ETIMOLOGIA
Importante para o funcionamento do organismo, aorta é redução de artéria aorta, do grego artería aortés, vaso que leva sangue oxigenado do coração a todo o corpo. Já ventrículo, do latim ventriculus, diminutivo de venter, ventre, é nome de certas cavidades do coração e do cérebro.
Aorta: da redução de artéria aorta, do grego artería aortés, pelo latim aarteria aorta, vaso sanguíneo que cumpre função importante no organismo, conduzindo o sangue oxigenado em caminhos que vão dos ventrículos do coração a todas as partes do corpo. As vias que levam o sangue de volta ao coração são denominadas veias. Veia, do latim venia, do mesmo étimo do verbo vir, substituiu no latim o grego phléps, que designa a mesma coisa. Por analogias semelhantes, as ruas urbanas são chamadas artérias, levando e trazendo gente para o coração da cidade.
Camila: de cama, do latim tardio cama, leito baixo e estreito. No latim clássico, a cama era o lectus, leito, depois acrescido do sinônimo thalamus, tálamo, do grego thalamos, quarto de dormir. Por analogia, tálamo veio a designar também a massa cinzenta, localizada na juntou-se ao étimo “cam” para formar o diminutivo camilha, variante de camila, cama pequena ou improvisada em acampamentos e no ambiente castrense. Designa também móvel semelhante ao canapé, com encosto, servindo para descanso, especialmente para dormir a sesta, e é sinônimo de espreguiçadeira. Dá nome ainda a um tipo de mesa redonda, octogonal, com braseiro sob ela. Designa finalmente a toalha que cobre essa mesa até o chão para no inverno manter aquecidos pés e pernas dos convivas. Está presente nos nomes das atrizes Camila Pitanga (32) e Camila Morgado (34). No inglês e no francês é camille. De Camila, nome próprio, derivou Camilo, como o italiano São Camilo de Lélis (1550- 1614), fundador da ordem do clero regular, e Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco (1825-1890), escritor português que teve vida amorosa atribulada. Tinhas apenas 16 anos quando desposou Joaquina Pereira de França. Entre outros amores que lhe desarrumaram a vida, namorou uma freira chamada Isabel Cândida.
Diário: do latim diarium, diário, pagamento de um dia, sendo mais usado o plural neutro diaria, que resultou no português diária. Qualificando o que se faz todos os dias, é diarius em latim. No neutro singular, diarium, diário, designa o registro escrito da memória a cada dia que passa ou de dias escolhidos. Este é o sentido no título do livro Diário de Fernando: Nos Cárceres da Ditadura Militar Brasileira, de Carlos Libânio Christo, o Frei Betto (64), que deu tratamento literário aos registros feitos em pequenos pedaços de papel de seda por Fernando de Brito (64), de 1969 a 1973, contando o cotidiano dele e de colegas de cárcere. Ambos são frades da Ordem de São Domingos. Uma vez escritos, eram postos dentro de uma caneta esferográfica, trocada nas visitas. Aparecem ali nomes referenciais da vida brasileira, como os dos atuais ministros Franklin Martins (60) e Dilma Rousseff (61), e os dos chefes da guerrilha Carlos Marighella (1911-1969)e Carlos Lamarca (1937-1971). Há um curioso registro num dos dias: “A edição francesa das cartas de prisão do Betto está aqui, em mãos da censura. Por enquanto ele está proibido de ler o que escreveu…”.
Iene: do japonês yen, redondo, designando também a moeda. Veio para o português depois de escala no inglês yen. A unidade monetária circula tanto em moeda como em cédula, mas as subdivisões, chamadas sem e rin, foram retiradas de circulação em 1954. Pode ter havido influência do chinês yuan, círculo, na denominação do iene, que os japoneses pronunciam “en”.
Ventrículo: do latim ventriculus, diminutivo de venter, ventre, barriga. Portanto, seu significado é barriguinha. São chamadas ventrículos certas cavidades docoração e do cérebro. O ventrículo direito, ao receber o sangue vindo da aurícula direita – aurícula quer dizer orelhinha; o órgão foi assim chamado por ter a forma de uma orelha -, joga-o na artéria pulmonar. O ventrículo esquerdo recebe o sangue da aurícula esquerda e o lança na aorta.
Xafetão: de origem obscura, designa pilar oco por onde passam os fios da rede elétrica e os cabos de telefone e de televisão, que dali seguem para as várias dependências de um prédio.
Zabumba: do cruzamento do espanhol zampona, instrumento musical usado pelos pastores, semelhante à flauta, com o conguês bumba, bater, deu zabumba, termo de origem africana para designar tambor de sonoridade grave, com membranas nas duas extremidades, parecido com o bumbo, também conhecido por bombo, bumba e zambê. Nasceu daí o verbo zabumbar, indicando bater de maneira agressiva, dar pancadas ou produzir barulho ensurdecedor, que atordoa. Mas o verbo zabumbar é sinônimo também de executar composição musical de maneira bem ritmada.