A Torre Eiffel, de Paris, é um belvedere, do italiano belvedere, lugar elevado.
Ela exibe os nomes dos 72 cientistas, todos homens, que ajudaram Gustave Eiffel a erguê-la. O machismo não permitiu reconhecer, do latim recognoscere, a contribuição de Maria-Sophie Germain.
Belvedere: do italiano bel(lo), belo, bonito, e vedere, ver, designando terraço, construção alta ou outro lugar elevado de onde se tenha vista panorâmica da região. Tem como variantes belveder e belver. A Torre Eiffel, em Paris, França, que deve seu nome ao engenheiro francês Gustave Eiffel (1832-1923), que a construiu para celebrar o centenário da Revolução Francesa, em 1889, é um belvedere. Do alto de seus 320 metros, alcançado por elevadores, vê-se toda Paris e uma parte dos arredores. A torre não foi bem recebida por muitos e até se pensou em derrubá-la. Os argumentos para mantêla de pé foram os seguintes: é um símbolo da capital francesa e nela estão instaladas antenas de rádio, de telefonia e de televisão.
Junto: do latim junctus, particípio passado do verbo jungere, juntar, unir, atrelar. Funciona também como adjetivo, de que são exemplos de pés juntos, os dois viviam juntos. Outras vezes, tem função adverbial, como em “o restaurante fica junto à farmácia”. Como interjeição, aparece, por exemplo, na ordem proferida pelo técnico ao jogador: “Pega junto!” Hífen, palavra que veio “do grego hyphén, latim hyphen, tem igualmente o significado de junto, juntamente. E é esta a sua função na língua portuguesa, agora alterada pelo Acordo Ortográfico, que eliminou o hífen de várias palavras compostas.
Mocidade: de moço, mais o sufixo “idade”, indicando período da vida entre infância e juventude. Com a exclusão do “o”, o “c”, seguido de “i”, perde a cedilha. Moço, étimo presente no vocábulo, tem origem controversa. Pode ter vindo do latim musteum, jovem, fresco, definições ligadas a vinum mustum, vinho novo, não envelhecido. Por comparação, teria passado a designar o jovem. O filólogo espanhol Joan Corominas Vigneaux (1905-1997), que, exilado por 13 anos pela ditadura franquista, consolidou seu nome como catedrático da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, diz que a origem de moço, mozo em espanhol, é incerta, mas chegou ao português e ao espanhol com o significado de rapado, pelado. E que o costume de conduzir nuas as crianças pode ter influenciado tal sentido. Liga-o ao vasco motz, rapado. Assinala ainda que no galego o verbo esmozar significa cortar copa e galhos da árvore. Do mesmo étimo são mocho, gado sem chifres, e muchacho, regionalismo gaúcho para designar tanto o jovem quanto a escora pendurada sob o cabeçalho do carro para suportar o peso e descansar os bois quando a viagem é brevemente interrompida, sem que sejam desajoujados e retirados da canga.
Reconhecer: do latim recognoscere, reconhecer, destacar, mostrar gratidão. É este o sentido da homenagem concebida pelo construtor da Torre Eifell, que mandou inscrever os nomes de 72 engenheiros e cientistas cujas teorias o ajudaram na obra. Cobertos de tinta no começo do século XX, foram restaurados na década de 1980. É machista a lista: excluiu a cientista Maria-Sophie Germain (1776- 1831), cuja teoria sobre números e elasticidade foi importante na construção do monumento. Sophie estudou na Escola Politécnica de Paris, proibida para mulheres, disfarçando-se sob o pseudônimo de um aluno que deixara a cidade, Antoine-August Le Blanc. Interceptava as lições e resolvia os exercícios. O professor Joseph Louis Legrange (1736-1813), surpreso com a súbita excelência obtida pelo aluno medíocre, marcou um encontro com ele. Revelada a identidade, o mestre manteve a confidência e ela se formou.
Trema: do grego trêma, pelo francês tréma, abertura, furo do dedal, sinal do dado, peça cúbica marcada com pontos de um a seis. Na escrita, tornou-se sinal para distinguir a pronúncia, de que eram exemplos “cinqüenta”, escrito também cincoenta, “freqüência” e “mülleriano”. O trema foi abolido pelo Acordo Ortográfico, ora em implantação no Brasil. Mas permanece em palavras derivadas de nomes próprios que o tenham.