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Após disputa milionária, rapper de 32 anos rompe com gravadora e constrói próprio império

Após uma saída polêmica de sua antiga produtora, um dos maiores nomes do rap investe pesado em estrutura própria para alavancar novos talentos

Foto: Instagram

A cena do rap nacional passou por uma mudança de rota importante. Após enfrentar problemas de bastidores e impasses financeiros com sua antiga gravadora, um dos maiores nomes da música urbana atual decidiu tomar as rédeas do próprio negócio. A aposta foi alta: construir do zero uma estrutura física e empresarial para garantir a independência de sua carreira e, de quebra, dar o suporte necessário para novos talentos da música brasileira.

O resultado desse movimento é um quartel-general focado totalmente na criação, localizado no bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte. O novo espaço conta com mais de 100 metros quadrados e passou por uma reforma completa. A estrutura agora abriga um estúdio de gravação altamente profissional, além de áreas de convivência e setores administrativos. A mudança marca uma resposta direta às dificuldades que o músico viveu no mercado, provando que é possível gerenciar uma operação milionária de forma autônoma.

Celebrando 32 anos, o rosto à frente dessa nova estrutura é Gustavo Pereira Marques, artista que o Brasil inteiro se acostumou a chamar de Djonga. O rapper mineiro inaugurou oficialmente a sede d’A Quadrilha, seu próprio selo musical. A decisão de criar essa base surgiu da necessidade de ter um local que refletisse a essência do seu coletivo, marcando de vez sua consolidação como um empresário da música.

A estruturação do espaço e o foco na arte

Para o músico, essa nova fase representa a fusão entre negócios e criatividade. Como ele mesmo destacou: “Queríamos que o espaço refletisse nossa mente, nossa arte. A Quadrilha finalmente se organizou como empresa, e agora nosso desafio é manter o ambiente artístico e criativo”. A reformulação foi comandada por Iulle Pieroni, designer do selo. Segundo dados do Portal PopLine, ela explicou que o ambiente anterior era sério demais para o grupo. “Djonga queria trazer a identidade da Quadrilha e transformar em um lugar mais divertido”, relatou.

O novo estúdio virou o coração do prédio. Com capacidade técnica para gravar desde uma voz solo até uma banda completa, o local materializa a visão do seu fundador. “O objetivo dessa reformulação é tornar o espaço cada vez mais artístico, nosso e integrado. Não foi gasto nenhum, só investimento”, declarou o rapper, deixando claro que a obra foi um passo estratégico.

Identidade visual e raízes no rap

A decoração da sede foge do padrão dos escritórios tradicionais. A sala de criação conta com um cabo de energia em formato de cobra atravessando o ambiente e fotografias do artista visual Coniiin.

O detalhe que mais chama a atenção fica dentro da sala de gravação: uma parede inteiramente forrada com páginas do livro Sobrevivendo no Inferno, do grupo Racionais MC’s. O local agora serve de base criativa para nomes da cena como Bia Nogueira, Marcelo Tofani, Iza Sabino e Laura Sette.

Djonga – Foto: Instagram

O fim da antiga parceria e a disputa por royalties

A independência total do rapper tem raízes em um conflito que movimentou a indústria. Conforme informações do portal MCT baseadas no site Rapmais, a criação do império próprio ocorreu após um rompimento conturbado com a CEIA, antiga gravadora do artista que fechou as portas em 2023. Na ocasião, o cantor usou a internet para relatar falhas de comunicação com a gestão e apontou problemas no pagamento de direitos autorais (royalties) para artistas com quem colaborou.

Para assumir o controle do próprio catálogo musical, o cantor precisou firmar um acordo de saída, afirmando que investiu muito mais na própria carreira do que a antiga empresa. Do outro lado, Nicole Balestro, uma das sócias da CEIA, defendeu a transparência do selo na época. Ela argumentou que o modelo de cobrar apenas 10% sobre os shows dos músicos foi o que tornou a operação financeira insustentável. Hoje, longe das polêmicas, o rapper mineiro dita as regras do próprio jogo.

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GABRIELA CUNHA é jornalista graduada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). Especialista em entretenimento, atua na cobertura editorial de televisão, celebridades e comportamento, com foco em notícias e análises