Conhecido por dar nova vida às paisagens rurais e contemplativas da televisão brasileira — como nos remakes das novelas Pantanal (2022) e Renascer (2024) —, o dramaturgo Bruno Luperi (38) decidiu transpor a poesia do campo para a sua própria rotina.
Neto do lendário autor Benedito Ruy Barbosa (1931-2026), Luperi buscou na arquitetura contemporânea os elementos necessários para erguer um espaço quase terapêutico de paz e introspecção.
Localizada em Itatiba, município bem próximo à capital paulista, a residência foi projetada para ser um contraponto exato ao ritmo frenético e ao caos da maior metrópole do país.
Segundo a revista Casa Vogue, o desejo central do autor e de sua família era criar uma habitação marcada pela integração absoluta entre os ambientes internos e externos, além da valorização de materiais e técnicas artesanais que ressaltam a essência da brasilidade.
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A casa se revela como um passeio poético de descobertas visuais e sensoriais. Com abundância de luz natural e enquadrada pela paisagem rural, as janelas funcionam como verdadeiros quadros vivos que emolduram a natureza ao redor.
No projeto arquitetônico autoral, destacam-se materiais tradicionais como a taipa, que ganha força nas paredes estruturais e decorativas, a madeira, o granito e texturas primordiais.
O teto e diversos detalhes recebem o toque da biriba, que atua filtrando suavemente a entrada do sol e conferindo uma atmosfera acolhedora aos espaços.
No design de interiores, o conceito fundamenta-se no equilíbrio harmonioso entre o mobiliário moderno e a arte popular, estimulando a construção de uma memória afetiva contínua.
As peças foram escolhidas para proporcionar um uso leve e despojado no dia a dia: a mobília convida a sentar no chão, esticar os pés no sofá “Carioca” ou apreciar um bom vinho sem formalidades.
O acervo de arte varia entre achados garimpados, como uma jangada tradicional, e obras contemporâneas, ligando o passado dos proprietários ao crescimento dos filhos.

Dispostos em um único andar articulado por um amplo varandão, os cômodos mantêm o diálogo permanente com a área social. No quarto principal, a paleta de cores claras favorece o descanso e abre espaço para uma vista privilegiada da vegetação.
Para além da estética e da funcionalidade, a habitação é impregnada de um profundo significado espiritual. A maior obra de arte do imóvel é uma imponente pedra natural, preexistente no terreno, que foi integrada ao desenho da casa durante a construção.
O elemento simboliza a reconexão ancestral com a terra e é dedicado a Xangô, orixá que representa a raiz do axé da família.
Ao unir a linguagem do design contemporâneo a saberes ancestrais e à religiosidade, o refúgio de Bruno Luperi cumpre plenamente sua vocação: ser um porto seguro para desacelerar do cotidiano urbano, criar memórias em família e celebrar os laços com a natureza e com as próprias raízes.
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