ARTE DE ZEKA MAROUEZ: UM CRIADOR DE SONHOS
Na Ilha de CARAS, após seu baile no Copa, conta segredos das festas para a nobreza europeia
No mundo do artista plástico Zeka Marquez (50), sonhos se transformam em realidade. Conhecido decorador de bailes, ele cria cenários de fantasia e deslumbre em disputadas festas por todo o mundo. A invejável lista de clientes vai desde o tradicional baile de carnaval do Copacabana Palace a eventos da família Real de Mônaco e de membros da dinastia inglesa dos Rothschild. “Meu sonho é continuar sonhando. Dizem que os bailes são coisas frívolas, mas uma noite dessas pode mudar a vida de uma pessoa. É nestes encontros que os negócios são fechados e os amores descobertos”, disse Zeka, que mora em Paris desde os 17 anos, de férias na Ilha de CARAS.
Além dos contratos profissionais nos quatro cantos do mundo, Zeka acumulou também, ao longo de sua vida na capital francesa, amigos de diferentes estirpes. O pintor catalão Salvador Dalí (1904-1989), o bailarino russo Rudolf Nureyev (1938-1993), a ex-primeira-dama dos Estados Unidos Jacqueline Kennedy Onassis (1929-1994) e o ex-presidente do México Miguel Alemán Valdés (1900-1983) fizeram parte do seu dia-a-dia. “Eu sempre gostei dos mais velhos e era uma época de luxo e glamour. O mundo não era tão comercial. Hoje, realmente, prevalece a máxima de Andy Warhol, dos 15 minutos de fama. Acho que a crise mundial não é material, mas intelectual. É no coração de cada um”, filososou.
– Não existem mais pessoas culturalmente tão ricas e interessantes como nos anos 70?
– Claro que existem. O que acabou foi aquele período de doçura, onde nem tudo era marketing. Mas a velha guarda de hoje será a avant-garde de amanhã. E a vantagem dos tempos atuais é que antes existia elitismo. Agora todos podem se exprimir.
– Você sempre conviveu com famosos. Como é esta relação?
– Nunca tive medo da fama. Até porque acho que isso não existe. Todos somos apenas pessoas. Por isso, conhecido ou não, sempre lidei de igual para igual.
– O que importa em um baile?
– É fundamental deixar as pessoas bonitas. O meu trabalho é, na verdade, fazer um pano de fundo para realçar os convidados.
– O que você está fazendo hoje além das festas?
– Voltei a pintar. Quero, em breve, fazer uma exposição no Brasil. Também estou escrevendo um livro de poemas, além dos bailes, claro. Hoje tenho o que chamo de portos de trabalho no Rio, Paris, Nova York e México, mas sou contratado para festas na Rússia, em Singapura, enfim, nos lugares mais variados do mundo.
– Você não cansa?
– Os bailes me obrigam a conviver com muitas pessoas, o que é interessante. Acredito muito na amizade porque só assim a gente realiza o irrealizável. Somente com amigos você chega onde quer. Dinheiro não compra tudo. Mas, no fundo, gostaria de estar mais calmo e em silêncio. Bailes são lindos, mas efêmeros. Eles podem ficar guardados apenas no coração de quem viveu aquele momento mágico. Queria ter tempo para me dedicar mais à pintura, à literatura e às causas sociais, enfim, às coisas imortais.