Preta Gil foi expulsa de escola após beijo em Amora Mautner: ‘Gay não é doença’
Em relato corajoso, Preta Gil contou episódio marcante da adolescência ao lado da amiga Amora Mautner; declaração está no livro 'Os Primeiros 50'

Preta Gil, que faleceu aos 50 anos, deixou um legado não só na música, mas também na luta por liberdade, respeito e representatividade. Em seu livro autobiográfico Os Primeiros 50, a artista compartilhou uma lembrança forte da juventude: foi expulsa da escola onde estudava no Rio de Janeiro após dar um beijo em Amora Mautner dentro da sala de aula, como forma de protesto contra um comentário homofóbico.
O episódio aconteceu quando Preta era adolescente e estudava com a amiga, hoje diretora artística da Globo e filha do músico Jorge Mautner. Tudo começou durante uma aula de matemática.
“A professora disse que homossexuais eram doentes. Nos olhamos, levantamos, chocadas com aquele absurdo que a professora havia dito, e gritamos: ‘A gente é namorada! E ser gay não é doença!’”, relembrou Preta, em um dos trechos mais impactantes do livro.
A artista continuou o relato contando que, para reforçar a resposta ao preconceito, ela e Amora se beijaram na frente de toda a turma. “Para coroar, nos beijamos na boca no meio da sala de aula. A professora ficou passada”, escreveu.
Pais foram chamados à escola
Segundo Preta, uma semana após o episódio, os pais das duas foram chamados pela instituição. Gilberto Gil e Jorge Mautner compareceram ao colégio e receberam a notícia de que suas filhas não poderiam mais estudar ali. Embora tenham sido formalmente “convidadas a se retirar”, a expulsão foi disfarçada em casa.
“Eles florearam muito. Diziam que nós duas éramos muito inteligentes, muito à frente do tempo dos outros mortais. Ficamos mega envaidecidas. A verdade é que a gente tinha sido expulsa mesmo”, disse Preta com seu característico bom humor.
Amizade que atravessou décadas
A amizade entre Preta Gil e Amora Mautner continuou firme ao longo da vida. Ambas cresceram juntas, assim como seus pais, Gilberto e Jorge, que mantiveram laços estreitos dentro e fora do universo musical e cultural brasileiro.
O episódio relatado por Preta em Os Primeiros 50 ilustra o espírito combativo e livre da artista, que desde muito jovem não aceitava injustiças e se posicionava com coragem diante da intolerância.
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