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Amanda Grimaldi vê inspiração em personagem de Raul – Eu Sou: ‘Me encantou’

Em entrevista à CARAS Brasil, Amanda Grimaldi fala sobre Raul - Eu Sou e sua nova posição como referência feminina na atuação e na música

Amanda Grimaldi, Atriz, Loira, Vestida como Edith
Amanda Grimaldi vê inspiração em personagem de Raul - Eu sou - Foto: Mujica @mujica58

Em 2025, as telas de milhares de brasileiras conheceram Amanda Grimaldi. Atriz, diretora e DJ com mais de uma década de carreira, após o sucesso em seu mais recente trabalho, a minissérie Raul – Eu Sou (2025), a artista conquista uma posição como referência feminina na atuação e na música.

Nascida em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Amanda Grimaldi começou sua carreira no mundo das artes aos 15 anos após uma curiosidade pelo teatro que se transformou no desejo visceral de ser atriz. Hoje, com 35 anos, sua trajetória conta com grandes projetos como Oxigênio (2016), Chacrinha: O Velho Guerreiro (2018) e Gênesis (2021).

Em entrevista à CARAS Brasil, Amanda Grimaldi falou sobre Raul – Eu Sou, uma nova posição como referência feminina na atuação e na música e a parceria com Camilla Molica no duo Transpira.

“A arte, para mim, é mais que profissão: é um espaço de inspiração e troca. Gosto de contar histórias que permitam às pessoas se reconhecerem, traduzirem sentimentos. Acredito que a arte tem essa função transformadora e nos faz enxergar a nós mesmos e também novas possibilidades de existir”, contou a atriz.

Em março de 2025, a minissérie Raul – Eu Sou estreou no Globoplay e tornou-se sucesso imediato entre os fãs de música brasileira. O projeto, que busca homenagear a trajetória de Raul Seixas, explora influências culturais, políticas e espirituais ao lado da complexidade e genialidade do artista enquanto apresenta um lado mais pessoal de Raul ao público, como sua luta contra o vício e a busca constante por autenticidade e liberdade de expressão.

Na trama, Amanda assume o papel da americana Edith Wisner, primeira esposa do artista e mãe de sua filha, Simone. O casal se conheceu durante uma viagem da jovem ao Brasil com o pai e a irmã, quando a dupla de garotas compareceu a uma festa em que Raul estava presente.

“Construir a Edith foi fascinante porque ela é uma mulher cheia de complexidades. Ela vem de uma família muito rígida, filha de pastor protestante, criada dentro de valores conservadores, mas, ao mesmo tempo, se deixou encantar por Raul, esse espírito livre, irreverente, completamente visionário”, revelou Amanda. “Isso me encantou nela: a curiosidade, a vontade de experimentar, de se jogar no desconhecido. A Edith é ambivalente, é forte e vulnerável, e isso a torna uma personagem riquíssima que me inspirou e me transformou no processo”.

O processo para interpretar o papel foi descrito pela atriz como desafiador devido à falta de material de apoio. No entanto, são os espaços em branco na história da jovem que dão liberdade para Amanda preencher as lacunas com sua própria interpretação de como seria o corpo, voz e presença de Edith.

Apesar disso, a dificuldade valeu a pena. A recepção do público desde a chegada da série na TV aberta foi ainda mais positiva e tem refletido no elenco: “A repercussão da série tem sido muito positiva, com muitas pessoas me escrevendo e compartilhando lembranças afetivas ligadas ao Raul, e isso mostra como essa história continua viva e como Edith também merece ser lembrada”, a artista compartilhou.

Para Amanda, a mensagem que Edith deixa é a coragem de quem faz escolhas radicais em nome do amor, principalmente do amor-próprio, no sentido de honrar aquilo inegociável para si.

“Edith é uma mulher real, literalmente”, afirmou. “Quando eu entendi a profundidade da história, busquei honrar as ambivalências que o roteiro me apresentou da personagem. Busquei construir uma mulher inteira, com força, fragilidades e contradições. Quis fugir dos estereótipos de musa intocável e também da sofredora passiva”.

O trabalho, no entanto, vai além da história de Edith. Para o papel, Amanda precisou mergulhar no mundo de Raul Seixas por completo e descobrir um novo lado do artista que não tinha familiaridade: “Conhecer o Raul através das suas relações íntimas-amorosas, principalmente através da Edith, foi como romper com qualquer idealização que um dia eu poderia ter feito dele, me fez olhar para ele como um homem comum cheio de contradições e dentro da mesma engrenagem machista e patriarcal que habitamos todos”, confessou Amanda.

Além do ramo da atuação, Amanda também trabalha no meio da música com o seu duo, Transpira, formado pela atriz e sua companheira de cena, Camilla Molica. A dupla explora e desbrava a cena de DJs carioca e paulistana, que são majoritariamente compostas por homens.

“Hoje a Transpira conquistou um lugar de reconhecimento na cena bastante expressivo, mas sem dúvida, esses espaços ainda são majoritariamente masculinos. Além de serem uma presença maior quantitativamente, ela é maior também em relação ao acesso às oportunidades e ao reconhecimento”, explicou. “Mas nós estamos com tudo, focadas sempre em apresentar um bom trabalho e aos poucos crescendo e desenvolvendo a nossa marca”.

O trabalho com Molica, no entanto, se expande para além da música. A dupla de artistas também forma uma parceria diretorial conhecida como as Lastikas, onde já escreveram um curta, no qual atuaram, e uma série na qual colaboraram no roteiro. O trabalho em Raul – Eu Sou, no entanto, levou a colaboração entre as duas para outro patamar.

“Estar num trabalho juntas sem que fôssemos idealizadoras foi a primeira vez. E isso foi muito especial, porque nos colocou em outro lugar: de intérpretes dentro de uma história que não era nossa criação, foi um momento muito feliz!” relatou Amanda.

Segundo a atriz, a curadoria musical da Transpira não chegou a ser influenciada pela experiência da dupla no mundo do rock de Raul Seixas, já que sua pesquisa de sons passa por outros gêneros e batidas, mas o contato com o artista reforçou a importância da ousadia e da liberdade criativa para as duas.

O duo possui um público misturado em relação a gêneros, mas para Amanda, o retorno feminino é o mais comovente. A atriz conta que a Transpira recebe inúmeras mensagens e depoimentos de quanto sua presença tem efeito aspiracional para muitas mulheres que se sentem inspiradas a ocupar esse espaço, seja discotecando ou na pista, após assistir à dupla.

“Isso é muito bonito, porque mostra que nosso trabalho vai além da música: abre caminhos, cria identificação e amplia possibilidades para outras mulheres”, disse a artista, que vê a representação feminina como uma honra e uma responsabilidade. “O desafio é fugir dos estereótipos e mostrar que a força feminina também passa pela vulnerabilidade e pela complexidade”.

Amanda ainda compartilhou que sua vivência na música a ajudou a entender Edith de outra forma. Na Transpira, sua presença não é questionada pelo talento, mas o reconhecimento das mulheres leva um tempo maior: “Sinto que seguimos conquistando esse lugar e acho que Edith também buscou por reconhecimento, em todos os sentidos”, afirmou.

Para o futuro, a Transpira segue com a agenda cheia, enquanto no audiovisual, Amanda Grimaldi, ao lado de Camilla Molica com as Lastikas, irá estrear um filme para a Yes I Am, marca brasileira de jeans.

“Meu papel dos sonhos é sempre o próximo, literalmente”, brincou a artista para concluir. “Mas personagens complexas, humanas, que não cumprem sempre a expectativa imaginada para personagens femininas nas narrativas, me encantam mais”.

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