Bem-estar e Saúde / Ex-presidente do Uruguai

Médico lista quatro passos para tratar a doença que acometeu Pepe Mujica: ‘Fazem toda a diferença’

Pepe Mujica morreu aos 89 anos após lutar contra doença que pode ser fatal

Pepe Mujica lutava contra câncer de esófago
Pepe Mujica lutava contra câncer de esófago - Foto: Getty Images

A morte do ex-presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica, aos 89 anos, nesta terça-feira, 13, trouxe à tona os desafios enfrentados por quem convive com o câncer de esôfago. A doença foi diagnosticada no político em 2024 durante exames de rotina.

Conhecido por seu estilo de vida simples e seus discursos inspiradores sobre dignidade e resiliência, Mujica encarou o diagnóstico com coragem, mas a gravidade do quadro foi determinante em seus últimos meses de vida.

A pedido da CARAS Brasil, o oncologista Dr. Wesley Pereira Andrade, elenca os quatro passos fundamentais que todo paciente recém-diagnosticado com câncer de esôfago deve seguir. Para ele, essas atitudes iniciais podem fazer toda a diferença no tratamento e na qualidade de vida.

“Agir rapidamente e com orientação adequada é essencial. Um bom acompanhamento desde o início pode melhorar as chances de controle da doença e ajudar o paciente a manter a força física e emocional”, afirma o médico.

Veja os quatro passos essenciais para quem acaba de receber esse diagnóstico:

1. Procure um especialista em tumores gastrointestinais

O primeiro e mais importante passo é encontrar um oncologista com experiência nesse tipo de câncer.

“O câncer de esôfago exige conhecimento técnico e sensibilidade. Um especialista saberá indicar os exames, tratamentos e acompanhar possíveis complicações com precisão”, explica o Dr. Wesley.

2. Realize exames de estadiamento

Para entender a extensão do tumor, exames como tomografia, endoscopia e PET-CT são fundamentais.

“Esses exames determinam se o câncer está localizado ou se já houve disseminação, o que define toda a estratégia terapêutica”, orienta.

3. Adapte a alimentação com ajuda profissional

O câncer de esôfago pode dificultar a alimentação. Por isso, contar com o apoio de um nutricionista oncológico é indispensável.

“Manter o peso e a nutrição adequada impacta diretamente na resposta ao tratamento. Às vezes é necessário mudar a consistência dos alimentos ou usar suplementos calóricos”, aponta o especialista.

4. Cuide da saúde emocional com apoio familiar e profissional

O impacto psicológico da doença costuma ser profundo.

“Participar de grupos de apoio, fazer terapia ou simplesmente manter um círculo de apoio familiar pode trazer conforto emocional e esperança. Isso também ajuda o corpo a reagir melhor ao tratamento”, recomenda.

O que é o câncer de esôfago?

A doença é mais comum em homens acima dos 60 anos. Segundo o Dr. Wesley, existem dois tipos principais:

  • Adenocarcinoma: associado principalmente à obesidade e ao refluxo.

  • Carcinoma espinocelular: mais comum entre pessoas que fumam, consomem álcool ou têm má nutrição.

Quais são os sintomas?

Muitas vezes silencioso no início, o câncer de esôfago costuma se manifestar tardiamente. Os principais sinais incluem:

  • Dificuldade para engolir (inicialmente sólidos, depois líquidos)

  • Sensação de alimento preso na garganta ou no peito

  • Perda de peso sem explicação

  • Tosse persistente ou rouquidão

  • Azia constante

  • Vômito com sangue (em casos avançados)

“A prevenção e o diagnóstico precoce são nossas maiores armas. Quando os sintomas aparecem, é importante não ignorá-los”, reforça o médico.

Dr. Wesley Pereira Andrade O oncologista é MD, Ph.D., mestre e doutor em Oncologia, além de mastologista e cirurgião oncologista. Dr. Wesley Pereira Andrade é médico titular da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e médico titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica. Médico - CRM-SP - 122593 RQE 27534 RQE 27535