Psiquiatra sobre transtorno de Roberto Carlos: ‘Afeta relacionamentos e qualidade de vida’
Em conversa com a CARAS Brasil, a psiquiatra Maria Fernanda Caliani explica e alerta sobre transtorno que afeta há anos o cantor Roberto Carlos

Roberto Carlos (84) continua sendo um dos maiores ícones da música brasileira. Mas, por trás do título de “Rei”, o artista convive há décadas com um transtorno que também atinge milhões de pessoas ao redor do mundo: o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC).
Para entender como a condição se manifesta e quais os impactos que ela pode ter no dia a dia, a psiquiatra Maria Fernanda Caliani conversou com a CARAS Brasil e detalhou os principais pontos sobre o transtorno.
O que é o TOC e como ele se manifesta?
“O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é uma condição psiquiátrica caracterizada pela presença de obsessões e/ou compulsões. As obsessões são pensamentos, imagens ou impulsos repetitivos, invasivos e indesejados, que causam sofrimento e ansiedade. Já as compulsões são comportamentos ou rituais mentais realizados com o objetivo de reduzir essa ansiedade ou prevenir alguma situação temida, mesmo que, na prática, não haja relação real entre o comportamento e o ‘perigo’ evitado”, explica a psiquiatra.
Segundo a médica, no caso de figuras públicas como Roberto Carlos, os sintomas acabam ficando mais evidentes. “No caso de figuras públicas como Roberto Carlos, que já falou abertamente sobre seu TOC, os sintomas mais evidentes envolvem a higienização excessiva e uma forte aversão à cor marrom, por exemplo. São manifestações que impactam diretamente a rotina, pois o transtorno pode interferir em atividades simples do cotidiano, nos relacionamentos e na qualidade de vida.”
Como diferenciar um hábito de um sintoma de TOC?
A especialista alerta que muitas pessoas confundem manias comuns com o transtorno. “A diferença entre um hábito e um sintoma de TOC está principalmente no grau de sofrimento e interferência na vida da pessoa”, afirma Caliani.
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Ela aponta sinais de alerta que merecem atenção:
- A pessoa sente-se obrigada a realizar um ritual (lavar as mãos, conferir portas, repetir frases) mesmo sem querer;
- O comportamento consome muito tempo diário (mais de uma hora por dia);
- Há uma angústia intensa caso o ritual não possa ser realizado;
- O indivíduo reconhece que o comportamento é exagerado ou irracional, mas não consegue evitá-lo;
- As obsessões e compulsões prejudicam relações pessoais, desempenho profissional ou acadêmico.
“Nesses casos, é fundamental procurar avaliação médica. O TOC não é uma excentricidade ou ‘mania de limpeza’, é uma condição séria que merece cuidado especializado”, reforça a psiquiatra.
O TOC tem cura?
Segundo Caliani, o transtorno é crônico, mas isso não significa que não possa ser tratado. “O TOC é uma condição crônica, mas altamente tratável. Embora a ‘cura’ completa, no sentido de desaparecimento definitivo dos sintomas, nem sempre seja possível, muitas pessoas conseguem atingir um alto nível de controle, com melhora significativa na qualidade de vida”, diz.
Sobre as opções terapêuticas, a psiquiatra detalha o que geralmente funciona:
- Psicoterapia, especialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), com foco na prevenção de resposta e na reestruturação de pensamentos;
- Medicação, como antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), que atuam nos circuitos cerebrais envolvidos no TOC;
- Em alguns casos, pode haver indicação de abordagens complementares, como neuromodulação ou acompanhamento multidisciplinar.”
Ela reforça ainda a importância da continuidade. “É importante que o tratamento seja contínuo e ajustado às necessidades individuais.”
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