O Padre Fábio de Melo compartilhou um relato pessoal sobre os impactos da depressão crônica em sua rotina. Durante participação no programa Sem Censura, da TV Brasil, nesta quinta-feira, 15, o religioso falou sobre a sensação constante de cansaço e explicou como precisou aprender a conviver com a condição. O diagnóstico foi revelado publicamente em 2018, após ele enfrentar um episódio grave da doença no ano anterior.

Na conversa, o sacerdote destacou que tarefas e situações comuns do cotidiano podem exigir um esforço maior de quem convive com a depressão. Ao descrever como se sente ao despertar, ele contou que a falta de felicidade ao acordar é uma experiência presente desde a infância.

“Desde que eu me entendo por gente, eu nunca acordei feliz”, afirmou.

Fábio de Melo também refletiu sobre a maneira como essa característica influencia sua personalidade e seu trabalho. Segundo ele, mesmo quando está em um lugar especial ou vivendo um momento positivo, a sensação não desaparece completamente. O religioso acredita, inclusive, que essa espécie de sombra pode ter relação com o lado criativo que desenvolveu ao longo da vida.

Apesar de se considerar uma pessoa animada, entusiasmada e cheia de ideias, o padre contou que seus sentimentos podem mudar de um dia para o outro. Decisões tomadas à noite, quando está empolgado com algum plano, podem perder o sentido na manhã seguinte.

“Tudo aquilo que eu decidi à noite, que eu estava superfeliz, no outro dia eu amanheço arrependido”, relatou.

Padre Fábio de Melo fala sobre tratamento para depressão

O religioso tornou pública sua luta contra a depressão crônica em 2018, quando também falou sobre a grave crise depressiva que havia enfrentado no ano anterior. Desde então, o tratamento passou a fazer parte de sua trajetória de cuidado com a saúde.

No Sem Censura, ele explicou que encontrar a medicação e a dosagem adequadas foi importante para lidar com a doença. Ao mesmo tempo, ponderou que o uso de medicamentos precisa ser compatível com a maneira como deseja viver e experimentar as próprias emoções.

Fábio contou que, em uma fase na qual tomava uma quantidade maior de remédios, percebia uma melhora aparente no humor, mas sentia falta de vivenciar determinados processos emocionais.

“Quando eu tomava muitos remédios, eu ficava ótimo para os outros. Já acordava felizinho, não tinha conflitos, mas também não tinha nenhum processo humano em ebulição que me ajudasse a ser quem eu sou. E eu não quero isso”, explicou.

Segundo o padre, a busca pelo equilíbrio no tratamento permitiu compreender melhor suas próprias reações e reconhecer como costuma se sentir pela manhã. Ele ressaltou que encontrar a combinação adequada de medicamento e dosagem foi fundamental para aprender a lidar com a depressão crônica.

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