Carlos Alberto de Nóbrega, de 90 anos, está se recuperando após passar por uma cirurgia para implantar um marcapasso cardíaco. O apresentador de A Praça é Nossa, do SBT, foi submetido ao procedimento na tarde de terça-feira, 20, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. De acordo com informações divulgadas por sua equipe de comunicação à coluna de Fábia Oliveira, a operação foi bem-sucedida e o humorista apresenta boa evolução.
Nesta quarta-feira, 21, Carlos Alberto já estava no quarto, sob observação médica. Segundo a assessoria, ele tomou café da manhã normalmente e chegou a caminhar pelo hospital após a cirurgia. Mais tarde, estava descansando depois de acordar cedo. Ao SBT, a equipe informou que a previsão é que o apresentador receba alta na sexta-feira, 23.
O procedimento estava inicialmente programado para segunda-feira, 19, mas precisou ser adiado. Carlos Alberto está internado desde sexta-feira, 16, quando deu entrada na unidade hospitalar para investigar uma possível infecção pelo vírus Coxsackie.
Entenda por que Carlos Alberto foi internado
Antes da internação, o apresentador vinha enfrentando episódios frequentes de cansaço, fadiga e indisposição havia alguns meses. Inicialmente, os sintomas foram associados ao envelhecimento e às condições de saúde preexistentes. Diante da persistência do quadro, porém, sua esposa, Renata de Nóbrega, que também é médica, decidiu aprofundar a investigação.
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Foram realizados exames laboratoriais, sorologias e testes complementares para diferentes agentes virais. Os resultados confirmaram a presença de infecção pelo vírus Coxsackie em Carlos Alberto e em Renata.
Ao comentar a situação, a médica ressaltou que nem sempre sintomas recorrentes devem ser atribuídos à idade, principalmente quando representam uma mudança significativa na disposição e no funcionamento habitual do organismo.
“O que mais me chamou a atenção foi perceber que sintomas que atribuíamos à idade poderiam ter outra explicação. O cansaço persistente não deve ser automaticamente considerado normal, especialmente quando representa uma mudança no padrão habitual da pessoa. Como médica e esposa, achei importante investigar”, afirmou Renata.
Ela também explicou que decidiu compartilhar a experiência para incentivar a atenção aos sinais do corpo, sem causar alarme. Algumas infecções virais podem evoluir de maneira pouco perceptível, enquanto determinadas complicações precisam de diagnóstico e acompanhamento médico adequados.
Por que o marcapasso pode ser necessário?
Em entrevista à CARAS, o médico Dr. Alexsandro Fagundes, cardiologista, especialista em estimulação cardíaca e membro da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC), explicou que o marcapasso é um dispositivo utilizado no tratamento de diferentes condições cardíacas, incluindo determinadas arritmias e casos de insuficiência cardíaca.
Segundo o especialista, o envelhecimento pode provocar alterações no sistema elétrico responsável por coordenar os batimentos do coração. Quando esse mecanismo apresenta falhas, o dispositivo pode ser indicado para ajudar a manter o ritmo cardíaco adequado.
“À medida que envelhecemos, o nosso sistema de condução, que é o que mantém o coração da gente batendo e na batida certa, tende a entrar em disfunção, em falência”, explicou o cardiologista.
O marcapasso é um aparelho eletrônico implantável, colocado sob a pele, que envia estímulos elétricos ao coração quando necessário. Dessa maneira, pode auxiliar na manutenção de uma frequência cardíaca adequada, conforme a necessidade de cada paciente.
O médico também destacou que existem dispositivos com funções específicas para determinadas alterações na atividade cardíaca. Em alguns casos de insuficiência cardíaca, por exemplo, recursos de estimulação podem ajudar a sincronizar a contração do coração e melhorar seu funcionamento.
“Alguns marcapassos têm a capacidade de reorganizar a contração do coração e melhorar a qualidade dessa batida”, afirmou.
Entre as condições que podem levar à indicação do dispositivo está a bradicardia, caracterizada pela frequência cardíaca mais baixa do que o esperado. Dependendo da situação clínica, o marcapasso pode ajudar a corrigir o problema e reduzir os riscos associados a batimentos insuficientes.
A indicação depende de cada paciente
Apesar dos benefícios, o implante não é recomendado automaticamente para todas as pessoas idosas ou para qualquer alteração cardíaca. A decisão depende da causa do problema, dos exames, dos sintomas e das condições clínicas individuais.
De acordo com Dr. Alexsandro Fagundes, é fundamental identificar a natureza da alteração e verificar se existe uma condição que justifique a implantação permanente do dispositivo.
“Cada caso é um caso diferente; o momento do implante depende da natureza e da condição do paciente, e a decisão de implante parte do princípio de que a gente tem encontrado, sim, uma condição definitiva”, explicou.
O especialista também lembrou que os marcapassos fazem parte de um conjunto de recursos utilizados pela cardiologia para tratar diferentes doenças e que sua indicação deve ser individualizada, com avaliação e acompanhamento médico.
No caso de Carlos Alberto de Nóbrega, o apresentador permanece em recuperação após o procedimento, com previsão de alta hospitalar para sexta-feira, 23, conforme informado por sua equipe ao SBT.
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