A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DE SER GISELE BÜNDCHEN
MUSA CONTA COMO O YOGA MELHOROU A SUA VIDA E FALA DO AMOR QUE TEM PELA CAUSA AMBIENTAL

Em uma tarde zen, tranqüila e bonita, Gisele Bündchen (26) mostrou com exclusividade a CARAS como recarrega sua energia para seguir a agenda de top das mais requisitadas do planeta. Planeta este que a namorada do jogador de futebol americano Tom Brady (29) deseja ver melhor. Em um paraíso da América Central, a bela falou sobre o yoga em sua vida e sobre o seu ativo engajamento ecológico.
– O que a prática do yoga mudou em você?
– Estou mais calma, mais segura, mais presente. Se me sinto “fora de centro”, tenho o yoga, que me fez encontrar tempo para respirar. No dia-a-dia, atropelamos as coisas, não prestamos atenção ao que fazemos. Sou um pouco impulsiva e o yoga me ajudou a controlar isso.
– Quando começou a praticar?
– Quando parei de fumar, há mais de três anos, quis trocar um hábito ruim por um bom e optei pelo yoga. Contratei uma professora e acordava às seis da manhã, três vezes por semana, para as aulas. Isso me acalmou bastante. Comecei pelo hatha yoga, mais centrado na respiração. Hoje também faço o ashtanga dependendo do meu estado de espírito. Se estou com a mente muito ocupada, faço ainda o power yoga, para meditar mais rápido. Normalmente, faço o hatha de manhã. 80% das vezes em que pratico estou sozinha. Faço isso após viajar de avião, por exemplo.
– Outros aspectos da cultura oriental a atraem?
– Sempre fui muito curiosa sobre o budismo. Respeito essa religião, como também todos os que entendem que mente, corpo e espírito têm de estar em sincronia para ser completo e feliz. Inteligente é quem entende isso. Sou fã da prática e da história do yoga. Já li sobre isso, mas não freqüento templos.
– O yoga a deixou mais feliz?
– Entendi que precisava cuidar de corpo, mente e espírito e passei a me sentir mais equilibrada.
– Que mudanças o yoga lhe trouxe? Pode comparar com a sensação que teve ao parar de fumar?
– No início é difícil. A primeira coisa que notei é que minhas costas pararam de doer, pois o esforço se concentra no abdôme. Com o abdôme mais forte, colocava menos pressão nas costas. Passei a me sentir mais leve, flexível e mais forte, além de mais consciente do meu corpo. Já havia parado de fumar. Quando você passa a sentir o benefício do yoga, não quer mais colocar porcaria no seu corpo. O yoga faz com que você se respeite.
– Que outros exercícios faz?
– Quando estou de férias tento jogar vôlei e frescobol e também gosto de surfar. Eventualmente, pratico pilates e até boxe.
– E suas ações ambientais?
– Há algum tempo estou engajada na causa socioambiental, como na parceria com a Grendene. A venda da sandália Ipanema Gisele Bündchen deu força à campanha pela preservação das nascentes do rio Xingu e a projetos de preservação e das águas. No que depender de mim, sempre estarei envolvida neste tipo de projeto de forma ativa, usando a minha imagem para conscientizar as pessoas. Em meu site há uma seção dedicada ao assunto. Chamo ainda a atenção para o tema enviando uma newsletter semanal para os cadastrados.
– Você vive em Nova York. Sente falta da natureza?
– Tento tornar o espaço onde vivo o mais rústico e natural possível. Sinto falta da natureza, mas sempre que posso dou uma escapadinha. Com o tempo, espero viver em uma cidade menor, mais perto do mato. Não há nada que me dê mais prazer, nenhum lugar no mundo onde eu me sinta mais feliz.
– No Brasil, que lugares considera ideais para este contato?
– A Amazônia. Temos de ter orgulho dela e protegê-la. Nunca me senti tão viva como quando estive lá. Nadei nos rios, vi o boto cor-de-rosa, pesquei piranhas. A floresta era densa, fiquei maravilhada, mas preocupada. Todos sabem que a floresta vem sendo destruída em velocidade alarmante.
– Costuma fazer viagens assim?
– Duas vezes por ano, faço uma viagem em que fico três dias em silêncio, pratico yoga duas vezes por dia, leio e analiso a situação em que estou, onde quero chegar, quais são os meus objetivos. Vou para dentro de mim e percebo como nossa mente é ocupada. Ao fim de uma viagem dessas, me sinto mais leve.
– Já deseja ter um filho? Seu relógio biológico já aponta algo?
– Quando for a hora para mim e quem estiver comigo, vamos saber.
– Você já ganhou o suficiente para não ter de pensar mais nisso.
– Em primeiro lugar, gostaria de falar que inventam muito sobre o dinheiro que tenho. O dinheiro me deu a liberdade de me aprimorar sem me preocupar com o básico.
– O que ainda a motiva? Algum tem algum sonho de consumo?
– Formar parcerias em projetos nos quais acredito. Sonho? Uma chácara com rio e bichos.
– Você parece nunca sofrer em público. O que a entristece?
– Sou um ser humano como qualquer outro, passo por momentos difíceis e por outros mais tranqüilos. A diferença está em encarálos como vítima ou como forma de crescimento. Escolhi não ser vítima. Isso não faz ninguém crescer. Diante de um problema, procuro entender o que está acontecendo. Agradeço até pelas situações difíceis, que me fizeram crescer e me tornaram quem eu sou.
– Voltaria a morar no Brasil?
– Estou concentrada no que acontece hoje. Vamos ver que surpresas a vida me reserva.