ETIMOLOGIA
O mundo está chocado com a queda da aeronave, de aero, prefixo de origem greco-latina que indica ar, e do latim nave, que ia do Rio para Paris. Parece que não houve sobreviventes, de sobre, do latim super, acima, e vivente, de viver, do latim vivere, entre as 228 pessoas a bordo.
Aeronave: de aero, prefixo de origem greco-latina que indica o ar, e do latim nave, declinação de navis, navio, embarcação, com influência do francês aéronef, designando o avião, nome mais popular desse meio de transporte. As aeronaves que hoje cruzam os céus em todo o mundo são verdadeiras confederações de países, tantas são as etnias e nacionalidades ali representadas. No avião francês que desapareceu no Oceano Atlântico na noite de 31 de maio último, viajavam 73 franceses, 58 brasileiros e 97 pessoas de outras nacionalidades.
Belle époque: da junção francesa de belle, bela, e époque, época, veio para o português e para diversas outras línguas como neologismo, sem alterar a pronúncia e a grafia. Designa período situado entre 1871, com o fim da Guerra Franco-Prussiana, e 1914, com a eclosão da I Guerra Mundial. A bela época não durou nem meio século, mas foi um período riquíssimo em invenções tecnológicas que tornaram a vida cotidiana bem menos difícil, como a bicicleta, o automóvel, o avião, o telégrafo e o telefone. Informam os historiadores que a vida na Europa era eufórica, leve e despreocupada, predominando a alegria de viver. As Flores do Mal, maior obra do poeta francês Charles Baudelaire (1821- 1867), tinha rendido ao autor uma condenação por obscenidade, mas a belle époque o resgatou depois de morto, como fez também com o escritor Honoré de Balzac (1799- 1850). Os poetas Paul Verlaine (1844-1896) e Arthur Rimbaud (1854- 1891) e o escritor Anatole France (1844-1924) também engrandeceram a belle époque e foram seus contemporâneos. Este último morreu em 1912, ano da tragédia do Titanic, que para outros foi a verdadeira referência do fim da belle époque. Publicou Les Dieux Ont Soif (Os Deuses Têm Sede).
Cancã: da expressão latina quamquam, conquanto, todavia, contudo, pelo modo como era pronunciada no francês, cancan, invocada com frequência no falatório universitário, conforme registrada ainda no século XVI como quanquam de collège, quamquam de faculdade, com o significado de muito barulho por nada. Denomina a dança alegre, ruidosa e atrevida, surgida nos cabarés franceses por volta de 1830, marcada por chutes no ar, dados pelas dançarinas – eternizadas pelo grande pintor francês Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901) e outros – enquanto erguiam e sacudiam as saias. Para a dança não ser proibida, por atentado ao pudor, foi necessário criar a calcinha.
Mariana: da junção dos nomes Maria e Ana, do hebraico Miriam e Hannah respectivamente, designando o capatão novo, peixe muito apreciado pelos pescadores de vara. É frequente o nome Maria em palavras compostas do português, de que são exemplos maria-condê, brinquedo infantil; maria-fumaça, o trem; maria-antonieta, esteira; maria-faceira, ave de bico avermelhado; maria-gomes, conhecida também por joão-gomes, designando ambos o caruru-amargoso; mariajudia, outro nome para o tico-tico; maria-vai-com-as-outras, pessoa sem vontade própria; maria-mole, nome de flor e de doce caseiro. O francês Marianne, também de origem hebraica, é um dos símbolos da França. Marianne, mulher jovem e forte, descalça, com os seios à mostra porque o vestido se rasgou na luta, aparece no campo de batalha segurando o estandarte francês na mãe direita e a baioneta na esquerda. Marianne foi adotada como símbolo da Revolução Francesa porque é contração de dois nomes femininos preferidos pelos mais pobres, Marie e Anne.
Sobrevivente: de sobre, do latim super, acima, e vivente, de viver, do latim vivere, que deu também o francês vivre, o italiano vivere e o espanhol vivir. Designa quem escapou da morte em guerras, catástrofes, tragédias, desastres ou que permanece vivo após a morte de pessoa próxima, como a mulher que, sobrevivendo ao marido, herda seus bens. A frase “não há sobreviventes” é um modo delicado de dizer que morreram todos, como na recente tragédia do avião francês que partiu do Rio para Paris em 31 de maio e não chegou ao destino, desaparecendo sobre o Oceano Atlântico com 228 pessoas a bordo, entre as quais 58 de brasileiros, como a cantora Juliana de Aquino, o maestro Sílvio Barbato e os professores universitários José Roberto Gomes, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, onde ensinava Administração; e Octavio Augusto Ceva Antunes, professor de Química, e Izabela Maria Furtado Kestler, professora de Literatura Alemã, ambos da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Izabela era especialista em literatura alemã produzida no exílio e tinha vários escritos sobre a obra de Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832).