Ver, do latim videre, e olhar, do latim adoculare, tiveram…

...seus sentidos ampliados, como em ver com óculos, com luneta, pelo olho mágico das portas e "ver com bons olhos", "ficar de olho" e "encher os olhos" ao ver algo que nos causa muita admiração.

Conseguir: do latim consequere, conseguir, com o sentido de ir atrás, perseguir, obter. O étimo latino sequi, de sequire, seguir com os olhos, teve originalmente o sentido de perseguir o inimigo para conseguir as suas posses, sendo necessário então segui-lo até o fim para seqüestrá-lo e, depois de executá-lo, prosseguir a luta em outras frentes. Tais verbos, nascidos em campos de batalha, ligaram-se igualmente ao germânico wardon, guardar, cuidar, vigiar, que deu o nosso guarda e o italiano guardia, o espanhol guardia e o francês garde, como em ange guardien, anjo da guarda, e em avant-garde, vanguarda, e retaguarda, do italiano retroguardia, a primeira designando unidade avançada e a segunda aquela que se precavê de ataques vindos de trás. Todos esses sentidos vinculam o ato de ver à vigilância.

Olhar: do latim vulgar adoculare, olhar, verbo formado da preposição ad, para, junto de, designando aproximação, e oculare, esclarecer, dar vista, de oculus, olho, étimo presente em óculos. O sentido remoto de luneta, do francês lunette, como os óculos um instrumento auxiliar da visão, é a raiz indoeuropéia leuk, lua, claridade, que designava também a noite e o mês, contado pelas fases da Lua, que deu lux, luz, em latim. De olhar veio também o substantivo feminino plural olheiras, manchas escuras ou azuladas sob as pálpebras inferiores, motivadas por excesso de vigília ou decorrentes de doenças, de cansaço físico ou mental. Ainda vinculada ao olhar, temos as expressões “olho grande”, “olho comprido”, “olho gordo”, “olho maior que a barriga” designando a inveja e a cobiça; “olho de peixe morto”, “olho de cabra morta”, “olho de gata morta”, “olho de vaca laçada” e “olho de mormaço”, designando tristeza nos quatro primeiros casos e ares de sedução no último. Já “custar os olhos da cara” designa preço exagerado por alguma coisa. “Ficar de olho” é vigiar, precaver-se. “De encher os olhos” tem o significado de fenômeno que nos causa muita admiração. “Fechar os olhos” para alguma coisa é optar por deixar de ver, de vigiar, de prestar atenção. “Passar os olhos” é ver rapidamente. “Ver com bons olhos” é receber bem alguém ou alguma coisa. “Nunca ter visto mais gordo” é, mesmo sendo magro aquele de quem se fala, ser desconhecido de quem profere a expressão. “Olho clínico”, aplicado inicialmente ao médico que fazia diagnósticos rápidos, apenas pelo olhar acurado, tornou-se sinônimo de percepção aguda em qualquer assunto. “Olho mágico”, colocado na porta, tem uma lente que permite ver de dentro para fora da casa, sem ser notado. E o “olho mecânico” vê e fotografa ou filma, com mais precisão do que o olho humano, como, numa corrida de cavalos, o animal que chegou primeiro.

Perseguir: do latim persequire, perseguir, que, curiosamente, está até no verbo inglês to see, ver, por influência do étimo latino sequ-, andar na direção de, olhar, procurar. Tal influência não se deu em decorrência da ocupação da Inglaterra pelos romanos, que ali estabeleceram a província da Bretanha no século IV a. C., após derrotar os celtas, mas pela notável repercussão do Renascimento. O movimento intelectual que a partir do século XV propôs e efetivou o renascimento dos valores da Antiguidade grecoromana, contrapondo-os à tradição medieval, renovou as artes plásticas, a arquitetura, as letras e a organização política e econômica de sociedades européias, entre as quais a inglesa. Mas nem sempre é fácil rastrear indícios do latim no inglês, embora estejam em Winchester, por exemplo, já que cester veio do latim castrum, lugar fortificado. Assim, ver, to see, que é também sinônimo de to look, olhar, é de origem latina, mas to look está ligado ao antigo frísico lókia, ao médio-holandês loeken e ao antigo alto-alemão luogen, todos com o significado de ver, olhar. Já see procede do frísio antigo sai e terá se misturado ao antigo norueguês séa.

Ver: do latim videre, ver, olhar, perceber. Os antigos romanos formaram este verbo a partir da raiz indoeuropéia weid, cujo étimo, apontando para este significado, está presente também em outras línguas neolatinas: voir, em francês; vedere, em italiano; e ver, em espanhol. Seus sinônimos nessas línguas têm indícios de que o ato de ver está vinculado ao de olhar, cuidar-se, examinar com atenção. No francês, regarder; no espanhol, ojear, asistir; no italiano, osservare, distinguire.