ETIMOLOGIA
Pepino veio do latim peponis e, tido como de digestão difícil entre os sertanejos, serviu para o presidente Lula avaliar as dificuldades do presidente americano Barack Obama. Saber veio do latim sapere, sentir o gosto, ter sabor, sentido transferido depois para sabidus, sábio.
Amável: do latim amabile, declinação de amabilis, amável, digno de amor, agradável, que demonstra delicadeza e simpatia em falas, gestos, comportamentos. Aparece nestes versos do Soneto XVIII, de William Shakespeare (1564-1616): “Como hei de comparar-te a um dia de verão?/ És mais equilibrado, és muito mais amável:/ Em maio os vendavais ternos botões fustigam,/ Em brevíssimo tempo o verão nos consome”.
Estufa: do italiano stufa, estufa, local aquecido, do verbo stufare, secar, cozer a fogo lento, radicado no grego týphein, queimar. Designa recinto fechado, com a temperatura elevada artificialmente, como nas saunas, úmidas ou secas, com o fim de provocar abundante transpiração. De largo uso também na agricultura, como nos recintos onde as folhas de fumo são secadas. O aumento dos gases atmosféricos ameaça derreter geleiras, o que elevaria o nível de alguns mares em 60 centímetros, destruindo várias cidades, fenômeno previsto para ocorrer dentro de 50 anos e que aparece nos meios de comunicação como efeito estufa, descrito pelo físico francês Joseph Fourier (1768-1830) no trabalho Theorie Analytique de La Chaleur (Teoria Analítica do Calor), publicado em 1822.
Matriarca: da raiz indoeuropeia matr, alterada no latim mater, no espanhol madre, no inglês mother, no alemão Mutter, no francês mère, acrescida do sufixo arca, do grego arkhés, pelo latim archa, indicando ações de gerar, guiar, conduzir, comandar, como em patriarca, seu equivalente masculino.Assim, o patriarca do povo judeu é Abrahão e a matriarca, Sara, que foi estéril até os 90 anos, quando concebeu e deu à luz Isaac, que o pai quase matou para atender à prova de que confiava em Deus. Narrativas judaicas lendárias atestam que a matriarca morreu de forte emoção, aos 127 anos, ao saber que o filho continuava vivo, pois Satanás lhe dissera que tinha sido morto pelo pai. Ela está enterrada em Hebron, ao lado do marido, onde estão também os restos mortais de Isaac e da esposa Rebeca; de Jacó e de sua primeira esposa, Lia. Raquel, sua segunda esposa, aquela por quem “mais servira se não fora para tão longo amor tão curta a vida”, como disse ao sogro Labão pela pena do maior poeta portuguê, Luís Vaz de Camões (1525-1580), está enterrada em Belém.
Pepino: do grego péponos, genitivo de pépon, melão maduro, derivado do verbo pésso, faço amadurecer, pelo latim peponis, genitivo de pepon, espécie de melão. Pepon foi tomado erroneamente como aumentativo do latim, de onde surgiu o curioso substantivo para designar o pepino propriamente dito, fruto menor da cucurbitácea, isto é, do qual se pode fazer uma cabaça, como a abóbora, a melancia e outros frutos. Ao lado do abacaxi – “descascar o abacaxi” expressa dificuldade -, o pepino indica sério problema. A expressão deve-se à crença sertaneja de que o pepino é de digestão difícil. “Com apenas 40 dias de mandato ter um pepino desses na mão, eu não queria estar no lugar dele”, disse o presidente Luiz Ignácio Lula da Silva (63) por ocasião de seu encontro com o presidente americano Barack Obama (47), então havia 53 dias no cargo.
Quente: do latim calente, declinação de calens, quente. Em espanhol é caliente; em italiano, caldo; em francês é chaud, cujo étimo está presente também em chauffeur, chofer, dado que os primeiros automóveis eram movidos a vapor e tinham caldeira. O mundo está esquentando muito depressa, segundo a Academia Nacional de Ciências do Estados Unidos, pois o nível de dióxido de carbonona atmosfera está 30% acima do que era antes da Revolução Industrial. E o de gás metano dobrou. Como parte da calota polar derreteu, o índicepluviométrico subiu 1%, e o clima está em desordem por causa disso, com alagamentos e calores que antes não ocorriam.
Saber: do latim vulgar sapere, ter sabor, ter bom paladar, sentir os cheiros,de onde migrou para designar o sábio, sabidus em latim, aquele que percebe o mundo de modo organizado, usando os sentidos, a intuição. Fernando Pessoa (1888-1935) escreveu estes lindos versos sobre o tema em Poesias Coligidas: Inéditas: “Sabes quem sou? Eu não sei./ Outrora, onde o nada foi,/ Fui o vassalo e o rei./ É dupla a dor que me dói./ Duas dores eu passei”. E Murilo Mendes (1901-1975) definiu deste modo o saber, em Os Discípulos de Emaús: “Os artistas pensam que sabem. Os cientistas não sabem que não sabem. Os santos sabem que não sabem”. No mesmo livro escreveu: “Existem cinco elementos: o ar, a terra, a água, o fogo e a pessoa amada”.