TALENTO VERDE-AMARELO CONQUISTA A CROISETTE
À Deriva, de Heitor Dhalia, com Cauã Reymond e Debora Bloch, é ovacionado por cinco minutos
Uma das vinte produções escolhidas para a mostra paralela Um Certo Olhar, o filme brasileiro À Deriva coloriu de verdeamarelo o tapete vermelho da 62a edição do Festival de Cannes, na França. Dirigido pelo pernambucano Heitor Dhalia (38), em seu terceiro longa no cinema, o filme traz no elenco Cauã Reymond (29), Debora Bloch (45) e Laura Neiva (16), além do ator francês Vincent Cassel (42). “Vir aqui é uma experiência única, muito bacana. Estou muito feliz e o festival marca uma nova etapa na minha carreira. É algo meio surreal“, explicou Dhalia, ao lado da namorada, Vera Egito (25), sua parceira na realização do roteiro e que exibiu dois curtas no evento, Elo e Espalhadas pelo Ar.
Após a exibição de gala do filme, na sala Debussy, Cauã confessou seu nervosismo. “Não sabia que seria o primeiro a ser chamado para a apresentação. Mas o profissionalismo deles torna tudo mais fácil. No Brasil você precisa improvisar mais. Tive sorte porque recebi a boa energia e a recepção maravilhosa do público“, desmanchou-se ele, que teve a companhia da namorada, Grazi Massafera (26), em sua caminhada pelo Palais des Festivals. Com longo de Samuel Cirnansck (33) decotado nas costas, a atriz atraiu a atenção dos flashes com sua simpatia habitual. Já Debora Bloch brilhou com um longo preto com inspirações gregas da grife Lanvin. “Esta é a minha estreia em Cannes. Fiquei emocionada porque foi também a primeira vez que vi o filme em tela grande, junto com o público“, disse ela, que falou com a plateia em francês, língua de seu ex-marido, o chef Olivier Anquier (49). “Espero de coração que vocês sejam tocados pelo filme do mesmo modo que fui tocada durante o processo de realização“, ressaltou Debora.
Assim como a atriz, o público do Festival também se comoveu com o que viu no cinema: a história da dissolução de uma família de classe média alta sob a ótica de Felipa, uma menina de 14 anos. “Parece um roteiro leve, mas é profundo.
Fala de família, que é o grande tema universal e um tópico delicado para todo mundo“, explicou o diretor. A plateia compreendeu o recado. Durante cinco minutos, aplausos calorosos movimentaram a sala. “Foram ondas de palmas quando o filme acabou, quando subiram os créditos e também para a equipe. Todo o elenco está feliz. Laura ficou muito emocionada, Vincent é uma estrela na França e está totalmente dedicado à divulgação do filme. É um parceiro muito generoso“, elogiou Dhalia. “Senti, principalmente, uma sensação de alívio. É muito trabalho, muita pressão“, desabafou o diretor, ao lado do galã francês. Nascido em Paris e casado com a diva italiana Monica Bellucci (44), Vincent adotou a língua portuguesa durante sua passagem pelo tapete vermelho. “Sou Vincent Cassel, um ator franco-brasileiro“, disse ele, que fala português no filme. Depois, teceu elogios ao Brasil. “Falamos do renascimento do cinema brasileiro. Algo está acontecendo lá“, avisou. “Quero deixar a França de vez. O Brasil é melhor. Quero filmar mais com os diretores brasileiros, algo que nunca imaginara fazer“, disse Vincent, ao lado das atrizes Nathalia Zemel (18) e Josefina Schiller , também do elenco. A Croisette ainda ganhou a presença do escritor Paulo Coelho (61), cujo último romance, O Vencedor Está Só, é ambientado em Cannes. “Adoro esse festival, que une a arte ao sonho“, disse Paulo, que prestigiou a pré-estreia de Antichrist, de Lars Von Trier (53).