries, adoro!”, declarou.

Longe das novelas por opção
Mesmo com a doença, o ator não parou de atuar, mas impôs novos limites de esforço. Ele desmentiu os rumores de que estaria incapacitado em uma entrevista à colunista Patricia Kogut, do jornal O Globo. A decisão de deixar as novelas foi puramente prática e ligada ao cansaço.
“Já houve um tempo em que eu fazia teatro e novela ao mesmo tempo. Cheguei ao ponto de apresentar uma peça em Portugal e voltar correndo para gravar cenas no Rio. Agora não quero mais. Prefiro obras menores, porque novela são dez meses de batalha”, explicou na época, lembrando que não era mais um menino para aguentar o ritmo frenético.
Mobilidade adaptada
Para manter a independência nas ruas, ele precisou recorrer a alternativas de locomoção, mas mantinha a autonomia no teatro. Ao jornal O Globo, ele fez questão de reforçar que a invalidez não era sua realidade.

“Nas ruas uso uma scooter. É a maneira que tenho para sair de casa e me locomover. Não quero andar e parar a cada cem metros para respirar. Não sou um inválido que está na cama. Foi muito chato quando li isso”, pontuou o ator, garantindo que no palco conseguia andar e atuar perfeitamente.
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