Médico alerta para complicações na doença de Reynaldo Gianecchini: ‘Sobrecarga’

O ator Reynaldo Gianecchini descobriu doença autoimune grave ainda pouco conhecida

Reynaldo Gianecchini descobriu doença que causa fraqueza muscular durante preparação para musical
Reynaldo Gianecchini descobriu doença que causa fraqueza muscular durante preparação para musical - Foto: Reprodução/Instagram

Reynaldo Gianecchini (52) foi diagnosticado com a síndrome de Guillain-Barré durante os preparativos para o musical Priscilla, a Rainha do Deserto no primeiro semestre de 2024. Na época, o ator de novelas contou que teve os movimentos das mãos e dos pés afetados, o que comprometeu sua qualidade de vida.

A doença autoimune grave interfere diretamente no sistema imunológico o obrigando a atacar os nervos periféricos. A consequência disso é fraqueza muscular, formigamento e, por vezes, paralisia. Para entender mais sobre o impacto desse distúrbio, CARAS Brasil entrevista o Dr. Guilherme Henrique Porceban, médico ortopedista especializado em cirurgia de coluna.

“Do ponto de vista musculoesquelético, a síndrome ‘desliga o músculo da tomada’: instala-se uma fraqueza flácida com perda de reflexos, dor neuropática e, com a imobilidade, atrofia e perda de massa muscular. Isso desestabiliza articulações e postura, favorecendo encurtamentos e sobrecarga mecânica. Na prática, o paciente passa a demandar um programa de fisioterapia voltado a preservar amplitude, modular dor neuropática e reconstruir força e controle postural de forma progressiva, como reforçam princípios de reabilitação que combinam fortalecimento e educação postural em condições com fraqueza e dor neuropática associadas”, explica. 

Em relato, Gianecchini afirmou que suas mãos foram ficando paralisadas aos poucos. O médico destaca que a síndrome pode afetar fortemente a qualidade de vida do paciente, o impossibilitando de fazer coisas simples no dia a dia. 

“Vão desde pé caído e dificuldade para subir degraus até instabilidade do tronco e da cintura escapular, com disquinesia e ‘asa’ de escápula quando estabilizadores estão fracos; a marcha tende a ficar insegura, com risco de queda, e o esforço mínimo pode gerar fadiga desproporcional. O plano de reabilitação precisa atacar esses alvos com treino de controle escapular, fortalecimento do core e reeducação da marcha assistida, pilares bem estabelecidos em reabilitação neuro musculoesquelética”, diz. 

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Com acompanhamento médico e disciplina no tratamento, o paciente pode voltar a recuperar os movimentos. “Com tempo e treino adequados, mas o ritmo e a completude da recuperação variam conforme o subtipo da doença, a velocidade de reinervação e a qualidade da reabilitação. Algumas pessoas mantêm fadiga residual ou leve fraqueza distal, sem perder independência. Um programa estruturado de fisioterapia, com metas funcionais e reavaliações periódicas, maximiza a chance de retorno ao patamar prévio de mobilidade e força”, finaliza. 

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Dr. Guilherme Henrique Porceban (CRM: 169162-SP) é médico pela Universidade de São Paulo (USP) com residência em Ortopedia e Traumatologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, especialização em cirurgia de coluna, com mestrado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Atua como preceptor na UNIFESP e integra o corpo clínico dos hospitais HCor, Hospital Israelita Albert Einstein e Hospital Sírio-Libanês com interesses de pesquisa na área de aplicação de inteligência artificial generativa na medicina.