Repetir veio do latim repetere, originalmente…
...atacar de novo o inimigo, enquanto a expressão toma-lá-dá-cá procede de tomar, do saxão tomian, e dar, do latim dare, acrescidos de dois advérbios vindos também do latim, lá, ad illac, e cá, eccum hac.
Abertura: do latim tardio apertura, abertura, começo. O étimo de abrir, do latim aperire, está presente em Abril: o mês tem este nome porque no Hemisfério Norte, nesta época, a natureza começa a verdejar e florescer. A abertura é momento decisivo em produções artísticas, sejam filmes, músicas e peças de teatro, sejam contos, poemas e romances. Dante Alighieri (1265-1321) abre deste modo A Comédia, conhecida por todos como A Divina Comédia, depois que assim a qualificou o escritor e professor italiano Giovanni Boccaccio (1313-1375): “Nel mezzo del cammin di nostra vita/ Mi ritrovai per uma selva oscura/ Chè la diritta via era smarrita”. (No meio do caminho de nossa vida/ Me encontrei numa selva escura/ Que a verdadeira estrada estava perdida). O escritor austríaco Stefan Zweig (1881-1942), um dos mais lidos de sua geração, caprichou no começo de Amok: “No mês de março de 1912, durante o descarregamento de um transatlântico no porto de Nápoles, ocorreu um estranho acidente, noticiado por jornais de maneira extensa, porém fantasiosa”.
Bigorrilho: talvez de bigode, da expressão germânica bi God, por Deus, juramento empregado para designar pessoa com bigode e depois apenas a barba acima do lábio superior. Com a variante bigorrilha, bigorrilho designa indivíduo de pouca importância ou mal trajado. No Rio de Janeiro, é o retângulo sobre o táxi, indicando que o carro é de aluguel. O apelido Bigorro, depreciativo, talvez seja a origem de bigorrilha e bigorrilho.
Frigorífico: do latim frigorificus, pela formação frigor, de frigoris, caso genitivo de frigus, frio, e ficus, do mesmo étimo de facere, fazer, designando lugar onde faz muito frio. Santo Agostinho (354-430) usou frio em duplo sentido, físico e moral, para designar situação de pavor. Adélia Prado (73) alude subliminarmente aos necrotérios ao tratar dos frigoríferos, sinônimo de frigorífico, nestes versos: “Frigoríferos são horríveis/ Mas devo poetizá-los/ Para que nada escape à redenção/ Frigorífico do Jibóia/ Carne fresca/ Preço jóia”.
Magano: de origem controversa, provavelmente do quicongo ngandu, polígamo. Cada uma das mulheres é chamada nganda, de onde veio magana para o português, designando a prostituta, como se lê em Buriti, conto de João Guimarães Rosa (1908-1967) compilado em Noites do Sertão: “Maria da Glória se entusiasmava, magana, dada num descontraste”. Magano tem o sentido de velhaco, mas também o de esperto, solerte, e a variante maganão tem estes significados e mais o de jovial, como se lê em Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida (1831-1861): “O Leonardo, fazendo-se-lhe justiça, não era, nesse tempo de sua mocidade, mal apessoado, e sobretudo era maganão”. Magano aparece neste texto do jornalista Elio Gaspari, comentando relações comerciais entre empresários brasileiros e o governo do Iraque, ao tempo de Saddam Hussein (1937-2006): “Não lhe perguntaram nem sequer pelas negociatas do ditador com empreiteiras e larápios brasileiros. Também não lhe perguntaram como um magano da indústria paulista ofereceu-lhe um caminho mais rápido para chegar à bomba atômica. (O próprio Saddam reclamou dessa impertinência.)”.
Repetir: do latim repetere, repetir, fazer de novo, pelo prefixo re, indicando mais de uma vez, e petere, avançar, já que o sentido original era voltar a atacar o inimigo, migrando depois dos campos de batalha para outras tarefas, não apenas guerreiras, chegando às atividades civis, quotidianas, como o ato de repetir um prato, uma roupa ou, o que é grave, repetir o ano na escola por insuficiência na aprendizagem. Boa síntese de que no mundo tudo se repete está no Eclesiastes: “Nada de novo acontece sob o Sol”.
Toma-lá-dá-cá: de tomar, de tomian, palavra da língua dos saxões, designando o ato de tirar algo do inimigo; lá, do latim ad illac, longe, indicando afastamento; dá, de dar, do latim dare; e cá, eccu hac, aqui, perto, neste lugar. Existe um programa de televisão intitulado Toma Lá Dá Cá, dirigido por Cininha de Paula (55), com textos de Maria Carmem Barbosa e Miguel Falabella (51). Todos os episódios fazem rolar de rir, não apenas pelo desempenho de atores e atrizes como Adriana Esteves (39), Miguel Falabella, George Sauma e Fernanda Souza (24), mas também pelas tramas e pelos diálogos, sempre bem-humorados.